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O juiz
federal Sérgio Moro, responsável pela
Operação Lava Jato(Heitor Feitosa)
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No Supremo Tribunal Federal, de 54
recursos, apenas quatro foram concedidos
O índice de revisão até o momento
das decisões do juiz federal Sérgio Moro na Lava Jato é de menos de 4% (cerca
de 3,8%) do total de habeas corpus e recursos de habeas corpus ajuizados pelas
defesas na Justiça de segundo grau e nas cortes superiores. Moro é o
responsável pela condução da operação na primeira instância, em Curitiba.
"Quanto às críticas, penso que ataques genéricos, sem a coragem de nominar pessoas ou apontar fatos concretos, somente desqualificam o manifesto. Mas, é claro, o choro é livre". Carlos Fernando Lima, procurador
Conforme levantamento feito pela
Procuradoria-Geral da República e pelo jornal O Estado de S. Paulo nos
tribunais, desde o início da operação, em março de 2014, até meados de janeiro
deste ano, foram ao menos 413 recursos apresentados pelas defesas. Deste total,
somente dezesseis reclamações dos defensores foram concedidas total ou
parcialmente e 313 (76%) negadas. Cerca de 85 habeas corpus ainda estão em
trâmite (incluindo algumas decisões que foram alvo de recursos).
Na carta aberta em repúdio ao que
chamam de "regime de supressão episódica de direitos e garantias
verificado na Operação Lava Jato", os advogados afirmam que
"magistrados das altas cortes do país estão sendo atacados ou colocados
sob suspeita para não decidirem favoravelmente aos acusados em recursos e
habeas corpus". O documento, assinado por pouco mais de 100 advogados e
publicado nos principais jornais do país no dia 15, classifica a Lava Jato como
uma "espécie de inquisição (ou neoinquisição)" e uma "tentativa
de justiçamento, como não se via nem mesmo na época da ditadura".
A manifestação provocouu respostas
contundentes de entidades da magistratura e do Ministério Público. "Mero
falatório, fumaça, que não gera benefício nem para o cliente pretensamente
protegido", disse a Associação dos Juízes Federais do Brasil. A Associação
Nacional dos Procuradores da República destacou que as queixas dos advogados
"já são objeto de ações e recursos em trâmite no Poder Judiciário e vêm
sendo rechaçadas em repetidos julgamentos, afastando qualquer alegação de
supressão de direitos aos investigados".
"Os números absolutos de
habeas corpus e recursos na Lava jato mostram que há, em verdade, um abuso do
uso desses recursos em nosso país", disse ao Estado o
procurador Carlos Fernando Lima, da equipe de investigadores em Curitiba.
"Quanto às críticas, penso que ataques genéricos, sem a coragem de nominar
pessoas ou apontar fatos concretos, somente desqualificam o manifesto. Mas, é
claro, o choro é livre."
'Constrangimento ilegal' - No
STF, de 54 recursos, quatro foram concedidos. No último deles, há dez dias, o
presidente da Corte, ministro Ricardo Lewandowski, mandou soltar o publicitário
Ricardo Hoffmann, acusado de ser um dos operadores da Lava Jato. Lewandowski
apontou "a existência de constrangimento ilegal" na manutenção da
prisão. Dias antes, o presidente do Supremo negou pedido de liberdade do
empreiteiro Marcelo Odebrecht, que está preso preventivamente desde 19 de junho
do ano passado.
A defesa de Odebrecht foi ao
Supremo após o Superior Tribunal de Justiça, em decisão colegiada, manter o
empresário preso. Conforme levantamento da Procuradoria-Geral da República, o
STJ já rejeitou 97 recursos das defesas da Lava Jato e não concedeu nenhum
habeas corpus (já transitado em julgado). Em dezembro, o ministro Ribeiro
Dantas deixou a relatoria da Lava Jato no STJ e repassou os casos ao ministro
Felix Fischer, presidente da Quinta Turma da corte.
Ribeiro Dantas relatou dezoito
processos da Lava Jato e votou a favor da liberdade de empreiteiros da
Odebrecht e da Andrade Gutierrez. O ministro recorreu a um procedimento
regimental para deixar a função.

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