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O vice reiterou
os termos da carta em que se queixou
de
desconfiança por parte de Dilma.
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Dois dias depois de receber uma
carta do vice Michel Temer na qual ele disse que sempre foi “menosprezado” pelo
governo, a presidente Dilma Rousseff se reuniu nesta quarta-feira, 9, com
o peemedebista, no Palácio do Planalto, e fez um apelo pelo entendimento. O
diálogo durou apenas 50 minutos. Ameaçada pelo impeachment, Dilma declarou
estar disposta a corrigir falhas do governo e a melhorar a relação com o vice e
com o PMDB. Temer afirmou que cumpriria suas funções institucionais.
O vice reiterou os termos da carta
em que se queixou de desconfiança por parte de Dilma. A presidente disse que
refletiu sobre a correspondência e deu razão a Temer em alguns pontos, como os
problemas na articulação política, fazendo uma espécie de mea-culpa. Ao
mencionar a tensão no PMDB, o vice afirmou que está conversando com todas as
alas do partido, mas sem tomar lado.
Temer aconselhou Dilma a não
entrar na briga existente na bancada do PMDB na Câmara, que culminou com a
destituição do líder Leonardo Picciani (RJ), sob o argumento de que há
deputados querendo antecipar a convenção do partido, prevista para março de
2016, e anunciar logo o rompimento com governo. Ele negou que esteja fazendo
uma dobradinha com o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Apesar de
auxiliares de Dilma e Temer dizerem que a conversa serviu para um
“distensionamento”, ficou claro, ali, que um sabe que não pode contar com o
outro.
Após a reunião, a presidente e o
vice acertaram que dariam declarações curtas para evitar expor divergências.
“Combinamos, eu e a presidente Dilma, de manter uma relação pessoal e
institucional que seja a mais fértil possível”, disse Temer. Em nota, Dilma foi
na mesma linha. “Na nossa conversa, eu e o vice-presidente Michel Temer
decidimos que teremos uma relação extremamente profícua, tanto pessoal quanto
institucionalmente, sempre considerando os maiores interesses do País”,
escreveu ela.
Dilma havia planejado jantar com
Temer, mas acabou optando por uma conversa no Planalto. Os ministros Jaques
Wagner (Casa Civil), Ricardo Berzoini (Secretaria de Governo) e José Eduardo
Cardozo (Justiça) ficaram numa sala ao lado do gabinete presidencial. Depois se
reuniram com Dilma, no Palácio da Alvorada, enquanto Temer foi jantar com
senadores, na casa do líder do PMDB, Eunício Oliveira (CE).
‘Normalidade’
Antes de se encontrar com Dilma, o
vice defendeu a eleição da chapa de oposição ao governo para a Comissão
Especial que vai analisar o impeachment de Dilma na Câmara e que acabou
paralisada por decisão do Supremo Tribunal Federal. A declaração do vice
contrariou a posição do Palácio do Planalto, que avaliou como ilegal a decisão
dos deputados.
Ao comentar a derrota do governo
na formação da comissão, Temer disse que a eleição “foi feita no exercício
legítimo da competência da Câmara dos Deputados”. Afirmou, ainda, que o Supremo
também fez o seu papel. “Isso revela exatamente que nós vivemos num regime de
uma normalidade democrática extraordinária. As instituições estão funcionando,
devemos preservar aquilo que as instituições estão fazendo. E revelar com isso
a democracia plena do País”, disse Temer.
Berzoini tentou minimizar a
divergência com Temer e afirmou ser “democrático e legítimo” haver opiniões diferentes
sobre o assunto dentro do governo. Na avaliação do Planalto, o clima de
rebelião na Câmara piorou após o vazamento da carta escrita por Temer com
críticas à presidente. O vice também recebeu ontem em sua residência oficial,
no Palácio do Jaburu, diversos aliados que já se manifestaram a favor do
impeachment. Um deles foi o novo líder do PMDB na Câmara, Leonardo Quintão
(MG), que assumiu o cargo após a destituição de Picciani (RJ).

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