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Clínica da
Família Estácio de Sá é inaugurada nesta
terça-feira
(19) (Foto: Matheus Rodrigues / G1)
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Unidade do Rio Comprido é
inaugurada nesta terça-feira (19). Cremerj, TCM e MP fazem críticas ao modelo; prefeitura defende.
A Clínica da Família Estácio de
Sá, no Rio Comprido, no Centro do Rio, com inauguração prevista para as 9h
desta terça-feira (19) com a presença do prefeito Eduardo Paes, tem como
gestora a Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina (SPDM), uma
das Organizações Sociais (OSs) investigadas pelo Ministério Público do Rio
de Janeiro por irregularidades na gestão da saúde no município.
Na ação, o MP questiona se a SPDM
poderia estar se valendo de sua posição de entidade reguladora para privilegiar
o atendimento de pacientes, levando-os para UPAs geridas pela própria OS.
"Em bom português, seguindo o dito popular, significa 'colocar a raposa
para tomar conta do próprio galinheiro'", diz o texto.
De acordo com o contrato citado na
Ação Civil Pública ajuizada pela 2ª Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva da
Saúde da Capital, a OSs receberia R$ 76.571.408,12 durante dois anos pelos
serviços prestados, segundo contrato firmado em 2014. Em dezembro do mesmo ano,
o Ministério Público pede a suspensão imediata do edital e que a prefeitura do
Rio" se abstenha de celebrar contratos de gestão com organizações sociais
com objeto idêntico ou semelhante".
Segundo o Ministério Público,
somente através de uma análise detalhada de documentos foi possível identificar
o objetivo do contrato. "A transferência do processo de regulação das
vagas da rede de atenção hospitalar, de urgência e emergência e das vagas da
rede ambulatorial da rede pública de saúde do Município do Rio de Janeiro; e
(ii) a transferência dos serviços de saúde próprios de eventos de massa
organizados pela Prefeitura do Rio de Janeiro, Janeiro para a organização
social acima indicada, ao custo de R$ 76.571.408,12 pelo período de 24
meses", diz trecho da ação, assinada por três promotores de justiça.
Em nota, a assessoria da
Secretaria Municipal de Saúde confirmou que a SPDM será a gestora da clínica no
Rio Comprido, e também é responsável o atendimento da saúde da família na Área
de Planejamento 1 da Prefeitura, que compreende 15 bairros. "Não há sentença
ou julgamento desfavorável às organizações sociais com contratos em vigor com a
Secretaria Municipal de Saúde, ou que determinem o cancelamento desses
contratos".
A SPDM, segundo os promotores,
ficaria responsável por "serviços de apoio e logística e serviços
estratégicos. Na ação Civil Pública, lê-se que a SPDM já atua na rede municipal
de serviços de saúde do Rio tanto como executante dos serviços quanto como
solicitante.
Prejuízo de quase R$ 80
milhões
De acordo com um relatório do Tribunal de Contas do Município (TCM), entre os anos de 2011 e 2013 foram apontadas irregularidades no contrato de nove OSs, que somam um dano aos cofres públicos de R$ 78.426.788,74 milhões.
De acordo com um relatório do Tribunal de Contas do Município (TCM), entre os anos de 2011 e 2013 foram apontadas irregularidades no contrato de nove OSs, que somam um dano aos cofres públicos de R$ 78.426.788,74 milhões.
Uma das maiores irregularidades
apontadas é o superfaturamento de material e medicamentos que, segundo o TCM,
varia em torno de 70% a 300% acima do valor de mercado. Em alguns casos, o
valor cobrado chegou a ser 10 vezes maior que o custo real do medicamento. Além
do superfaturamento, o relatório apontou irregularidades na responsabilidade
previdenciária, fornecedor fantasma e prestação de serviço desnecessário.
OSs são investigadas
Atualmente, 10 OSs têm contratos de gestão vigentes com a Secretaria Municipal de Saúde. Dessas, pelo menos oito constam em relatório do TCM ou ações do Ministério Público Estadual. As denúncias vão desde superfaturamento até a má qualidade na prestação de serviços e superlotação de hospitais.
Atualmente, 10 OSs têm contratos de gestão vigentes com a Secretaria Municipal de Saúde. Dessas, pelo menos oito constam em relatório do TCM ou ações do Ministério Público Estadual. As denúncias vão desde superfaturamento até a má qualidade na prestação de serviços e superlotação de hospitais.
Essas OSs fazem a gestão de sete
hospitais, quatro Coordenações de Emergência Regionais (CER), onze Unidades de
Pronto Atendimento (UPA) e toda a Estratégia de Saúde da Família (ESF).
A Associação Paulista para o
Desenvolvimento da Medicina (SPDM) é alvo de ação do MP, que pede a anulação do
edital por suspeita de irregularidades. De acordo com o contrato, a OSs
receberia R$ 76.571.408,12 durante dois anos pelos serviços prestados.
De acordo com relatório do TCM, o
Centro de Estudos e Pesquisas Dr. João Amorim (Cejam) tem indício de
superfaturamento e duplicidade em notas fiscais, gerando um dano de R$ 8,9
milhões aos cofres públicos. Contra a OS também há uma ação no MP por
deficiências no serviço prestado durante a gestão do Hospital Municipal Souza
Aguiar e na Coordenação de Emergência Regional do Centro (CER - CENTRO).
Contra o Hospital e Maternidade
Therezinha de Jesus há ação por precariedade nas condições de funcionamento do
Hospital Albert Schweitzer. A ação é de dezembro de 2014, mesmo assim, quando a
unidade foi municipalizada no início de janeiro deste ano, a prefeitura
designou a mesma OS para permanecer à frente da gestão da unidade.
A organização social CEP 28 é suspeita de superfaturamento em contrato de serviço de limpeza, pagamento de encargos sociais e tributários, gerando dano de cerca de R$ 500 mil aos cofres públicos.
A organização social CEP 28 é suspeita de superfaturamento em contrato de serviço de limpeza, pagamento de encargos sociais e tributários, gerando dano de cerca de R$ 500 mil aos cofres públicos.
A OS Iabas é apontada como
suspeita de cometer irregularidades durante a gestão das UPAs da Cidade de Deus
e da Vila Kennedy, além de também ser investigada por possíveis irregularidades
na contratação de serviços, mesmo assim, no dia 13 desse mês a prefeitura
designou a Iabas para fazer a gestão recém-inaugurada Clínica da Família Ana
Gonzaga, na Praça Ana Gonzaga, em Cosmos.
Contra o Instituto Unir Saúde há
uma ação no MP que investiga irregularidades na gestão de algumas unidades de
saúde. Em outra ação do MP, a Fiotec é citada por má prestação se serviço e por
falta de profissionais para exercer as funções necessárias. De acordo com o
Ministério Público, a OS Viva Rio teria realizado termos aditivos que estariam
em desacordo com o edital e com o contrato de gestão.
MP questiona transparência
A organização social é uma qualificação que a administração concede a uma entidade privada e sem fins lucrativos. A escolha dessas unidades é realizada por meio de chamamento público o qual tem, dentro dos critérios de avaliação, requisitos como: transparência, pessoal e qualidade. Esses quesitos, após analisados, determinam quem vence o chamamento público.
A organização social é uma qualificação que a administração concede a uma entidade privada e sem fins lucrativos. A escolha dessas unidades é realizada por meio de chamamento público o qual tem, dentro dos critérios de avaliação, requisitos como: transparência, pessoal e qualidade. Esses quesitos, após analisados, determinam quem vence o chamamento público.
Essa transparência, no entanto, é
questionada pelo Ministério Público (MP-RJ). Na segunda (11), a 2ª Promotoria
de Justiça de Tutela Coletiva de Defesa da Saúde da Capital e o Grupo de
Atuação Integrada da Saúde (GAIS) do MP expediram uma recomendação para que o
município do Rio suspendesse todas as novas contratações por meio de
Organizações Sociais (OSs) para a saúde.
No documento, o MP ainda
recomendou a reestruturação interna da Secretaria Municipal de Saúde, que
permita a fiscalização eficaz dos contratos de gestão, em razão da atual
fragilidade de controle. Os promotores destacaram o desvio de pelo menos R$ 48
milhões em recursos públicos por meio de contratos da Organização Social
Biotech Humanas com o município.
A Secretaria municipal de Saúde
disse que acata todas as recomendações do Ministério Público e que um processo
de reestruturação foi iniciado no início do ano passado, com a criação das
coordenadorias regionais de emergência e a fiscalização permanente dentro das
unidades administradas por organizações sociais.
Modelo moderno
Segundo especialistas, o modelo de gestão das OSs foi adotado em muitos estados e, em muitos, funciona adequadamente. De acordo com o TCM, o modelo de gestão das OSs é um dos que mais se enquadra às necessidades da área da Saúde atualmente, no entanto, é fundamental o acompanhamento e a fiscalização para evitar fraudes.
Segundo especialistas, o modelo de gestão das OSs foi adotado em muitos estados e, em muitos, funciona adequadamente. De acordo com o TCM, o modelo de gestão das OSs é um dos que mais se enquadra às necessidades da área da Saúde atualmente, no entanto, é fundamental o acompanhamento e a fiscalização para evitar fraudes.
“O governo terceirizou essa gestão
no intuito de tentar ter um gerenciamento do hospital. Só que mudou-se o
modelo, mas a solução não foi atingida. O modelo (OS ou gestão pública) não
interfere, mas a qualidade. Independente de ser próprio ou não, é preciso
acompanhar, o que não ocorreu desde que as OSs foram implantadas no Rio”,
afirmou Ilza Fellows, diretora do Conselho Regional de Medicina do Rio de
Janeiro e especialista em gestão hospitalar.

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