O ex-presidente Luiz Inácio Lula
da Silva, atingido pela maior crise desde que deixou a Presidência, está sendo
aconselhado por aliados e integrantes do governo Dilma Rousseff a adotar
oficialmente a tese de que "recebeu de presente" a reforma feita no
sítio que frequenta em Atibaia (SP), informou a Folha de São Paulo.
Contudo, essa linha de defesa
ainda divide opiniões dentro do próprio PT e no entorno dele. Primeiro, há o
temor de que as bases do partido não recebam bem esse discurso, que foge à tese
de que a cúpula petista age em favor da legenda, não em benefício próprio.
O segundo empecilho está no fato
de a Odebrecht já ter avisado que não assumirá publicamente que custeou a
reforma. A decisão foi tomada internamente pela empreiteira e comunicada a
pessoas próximas a Lula.
De acordo com a reportagem da
Folha, testemunhas e depoimentos colhidos pelo Ministério Público, revelaram
que uma espécie de consórcio informal de empresas (Odebrecht, OAS e Usina São
Fernando) dirigidas por amigos do ex-presidente bancou as obras.
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O sítio em 2010 e em 2015: Imagens do Google
mostram
evolução da reforma no imóvel. (Reprodução)
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A ex-dona de uma loja de material
de construção em Atibaia disse que a Odebrecht bancou R$ 500 mil em produtos
para a obra. Um engenheiro da construtora admitiu ter participado da reforma,
em "caráter informal".
O Instituto Lula diz que o
ex-presidente frequenta o local, de propriedade de amigos da família, em dias
de descanso. Um dos interlocutores do petista ouvido pela reportagem resumiu o
estado de ânimo dos personagens envolvidos na aquisição e reforma do sítio:
todos estão "em pânico" com o caso.
Ainda assim, pessoas próximas a
Lula já começaram a testar a teoria. De acordo com a “Folha de São Paulo” desta
quinta-feira (4), o ex-ministro Gilberto Carvalho, bastante próximo a ele,
disse que seria "a coisa mais normal do mundo" se a Odebrecht tivesse
bancado a reforma do sítio.
Nos bastidores, desde que o caso
ganhou atenção, petistas de primeiro escalão têm citado que, entre
ex-presidentes dos EUA, por exemplo, é comum o recebimento de presentes após o
mandato.
Ainda segundo a “Folha”, no caso
de Lula, a reforma começou no fim de 2010, quando ele ainda ocupava o Planalto.
Para rebater esse ponto, Carvalho disse que a primeira vez que Lula esteve na
chácara foi em 2011.

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