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América
Latina terá que correr atrás de Hillary caso ela vença as eleições
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Candidata democrata nem mesmo
menciona países latino-americanos em campanha
O olhar do mundo sobre as eleições
americanas brilha com uma mistura de ansiedade, expectativa e, sobretudo,
dúvidas. A bipolaridade está presente, principalmente no Partido Democrata,
cujos pré-candidatos, Bernie Sanders e Hillary Clinton, trazem bagagens que
quebram tabus típicos dos Estados Unidos: a possibilidade de uma mulher no
comando ou de um governo de teor socialista.
Por mais que essa seja considerada a
“eleição mais disputada das últimas décadas”, segundo especialistas, Hillary
Clinton é favorita para representar o Partido Democrata em novembro. Os debates
realizados entre os candidatos deixaram bem claro que, se eleita, tópicos como
Estado Islâmico, imigração, igualdade de gênero e conflitos no Oriente Médio
serão os principais focos de seu governo.
O que ainda faz falta nos
pronunciamentos da ex-secretária de Estado são as relações diplomáticas com a
América Latina, atualmente enfraquecidas. De acordo com o professor de relações
internacionais da Faculdade Belas Artes Sidney Leite, o histórico de Hillary
não é positivo quando se trata de relações comerciais com países
latino-americanos.
— Quando foi secretária de Estado do
governo Obama, a democrata teve embates, principalmente com os países da
América do Sul: confrontou o Itamaraty na época em que o Brasil começava a se
aproximar do Irã na tentativa de mediar a questão termonuclear; além disso, não
conseguiu criar uma relação de proximidade com a Argentina — que se fechou para
a economia externa durante os 12 anos de kirchnerismo.
Já que a aproximação com a América
Latina não esteve entre os focos de Hillary enquanto secretária de Estado — e
continua longe de ser uma de suas prioridades — o especialista acredita que a
iniciativa de estabelecer relações comerciais terá que partir dos próprios
países latino-americanos.
— Tenho certeza de que o novo
presidente da Argentina, Mauricio Macri, está esperando ansiosamente pelo
resultado dessas eleições — e por ser mais conservador, pode ter mais sucesso
nessa empreitada; primeiro, porque defende relações comerciais com a economia
externa, e segundo porque quer tampar o “fosso” que surgiu entre a Argentina e
os Estados Unidos durante o governo Kirchner.
Cuba
O Chile e a Colômbia foram os países
sul-americanos que menos sofreram com a estagnação da diplomacia entre os EUA e
o continente; contudo, o protagonista que surpreendeu o mundo durante o governo
Obama foi outro: Cuba.
Em julho de 2015, Barack Obama e o
presidente de Cuba, Raúl Castro, retomaram relações diplomáticas e reabriram
embaixadas após mais de 50 anos de afastamento. Neste mês, mais um passo foi
consolidado: voos regulares entre os países foram autorizados, e começarão a
funcionar em março. Isso significa que este é só o início de uma diplomacia
entre EUA e Cuba, e que o próximo presidente americano será essencial para
estipular a velocidade e a rota pela qual essa carruagem vai andar.
— Creio que, se eleita, Hillary vai
dar uma continuidade importante para essa aproximação. Até porque um dos
principais nichos que apoiam com veemência a eleição da democrata é o movimento
negro dos Estados Unidos — uma herança do governo de Bill Clinton que age muito
positivamente em sua campanha. E valorizar o tópico da reaproximação com Cuba
tem feito o apoio desse grupo crescer cada vez mais.
Brasil
Macri a postos, Raúl Castro em
resguardo. Mas... e o Brasil? Quais seriam as expectativas e as mudanças no
cenário da política externa brasileira após a eleição do novo presidente
americano? Segundo Leite, a retomada das relações comerciais entre os países só
depende do Brasil — que tem fechado cada vez mais os olhos às questões
diplomáticas para tentar amenizar a situação da política interna, que também
não anda nada bem.
— Em vez de deixar a diplomacia de
lado para resolver as crises que por aqui imperam, o atual governo deveria
pensar que, na verdade, estabelecer relações comerciais com outros países é uma
iniciativa que pode ajudar a recuperar a economia.
Apesar de Hillary ter valorizado o
programa assistencialista brasileiro ‘Bolsa Família’ e incentivar igualdade de
gênero e a importância da mulher na política, o especialista acredita que um
possível acordo de comércio entre Brasil e Estados Unidos só vai acontecer se o
governo brasileiro propor um desenvolvimento comercial e de parcerias, por
intermédio de negociações do País.
— O atual governo brasileiro precisa
redefinir estratégias de política externa e se aproximar economicamente dos
Estados Unidos, afinal, apenas 1% de tudo que os EUA importam vêm do Brasil.
Tentar se aproximar e propor uma estratégia que beneficie ambos os países não
significa submissão. Se fazer de vítima não funciona mais, levando em conta o
atual cenário mundial.
Fronteiras e Turismo
Inversamente proporcional à falta de
foco de Hillary nas relações diplomáticas com a América Latina está o incentivo
aos turistas brasileiros.
— Acredito que o próximo governo
pode afrouxar a entrada de brasileiros no país, uma vez que são os turistas que
mais consomem e estimulam o setor de serviços dos Estados Unidos.

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