Diante do aumento da pressão da
oposição sobre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o PT, com o aval do
Palácio do Planalto, tenta blindá-lo no Congresso e evitar que as investigações
da Operação Lava Jato afetem o governo da presidente Dilma Rousseff.
A estratégia para proteger Lula
passa pela coleta de assinaturas para criação de duas CPIs na Câmara que têm
governos tucanos como alvo, bem como a distribuição para deputados de uma
cartilha editada em três línguas com a defesa do partido e também do
ex-presidente petista e a utilização do plenário da Câmara e do Senado como
tribuna de defesa dele.
Na terça-feira, 2, o PT deu início
a campanha, no rádio, na TV e na internet, para defender Lula. A partir de
agora, o partido terá o reforça do Planalto e da base de Dilma, apesar de, em
privado, ministros e assessores da presidente reconhecerem que as explicações
dadas pelo ex-presidente para as suspeitas contra ele foram insuficientes até
agora e deixaram muitas perguntas sem respostas.
As medidas da blindagem têm como
primeiro objetivo responder ao plano da oposição de apresentar requerimentos
para convocar Lula para depoimentos e de criar uma comissão parlamentar de
inquérito para investigar a Cooperativa Habitacional do Sindicato dos Bancários
(Bancoop) e sua relação com o PT. A mulher de Lula, Marisa Letícia, teve a
opção de compra de uma unidade no condomínio Solaris, no Guarujá (SP),
investigado pela Lava Jato e pelo Ministério Público paulista.
Oposição
Após o carnaval, deputados
petistas passarão a coletar assinaturas para criar as CPIs da máfia da merenda
escolar, com foco no governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), e da
Mineração, com foco no senador e ex-governador de Minas Aécio Neves (PSDB).
A primeira pretende investigar
denúncias de superfaturamento e pagamento de propina em contratos de merenda
escolar em São Paulo, que envolvem secretários do governo tucano e o presidente
da Assembleia Legislativa do Estado, Fernando Capez (PSDB).
Já a outra CPI pretende se
debruçar sobre apuração do Ministério Público de Minas Gerais que investiga
como a mineradora Samarco conseguiu autorização do governo estadual para a
construção da barragem de Fundão, que rompeu em novembro do ano passado.
Em reunião com o presidente
nacional do PT, Rui Falcão, para a condução de Afonso Florence (BA) à liderança
do partido na Câmara, deputados receberam uma cartilha intitulada “Em defesa do
PT, da verdade e da democracia”, editada em português, inglês e espanhol. O material
foi publicado no fim do ano passado.
O presidente do partido pediu que
os deputados petistas saíssem em defesa de Lula em discursos e na
internet.
A ordem foi obedecida de imediato
e gerou mais discussão que as avaliações a respeito da visita da presidente
Dilma Rousseff ao Congresso, no dia anterior, na tentativa de estabelecer
diálogo para levar adiante propostas polêmicas como a reforma da Previdência e
a recriação da CPMF.
“Respeitem a história do
presidente Luiz Inácio Lula da Silva”, bradou o ex-líder da bancada Sibá
Machado (AC).
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