O ministro da Casa Civil, Jaques
Wagner, disse na noite desta quarta-feira, ao comentar a 22ª fase da Operação
Lava-Jato, que mira na investigação de ocultação de patrimônio adquirido com
recursos desviados da Petrobras, batizada de Triplo X, que há uma “obsessão” em
criminalizar o ex-presidente Lula. Wagner disse que é preciso esperar o fim das
investigações “antes de colocar carimbos” em quem quer que seja. E disse que
Lula prestou inestimável serviços a sociedade, tem um carisma enorme e por isso
virou “objeto de desejo” dos que querem vê-lo investigado, mas que por tudo que
fez em benefício do País, é preciso que tenha um tratamento mais respeitoso.
A fase Triplo X investiga a
participação de laranjas como proprietários de apartamentos no Edifício Solaris,
em Guarujá, onde familiares de Lula teriam uma opção de compra de um triplex
reformado e, hoje, em nome da empreiteira OAS, investigada na Lava-Jato.
— Ele já disse que não é dele o
apartamento, que ele pretendeu e depois desistiu de comprar. Eu acho só que as
pessoas têm que aguardar um pouquinho as investigações antes de colocar os
carimbos. Porque, depois que coloca o carimbo, fica mais difícil. Isso vale pra
todo mundo, para o pessoal que é do meu lado, para a oposição. Então, ele é uma
figura, evidentemente, que tem uma liderança bastante sólida no país, é uma
referência, um nome superconhecido, oito anos presidente da República. Então,
virou objeto de desejo — disse Wagner.
O ministro da Casa Civil disse que
vai manter seu ponto de vista, de que toda investigação que aponta um desvio de
dinheiro público, atos de corrupção, são bem vindas. Mas que é preciso também
pensar nos destinos do país, além da Lava-Jato .
— Eu só digo e repito que o Brasil
não vive disso. Isso é bem vindo, mas nós precisamos cuidar da geração de
riqueza, de emprego e renda. Eu acho que há uma certa obsessão que acaba se
difundindo como se toda operação tivesse o objetivo, e a gente tem testemunhos
de pessoas, inquéritos, depoimentos em que sempre se busca a tentativa de
contaminar o presidente Lula. Eu, pessoalmente, acho que este é um desserviço.
Ele é uma liderança importante. Deu uma contribuição independente da convicção
de cada um que considero inestimável à sociedade brasileira e ao brasil e eu
acho que sinceramente deveria ter um tratamento mais respeitoso — defendeu o
ministro.
CARDOZO: “ESPECULAÇÕES
INDEVIDAS”
O ministro da Justiça, José
Eduardo Cardozo, classificou nesta quarta-feira de “especulações indevidas” as
análises de que a fase Triplo X da Operação Lava-Jato mira o ex-presidente Luiz
Inácio Lula da Silva. Ele ressaltou que o juiz Sérgio Moro, responsável pelas
investigações em Curitiba, já afirmou que não há qualquer procedimento em
relação ao ex-presidente.
— Até onde sei, essa investigação
está sob sigilo. Apenas posso dizer de situações que são públicas.
Recentemente, o juiz Sérgio Moro disse que o ex-presidente Lula não é
investigado e eu não recebi nenhuma informação de qualquer ato investigativo em
relação à essa pessoa do juiz Sérgio Moro. Isso está claro pelo Judiciário. O
ex-presidente não está sendo investigado e nem me parece que tenha sido
determinada qualquer medida na investigação de hoje. Quaisquer outras situações
são especulações indevidas — afirmou Cardozo.

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