Pagamentos eram para garantir
obras para a Carioca Engenharia, relatou. Ricardo Pernambuco disse ainda que
Eduardo Cunha recebeu propina.
Delator da Operação Lava Jato, o
executivo da Carioca Engenharia Ricardo Pernambuco afirmou à Procuradoria-Geral
da República (PGR) que fez pagamentos de R$ 1 milhão em dinheiro vivo ao PT, a
pedido do ex-tesoureiro da legenda João Vaccari Neto. Os pagamentos tinham por
objetivo garantir obras para a empresa de engenharia, relatou o delator.
Segundo Pernambuco, o R$ 1 milhão
foi pago em 2011, em quatro parcelas de R$ 250 mil, para Vaccari. O dinheiro em
espécie era viabilizado via doleiros e esquentado através do superfaturamento
de contratos e simulações de prestação de serviços. Em troca, a Carioca
Engenharia entrava na lista de empresas que poderiam participar de licitações
na Petrobras.
O delator disse que a empresa
chegou a participar de uma licitação da estatal, mas como entrou em cima da
hora, não conseguiu apresentar uma proposta competitiva.
Além do pagamento fora da
contabilidade oficial, Pernambuco disse que a Carioca Engenharia fez doações
oficiais que somam pelo menos R$ 20 milhões, desde 2006. Ele disse que as
doações serviam para manter proximidade com o partido que estava no poder, e
que deixava claro a Vaccari porque doava à legenda.
“É preciso que você me ajude para
eu poder ajudá-los. Sem isso, não consigo fazer doações, pois nossa empresa
vive de obras”, disse Pernambuco ao então tesoureiro da legenda, garante.
Eduardo Cunha
Além de Vaccari, Ricardo
Pernambuco também falou sobre o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo
Cunha (PMDB-RJ). Segundo o delator, o peemedebista recebia propina de a partir
de recursos do FI-FGTS, um fundo destinado a empresas. A delação já foi
homologada pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Com base nessas informações, a PGR
deve pedir após o carnaval a abertura de um inquérito para apurar essas
acusações.
Outro lado
O Partido dos Trabalhadores nega
as acusações e reitera que todas as doações que recebeu foram realizadas
estritamente dentro dos parâmetro legais e posteriormente declaradas à Justiça
Eleitoral.
A defesa de João Vaccari Neto e a
assessoria do deputado Eduardo Cunha não atenderam aos telefonemas da TV Globo.
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