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Francesco,
há 40 anos na Rio Branco, está preocupado
com a
mudança
(Foto: Daniel
Castelo Branco / Agência O Dia)
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Ao todo, 25 bancas tradicionais
serão realocadas para dar lugar à passagem do VLT no coração do Centro
Notícias do governo militar,
greves de estudantes, reabertura política. Eleições, reeleições e quase 50
carnavais. Desde que desembarcou do navio que partira do sul da
Itália rumo à efervescente Rio de Janeiro, aos seis anos de idade, Francesco
Maio, hoje com 60, acompanha tudo o que acontece na cidade de dentro de sua
banca de jornal. Na última sexta-feira, entretanto, foi surpreendido pela
notícia de que em dez dias terá que deixar a Rio Branco, avenida que conhece
como a palma da mão.
Devido à instalação do novo Veículo
Leve sobre Trilhos (VLT), que passará pelo lado ímpar da via, todas as 25
bancas que se encontram ao longo da via serão realocadas. Segundo a Prefeitura
do Rio, o motivo da remoção é garantir a visibilidade do condutor e dos
pedestres e para a construção das paradas do VLT e travessias. A decisão deixou
os jornaleiros receosos pelo futuro do negócio. “O progresso é bonito e
necessário, mas não pode passar por cima das pessoas”, afirmou Francesco, que
acredita que a questão da segurança seria resolvida com simples guarda-corpos.
“Toda a minha família depende do negócio. Se não der certo no novo local, não
sei como vou fazer”, lamentou.
O jornaleiro Giuseppe Angrisano,
de 62 anos, que também deixou a Itália ainda pequeno para auxiliar a família no
Brasil, é categórico: “Nós não somos contra o progresso, só queremos
sobreviver. Um colega gastou quase R$ 7 mil para instalar a fiação necessária
no local para onde foi removido”, disse. Outro receio é sobre o transporte da
banca. “O problema é o modo como está sendo feito o processo. Eles nos dão 10
dias para sair e não dão nenhum apoio. Isso aqui é uma estrutura pesada,
grande, que precisa de luz e ventilação. Não é simples de desmontar”, reclamou
o jornaleiro Giovani Mangia, 59.
A Secretaria de Ordem Pública
(Seop) e a Companhia de Desenvolvimento da Região do porto (Cdurp) afirmaram
que, depois de notificados, os proprietários deverão propor novos locais,
que serão avaliados pela prefeitura. Sobre os gastos com a remoção, a Seop
respondeu que os responsáveis pelas bancas deverão comparecer à sede da
Coordenação de Licenciamento e Fiscalização (CLF), no prédio anexo da
prefeitura, onde será feito um ofício para dar isenção da taxa de transferência
da energia elétrica. Entretanto, fica a cargo dos permissionários o custo da
instalação de luz e da estrutura.
Segundo a Cdurp, a prefeitura está
dando apoio no transporte das bancas. Até o momento, cinco foram remanejadas,
quatro deslocadas na própria via e uma instalada na Almirante Barroso. Outras
21 bancas ainda precisam trocar de lugar. A remoção será retomada semana que
vem, mas não há prazo para a conclusão, informou a Cdurp.
Reportagem de Clara Vieira

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