1/25/2016

Ministério do Trabalho faz operação contra trabalho escravo no Rio

Vítima era trancada em estabelecimento e trabalhava
de 5h às 23h todos os dias da semana.
(Foto: Divulgação / MPT)
Denúncias atingem endereços de empresa de exportação e importação.
Dois  imigrantes chineses foram levados para a sede do Ministério do Trabalho e Previdência Social nesta segunda-feira (25) por auditores fiscais, durante uma nova fase da operação de combate ao trabalho escravo, imigração ilegal e ao tráfico internacional de pessoas no Rio. A dupla estava em situação irregular no país, segundo auditores.
Vasculhando cinco endereços da empresa Rio de Ouro, que trabalha com exportação e importação, os auditores encontraram dois trabalhadores na rua Guilherme Maxwell e outros dois na rua Joana Nascimento, ambas próximas ao conjunto de favelas da Maré, na Zona Norte do Rio.
Em outro endereço, na rua Castelo Branco, na Penha, os auditores fiscais não encontraram trabalhadores chineses e não fizeram nenhuma apreensão. Até as 12h, não havia informações sobre trabalhadores encontrados na rua República do Líbano, dentro da Saara, no Centro do Rio, assim como na Avenida Brasil, número 10.900. Até 12h, não tinham sido divulgadas as condições que os chineses foram achados.
Segundo a auditora-fiscal e coordenadora do grupo de trabalho escravo urbano do Ministério do Trabalho e Previdência Social, Márcia Albernaz de Miranda, já foram encontrados mais de 20 chineses, em treze pastelarias diferentes, nas seis fases anteriores da operação.
A operação Yulin foi realizada em 11 estabelecimentos diferentes, com a participação de cinco equipes de duas duplas auditores fiscais do trabalho e procuradores do trabalho.
A nova fase ocorre quase oito meses depois de o então Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) constatar utilização de carne de cachorros em pastelarias e a utilização da mão de obra de chineses em condições análogas à escravidão, em abril de 2015, na quinta fase da operação de combate ao trabalho escravo e tráfico de pessoas.

A operação conta com auxílio da Polícia Militar e do Ministério Público do Trabalho, e foi requisitada pela Superintendência Regional do Trabalho do Rio, através do superintendente Robson Leite. Segundo ele, o aumento na fiscalização sobre o assunto é uma preocupação do governo e uma "orientação do Ministério".

"A operação Yulin será uma prioridade da atuação do Ministério do Trabalho no RJ. São recorrentes os casos de trabalho escravo e tráfico humano no nosso estado violando os tratados internacionais aos quais o Brasil é signatário. Iremos aprofundar o combate a essas práticas e a todas as demais formas de precarização da mão de obra do trabalhador", disse o superintendente ao G1.

Crueldade e cão congelado
Em abril, o depoimento de um chinês vítima de tortura detalhou como eram as agressões sofridas no trabalho. “O dono [da pastelaria] lhe agredia com o rolo de massas nas partes internas das pernas, virilhas e usou uma concha de sopa para lhe agredir no rosto e acabou pegando a orelha e que ela sangrou e ficou inchada. Mês passado o dono usou um cano de plástico para lhe agredir na cabeça. Ele falava para o dono que não queria mais trabalhar para ele porque apanhava, e o dono respondia que investiu despesas nele e, por isso, deveria continuar o trabalho”, diz o depoimento do jovem chinês, que precisou ser acompanhado por um tradutor, já que não fala português. Ele foi encaminhado para o programa de proteção à testemunha.

Em uma pastelaria auditada na operação, cachorros que podem ter sido mortos a pauladas foram encontrados congelados, e a suspeita é que eles seriam utilizados no preparo da carne para o recheio de pastéis. Os animais foram encontrados congelados dentro de caixa de isopor nos fundos da pastelaria. “Tinha muita carne estragada. O cheiro daquele lugar era insuportável”, contou na época a procuradora Guadalupe Louro Couto.

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