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Contratação
de OS para gerir Hospital Rocha Faria
gerou protestos
(Foto: Severino
Silva / Agência O Dia)
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'Vamos cruzar dados sobre valores
faturados, pagos, liquidados', disse deputado Luiz Paulo, que preside comissão
Mesmo em recesso, a Assembleia Legislativa
do Rio já iniciou os trabalhos da auditoria de todos os contratos do governo
estadual com Organizações Sociais (OS) na área de saúde. O deputado Luiz Paulo
(PMDB), que preside a comissão especial criada esta semana na Alerj para
investigar as dívidas do estado com fornecedores, fará reunião nesta
quinta-feira com o novo secretário de Saúde, Antônio Teixeira Júnior. Ele
solicitou à Junta Comercial (Jucerja) os registros de todas as OSs que atuam no
estado. “Vamos cruzar os dados sobre os valores faturados, pagos, liquidados”,
afirmou Luiz Paulo. O Tribunal de Contas do Estado (TCE) também iniciou
auditorias nas OSs, a pedido da Alerj.
Somente para as OSs que
administram 15 hospitais e 29 UPAs do estado, a estimativa é que a dívida do
governo seria em torno de R$ 850 milhões. Apenas a OS Hospital e Maternidade
Therezinha de Jesus —uma das seis que serão auditadas pelo TCE — teria a receber
quase R$ 80 milhões do estado desde 2014 para administrar o Hospital
Albert Schweitzer, em Realengo, recém-municipalizado.
Com sede em Juiz de Fora (MG), a
entidade é responsável pela gestão de cinco hospitais darede estadual no
Rio e mais quatro UPAs. Recentemente, foi escolhida pela prefeitura para
administrar ainda o Hospital Rocha Faria, em Campo Grande, agora também
municipal, o que gerou protestos de funcionários da unidade e críticas do
Sindicato dos Médicos do Rio de Janeiro (SinMed-RJ).
Negativada no Serasa, conforme O DIA divulgou na semana passada,
por uma dívida de R$ 650 mil com um de seus fornecedores, a OS HMTJ informou
ter firmado contrato em fevereiro de 2014 com a Secretaria Estadual de Saúde,
no valor de R$ 39,185 milhões, que seriam destinados a investimentos no Albert
Schweitzer, mas nenhum valor foi repassado. Em 2015, a situação se repetiu, e o
valor, corrigido para R$ 39,858 milhões, também não foi repassado. A OS é réu
em uma ação civil pública movida pelo MP do Rio para apurar
responsabilidades sobre a precariedade em instalações e déficit de recursos
humanos no Albert Schweitzer.
SindMed diz que contratos são
ilegais
“É uma ferida à Constituição”,
disse o presidente do Sinmed, Jorge Darze, ao avaliar a contratação de OSs para
gerir unidades de saúde nos últimos seis anos. Para Darze, entregar a terceiros
a administração pública é ilegal. “Um projeto dessa natureza usa dinheiro
público para se manter e não traz benefício algum para os cofres públicos”.
“O privado está tomando o papel
principal e não de complemento, é algo que contraria a lei”, aponta, ao
criticar ainda as medidas anunciadas pela prefeitura para regulamentar as OSs,
o que, segundo ele, só beneficia o município por não arcar com sua
responsabilidade fiscal.
Modelo é mais econômico, diz
prefeitura
Para gerir o Rocha Faria, a OS
HMTJ receberá R$ 260 milhões em seis meses. Em nota, a Secretaria
Extraordinária de Governo, que coordena a municipalização nos dois hospitais da
Zona Oeste, defende as OSs, ao afirmar que as unidades de saúde geridas pelas
OSs gastam, proporcionalmente, menos que as demais. “Todos os modelos têm suas
vantagens e desvantagens. Contudo, para administrar e expandir uma rede de
saúde grande e complexa como a carioca, é preciso ter à disposição mais de um
modelo de gestão”, informou. Entre as 12 medidas criadas em decreto municipal
para regular as OSs, está a criação do ‘Selo Carioca em Boa Gestão’, em que as
organizações seriam avaliadas periodicamente.
Colaborou Tássia di Carvalho

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