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O governador
do Amazonas, José Melo, foi cassado
pelo TRE-AM
por compra de votos
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TRE-AM decidiu pela cassação de
José Melo (Pros) e o vice Henrique Oliveira (SD), que permanecem nos cargos até
o fim dos recursos no TSE
O governador do Amazonas, José
Melo, foi cassado pelo TRE-AM por compra de votos na eleição de 2014(Alan
Marques/Folhapress)
O governador do Amazonas, José
Melo (Pros), e o vice-governador do estado, Henrique Oliveira (SD), tiveram os
mandatos cassados pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) amazonense nesta
segunda-feira por compra de votos na eleição de 2014. Apenas um dos seis juízes
que formam o colegiado, Márcio Rys Meirelles, foi contra a cassação da chapa de
Melo. Cabe recurso à decisão.
A ação que levou à cassação de
Melo foi impetrada pela coligação Renovação e Experiência, cujo candidato ao
governo foi o senador licenciado e atual ministro das Minas e Energia, Eduardo
Braga (PMDB-AM). Apesar da decisão do TRE-AM, José Melo e Henrique Oliveira
continuam nos cargos até que se esgotem os recursos no Tribunal Superior
Eleitoral (TSE).
Reeleito em 2014, José Melo teve
seu nome ligado a um esquema de compra de votos em reportagem exibida em março
de 2015 pelo Fantástico, da TV Globo. O esquema desviou dinheiro
público para bancar favores como a confecção de óculos (730 reais), festa de
formatura (5.300 reais) e até a reforma de um túmulo (450 reais), todos
negócios que contam com recibo. Em troca dos favores, eleitores dariam seus
votos para Melo. De acordo com a reportagem, as transações foram realizadas por
intermédio do irmão de José Melo, Evandro, um dos responsáveis pelo projeto da
Copa do Mundo em Manaus, e de Nair Blair, fundadora de duas associações sem
fins lucrativos.
Ainda em 2014, o site de VEJA
revelou que o subsecretário de Justiça do Amazonas, major Carliomar Barros
Brandão, foi à cadeia, se reuniu com bandidos e, em troca de regalias, recebeu
do líder da facção criminosa Família do Norte, que domina o tráfico em
território amazonense, a promessa de apoio à reeleição de José Melo no segundo
turno. "A mensagem que ele mandou para vocês, agradeceu o apoio e que ninguém
vai mexer com vocês, não", prometeu Brandão, que foi exonerado pelo
governador um dia depois da revelação do caso.
Liderada pelo advogado Yuri
Dantas, a defesa do governador antecipou que vai decidir pelo tipo de recurso a
ser empregado depois da publicação do acórdão pelo tribunal. "Para poder
decidir, é preciso conhecer a íntegra do acórdão e dependendo do que encontrarmos
lá. São possíveis embargos de declaração no TRE e um recurso extraordinário no
TSE", disse Dantas. Após a publicação do acórdão, que contém as decisões
dos juízes e a do relator, o prazo para recurso é de três dias.
Apesar da minirreforma eleitoral sancionada
por Dilma Rousseff em 2015, que prevê a realização de novas eleições em casos
como este, a defesa da coligação encabeçada por Eduardo Braga entende que, caso
o TSE confirme a cassação do mandato de Melo, o ministro das Minas e Energia
poderá sem empossado governador. "Uma manifestação recente do TSE diz, em
relação à realização de novas eleições, que essa regra só vale para eleições
posteriores à publicação da lei, ou seja, só a partir das eleições de
2016", diz Daniel Duarte, o advogado da coligação Renovação e Experiência.

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