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Adlène
Hicheur, que dá aulas no Rio, cumpriu pena
na França
por ter trocado mensagens com integrante
de fórum
online que reúne jihadistas.
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O físico franco-argelino Adlène
Hicheur, de 39 anos, preso na França de 2009 a 2012 sob acusação de planejar
atos terroristas e atualmente professor da Universidade Federal do Rio de
Janeiro (UFRJ), está disposto a deixar o Brasil. Segundo a UFRJ, ele enviou
ontem um e-mail a colegas de trabalho para expor sua vontade de sair do País,
mas não houve decisão definitiva nem comunicado formal à universidade. Por
isso, a UFRJ não pretende tomar providência por enquanto.
Hicheur tem se recusado a falar
com jornalistas. Segundo o professor Ignácio Bediaga, pesquisador do Centro
Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF) e responsável pelo convite que resultou
na vinda de Hicheur ao Brasil, em 2013, o físico está muito abalado.
“Ele ficou chocado inclusive com a
postura do governo, que reagiu de forma desproporcional. O (ministro da
Educação Aloizio) Mercadante teve uma reação desproporcional. Hicheur pensa em
sair do Brasil para não ser humilhado. Ele quer sair pela porta da frente, como
entrou. Por conta da forma como o governo reagiu, ele tem medo de ser
humilhado.”
Conforme o pesquisador, se
realmente deixar o Brasil, Hicheur deve voltar para a França, onde moram seus
pais.
O ministro Aloizio Mercadante
conversou, ontem, com um representante do Centro Brasileiro de Pesquisas
Físicas (CBPF) da UFRJ e foi informado sobre a intenção do professor de pedir
desligamento da universidade. O governo brasileiro estaria esperando apenas uma
formalização do desligamento para “dar o assunto por encerrado”, já que ele
sairia do Brasil espontaneamente. Desde julho de 2014, Hicheur é professor
visitante da UFRJ. O contrato é válido até julho.
O físico é alvo de investigação da
Polícia Federal (PF), que cumpriu mandado judicial de busca e apreensão em sua
casa na zona norte do Rio e em sua sala no Instituto de Física da UFRJ. O
inquérito ainda está em andamento, mas a PF não se manifesta sobre ele.
Na última segunda-feira,
Mercadante afirmou que a entrada de Hicheur no Brasil deveria ter sido
impedida. Antes de convidar Hicheur, o CBPF consultou o Ministério das Relações
Exteriores, expondo a situação dele. Segundo o CBPF, a pasta informou que nada
impedia a vinda do físico para o Brasil.
Em nota, o ministério disse ontem
que o processo de emissão do visto de Hicheur tramitou “segundo a legislação
vigente e a praxe estabelecida, com apresentação do pedido à rede consular
brasileira, encaminhamento das informações à sede do Ministério das Relações
Exteriores, em Brasília, e envio de consultas sobre o caso para os órgãos do
Estado brasileiro pertinentes, de acordo com as especificidades do caso”.
Prisão. Até 2009, Hicheur fazia
pós-doutorado na Suíça e trabalhava no Centro Europeu para Física de Partículas
quando se afastou para tratamento médico. Na casa dos pais, na França, passou a
frequentar um fórum online que reúne jihadistas e trocou mensagens com uma
pessoa tida pelo governo da França como integrante da Al-Qaeda.
Nos e-mails, ele teria assumido
compromissos interpretados pela Justiça como vinculados a ações terroristas. As
mensagens foram interceptadas. Processado, foi condenado a cinco anos de
prisão. Ele foi libertado em 2012 e chegou ao Brasil em 2013. /
COLABOROU LUÍSA MARTINS, DE BRASÍLIA

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