Ausência de legislação sobre o
tema deixava o país sob o risco de sofrer sanções internacionais. Projeto faz
ressalva a manifestações populares
Faltando menos de seis meses para
a Olimpíada, a Câmara dos Deputados concluiu nesta quarta-feira a votação do
projeto de lei que tipifica e criminaliza a prática de terrorismo, ainda sem
punição específica no país. A ausência de uma legislação sobre o tema, além de
pôr em xeque a segurança do Brasil em eventos como a Rio-2016, deixa o país sob
o risco de sofrer sanções internacionais, como o rebaixamento das agências de
avaliação de risco.
O texto, que agora vai à sanção
presidencial, foi encampado pelo governo para adequar-se às exigências
internacionais. A medida, no entanto, encontra dura resistência do próprio PT e
de partidos de esquerda, que temem que a prática possa ser confundida com as
manifestações populares - e, dessa forma, atingir movimentos como o dos Sem
Terra e outras importantes bases eleitorais da legenda. O projeto determina
penas de reclusão de doze a trinta anos para quem comete um ato terrorista.
"Mais uma vez a nossa
juventude e todos aqueles que questionam o Estado serão objeto desse tipo de
tipificação. Nosso Código Penal já dá conta desses fatos e atos previstos. Com
a aprovação dessa lei, nós podemos estar inaugurando a atividade terrorista
aqui no país. Acho um despropósito que tenhamos de votar isso", afirmou o
deputado Wadih Damous (PT-RJ), que acrescentou que vai tentar convencer o
governo a vetar trechos da matéria.
O projeto tipifica o terrorismo
como o ato "de intimidar o Estado, organização internacional ou pessoa
jurídica" e "de provocar terror social ou generalizado". A
prática é detalhada como: usar ou ameaçar usar, entre outros itens, explosivos,
gases tóxicos e venenos, sabotar ou danificar sistemas de informática e ainda
atrapalhar o funcionamento, com o uso de violência, de meio de comunicação e de
transporte, hospitais, escolas e estádios. Também fica enquadrado como
terrorismo "incendiar, depredar, saquear, destruir ou explodir meios de
transporte ou qualquer bem público ou privado".
A matéria pune ainda qualquer tipo
de apologia aos crimes tipificados com reclusão de quatro a oito anos, além de
multa. A pena será agravada caso a incitação aos atos se dê pela internet ou
qualquer outro meio de comunicação social.
Conforme o texto da lei, a medida
não será aplicada à conduta individual ou coletiva de pessoas em manifestações
políticas, movimentos sociais, sindicais, religiosos, de classe ou categoria
profissional que tenham como objetivo fazer algum tipo de contestação ou a
defesa de direitos, garantias e liberdades constitucionais. Essa ressalva havia
sido retirada durante votação no Senado, mas voltou a integrar o texto após
acordo entre os deputados.

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