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O presidente
venezuelano Nicolás Maduro durante
apresentação
do informe de gestão na Assembleia
Nacional, em
Caracas(Carlos Garcia Rawlins/Reuters)
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Aprovação do estado de emergência
econômica abre brechas para presidente ignorar o Parlamento, podendo até
confiscar centros produtivos privados
O Tribunal Supremo de Justiça da
Venezuela, composto majoritariamente por magistrados chavistas, reconheceu,
nesta quarta-feira, a legalidade do decreto de emergência econômica promulgado
pelo presidente Nicolás Maduro e que espera a aprovação do Parlamento de
maioria opositora.
"A Sala Constitucional do
Tribunal Supremo de Justiça afirmou a constitucionalidade do Decreto N° 2.184,
mediante o qual se declara o Estado de Emergência Econômica em todo o
território nacional em conformidade com a Constituição (...) por um intervalo
de 60 dias", afirma uma nota à imprensa divulgada pela corte. A sentença
da Sala Constitucional constatou a "necessidade, idoneidade e
proporcionalidade das medidas de exceção decretadas" e garante que não
restringe garantias de que "não podem ser limitadas por expresso mandato
constitucional".
Sindicatos de trabalhadores e
associações da indústria marcaram um protesto nesta quinta-feira, manifestando
sua insatisfação com o decreto, que abre brechas para Maduro atropelar a
Constituição e passar por cima do Parlamento, podendo inclusive até confiscar
centros produtivos e fábricas do setor privado.
Segundo o presidente da
Conindústria (principal confederação da indústria no país), Juan Pablo
Olalquiaga, o setor produtivo recomenda "que este decreto não seja
aprovado nos termos, nos quais foi apresentado". Para o empresário,
"os pressupostos que este decreto estabelece são equivocados", já que
não reconhece uma crise estrutural do modelo promovido pelo chavismo "há
muito tempo". Para Olalquiaga, o governo "vem substituindo produção
nacional por importações".
A coordenadora da União Nacional
de Trabalhadores (Unete), Marcela Máspero, questionou o decreto de Maduro por
considerar que "o texto completo é legitimar uma política que não deu
resultados". O decreto está em vigor desde sexta-feira passada, mas a
Assembleia Nacional precisa ratificá-lo, ou anulá-lo, até o final da semana. A
Venezuela revelou na última sexta-feira uma inflação anual de 141,5% - a mais
alta de toda sua história -, e uma retração do PIB de 4,5%. O país também sofre
com uma taxa cambial fora de controle e um desabastecimento crônico de
alimentos e remédios.

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