As mensagens obtidas por
investigadores da Operação Lava Jato no celular do ex-presidente da OAS José
Adelmário Pinheiro Filho, conhecido como Léo Pinheiro, mostram que os
executivos da empresa não só articulavam com políticos a obtenção de favores e
o apoio financeiro a candidatos, mas também faziam avaliações sobre a política
nacional. "Vai ser duro!!!! Haja Luma (Lula+Dilma)", sugeriu um dos
executivos da empresa sobre a vantagem do candidato ACM Neto (DEM) sobre o
petista Nelson Pelegrino, na campanha à prefeitura de Salvador em 2012. Dois
anos depois, executivos da empresa citavam a vitória de ACM Neto como um
indicativo de que "acabou o tempo de eleger 'poste'".
Diante do avanço da campanha do
atual prefeito da capital baiana, ACM Neto, o ex-presidente da OAS e o
ex-diretor da empreiteira Manuel Ribeiro Filho começaram a discutir por
mensagens as formas de salvar a campanha eleitoral de Pelegrino, a quem deram
apoio. "Dilma/ Lula/Militância ofensiva. São as únicas formas de
vencer", escreveu Ribeiro Filho. O apoio da empreiteira ao petista Nelson
Pelegrino, em 2012, foi intermediado pelo então governador da Bahia e hoje
ministro da Casa Civil, Jaques Wagner (PT), de acordo com os investigadores da
Lava Jato.
Nas mensagens, os executivos
discutiram propaganda na TV em que ACM Neto "desconstrói" Pelegrino.
"Só Lula e o Papa. Ainda bem que cheguei em Roma", escreve um número
supostamente ligado a Léo Pinheiro, em 19 de outubro de 2012, antes do segundo
turno eleitoral, a respeito de possível vitória do PT. "Leo: se não partir
para desconstruir (ACM) Neto, nem Javeh. Virou Onda. A propaganda está
inteligente. Neto não bate ou bate com elegância", respondeu o ex-diretor.
Manuel Ribeiro Filho se afastou da OAS no final de 2012 e em janeiro de 2014
foi nomeado secretário de Desenvolvimento Urbano do Estado da Bahia, ainda na
gestão de Wagner no governo.
Quase dois anos depois das trocas
de mensagens sobre a campanha de 2012, outros executivos da empresa voltam a
falar com Léo Pinheiro a respeito da preocupação com as eleições na Bahia. Em
janeiro de 2014, ano em que foram realizados pleitos para presidente da República
e para os governos estaduais, César Mata Pires, fundador da OAS, diz a Léo
Pinheiro que "acabou o tempo de eleger poste" e faz referência à
eleição de 2012, quando Pelegrino, mesmo com apoio dos governos federal e
estadual, perdeu as eleições.
"LP (Léo Pinheiro), Acabou o
tempo de eleger poste. JW (Jaques Wagner) que se cuide... não aprendeu com a
vitória do grampinho (apelido usado para se referir a ACM Neto). Temos que
pensar nessa hipótese X nossos interesses na Bahia. Deus nos proteja. CMP (César
Mata Pires)", escreveu.
Após as conversas terem vindo à
tona, reveladas na semana passada pelo Estado, o ministro Jaques
Wagner disse estar à disposição das autoridades e do Ministério Público para
prestar esclarecimentos sobre o assunto. Em nota, Wagner disse estar
"absolutamente tranquilo" quanto à sua "atividade política
institucional, exclusivamente baseada na defesa dos interesses do Estado da
Bahia e do Brasil". Procurada, a OAS afirmou por meio de assessoria que
"não tem nada a comentar a respeito".
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