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Milton
Pascowitch reafirmou ter pago propina a petista.
(Foto:
Givaldo Barbosa/Agência O Globo)
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O delator Milton Pascowitch, que
diz ter pago propinas a José Dirceu, afirmou em novo depoimento ao juiz Sérgio
Moro que o ex-ministro gastava muito mais do que ganhava. Segundo ele, o
escritório de Dirceu tinha contratos para receber entre R$ 20 mil e 30 mil
mensais, mas chegava a gastar R$ 1 milhão por mês. Ao depor na quarta-feira,
Pascowitch disse que Dirceu chegou a prestar consultoria, mas depois
“desvirtuou” e voltou a agir como "um ser político", não como um
consultor.
— As consultorias eram delegadas.
Ele tinha contratos de R$ 20 mil, R$ 30 mil por mês, e despesas de R$ 800 mil,
R$ 1 milhão — disse o delator, que fez pagamentos à empresa de Dirceu, a JD
Consultoria, e quitou despesas pessoais do ex-ministro, como a reforma de uma
casa em Vinhedo e a compra de um imóvel para uma filha dele.
Pascowitch disse que, a partir de
2007, Dirceu se tornou “absolutamente alheio” à administração de sua
consultoria, que ficou a cargo do irmão dele, Luiz Eduardo de Oliveira e Silva.
O delator disse que repassava ao
escritório do ex-ministro dinheiro de propina de contratos da Petrobras, pois
Dirceu havia participado da indicação do ex-diretor de Serviços da estatal,
Renato Duque, condenado na Lava-Jato. Ele contou que chegou a dizer a Dirceu
que achava absurdo ele não saber quanto iria gastar dali a 30 dias. Disse que a
empresa de Dirceu chegou a ter um administrador, cujo trabalho ficou inútil
devido à injunção política. Para Pascowitch, não adiantava ter administrador se
não se sabia “quanto entra” de dinheiro nem “quanto vai sair”.
O delator reafirmou que parte do
dinheiro repassado ao ex-ministro foi utilizado para pagar uma casa para a
filha de Dirceu.
Na opinião de Pascowitch, Dirceu
não tinha qualificação para administrar uma empresa. Foi Dirceu, segundo o
delator, quem autorizou também que fossem feitos pagamentos diretos de R$ 30
mil, mensalmente, a Luiz Eduardo e Roberto Marques, assessor do ex-ministro
conhecido como Bob.
— Se eles faziam conosco, imagino
que fizessem com outras empresas também.
O juiz Sérgio Moro negou pedido
feito pelo advogado de Dirceu para que ele participe das audiências em que são
ouvidos os delatores e outras testemunhas do processo.

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