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Policiais
realizam perícia complementar em carro
fuzilado no Rio (Foto: Fernanda Rouvenat/G1)
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Segundo Bom Dia Rio, foram feitos
mais de 100 disparos contra o carro.
Policiais civis realizavam uma
perícia complementar, por volta de 9h30 desta quarta-feira (2), no carro
fuzilado por PMs, onde cinco jovens foram mortos no sábado (28) em Costa
Barros, Subúrbio do Rio. Mais de cem tiros foram disparados contra o veículo, como
mostrou o Bom Dia Rio, e pelo menos cinquenta deles atingiram o carro. O
veículo utilizado pelos PMs na ação também foi periciado, por volta de 11h. O
inquérito deve ser apresentado até a próxima quarta-feira (9).
A ação, que já estava sendo
considerada exagerada pelo própria polícia, teve ainda mais disparos de armas
de fogo do que foi divulgado inicialmente. Além dos disparos que atingiram o
veículo, outras disparos foram efetuados mas não atingiram o carro em que os
jovens estavam. Segundo a PM, 111 tiros foram disparados pelas armas dos
policiais, sendo 81 de fuzil e 30 de pistola.
Os policiais podem ser expulsos da
corporação antes mesmo de serem julgados pela Justiça comum. O comando-geral da
PM determinou nesta terça a abertura imediata do processo administrativo para
julgar a expulsão dos quatro policiais militares por causa da ação. Também foi
concedida pela Justiça e a prisão preventiva dos quatro, que permanecerão do
Batalhão Especial Prisional (BEP).
Defensoria recebe famílias de jovens
A Defensoria Pública recebeu nesta
terça-feira (1º) os familiares de dois dos
jovens mortos. O Defensor Geral, André Castro, disse durante entrevista
coletiva que manifestava indignação com o crime e disse que o episódio choca
ate mesmo profissionais experientes.
Castro disse que a defensoria vai
trabalhar para que o Estado seja responsabilizado e para que outras familias
não passem pelo sofrimento que os parentes dos cinco jovens estão passando.
O defensor André Castro explicou
que a Defensoria vai defender as famílias na área criminal e também na área
cível. “Nós buscamos providências administrativas, de reparação dos danos
materiais e morais sofridos por essas famílias. Pode ser no processo de
entendimento com o estado do Rio para que todas essas medidas sejam adotadas
para que a família seja devidamente amparada pelo gravíssimo prejuízo da perda
dos seus entes queridos", destacou Castro.
A defensoria anunciou ainda que
vai propor um acordo extra-judicial para reparar danos as familias das vitimas.
O órgão também vai auxiliar a Polícia Civil na apuração e ainda colocar
testemunhas no programa de proteção às testemunhas.
Estiveram na Defensoria os
parentes das vítimas Wilton Júnior e Wesley Rodrigues. Os outros parentes ainda
não procuraram o órgão.
"Tudo que eu quero é justiça.
Meu filho não merecia isso. E eu não merecia ver meu filho da forma que eu vi.
Não sei como e nem quando vou conseguir superar isso. Não sei quanto tempo isso
vai levar. Eu fico me perguntando porque tanta violência e porque temos que
viver num país desse tipo. Por isso tanta gente vai embora criar seus filhos e
netos. Sinceramente, eu não tenho mais orgulho de fizer que sou brasileira”,
desabafou Rosilene Rodrigues, mãe de Wesley. Ela disse que o filho deixou para
ela um neto de 2 anos.
Rosilene disse ainda que acredita
na punição dos policiais. "Eu tenho que usar as últimas forças para
defender meu filho". Ela confirmou que o filho teve passagens pela
polícia, mas nada ficou provado e ele foi inocentado. O defensor Fábio Amado
também confirmou que Wesley teve passagem pela polícia por tráfico, mas foi
absolvido.
A Justiça do Rio converteu a
prisão dos policiais em preventiva na tarde desta terça-feira (1°). O pedido
foi feito pela Polícia Civil.
Suposto roubo de carga
Os PMs envolvidos no assassinato
dos cinco rapazes disseram em depoimento que foram checar uma denúncia de roubo
de carga. O RJTV descobriu que um policial militar seria o responsável pela
segurança do referido caminhão.
Fontes da polícia dizem que no
sábado à noite, dez caminhões carregados de bebidas deixam a fábrica da
empresa, em Nova Iguaçu. Os veículos são rastreados por satélite e os
equipamentos identificam que um dos caminhões sai do comboio. A suspeita de
roubo provoca a parada automática do motor do caminhão. Um PM, que não teve o
nome divulgado, trabalha para a transportadora. Ele seria o responsável pela
segurança do veículo.
No depoimento dado na delegacia, o
soldado Antonio Carlos Gonçalves disse que ele e os PMs Fabio Piza Oliveira da
Silva, Thiago Viana Barbosa e Marcio Darcy dos Santos foram checar essa
denúncia de roubo na Avenida José Arantes de Melo, em Costa Barros. O soldado
também afirmou que o caminhão estava sendo saqueado. E que ocupantes de uma
moto e de um carro passaram atirando.
O piloto da moto desmentiu essa
versão e não citou nenhum caminhão no depoimento. Ele dissse que os jovens
estavam indo comprar um lanche e que eles pararam depois da abordagem policial.
Segundo ele, os policiais atiraram a uma distância pequena.
Nova perícia
Fontes da polícia informaram nesta
terça-feira que nova perícia no carro metralhado deverá ser realizada nesta
quarta. O carro está na 39ª Delegacia (Pavuna). De acordo com a polícia, as
chaves do carro metralhado foram encontradas no porta-malas do veículo. Os
policiais também serão ouvidos mais uma vez pela polícia.
A perícia preliminar feita no
carro onde estavam os cinco amigos apontou que a posição do corpo de um dos
rapazes, que estava na carona do banco da frente, não era compatível com a
descrição dos policiais. No depoimento, os policiais disseram que ele estaria
com o o tronco para fora do carro, com uma arma na mão. A perícia também
informou que nenhum disparo foi feito de dentro do carro para fora.
A polícia já sabe que o carro onde
estavam os policiais não tem câmera, mas vai pedir as informações do GPS.
Cena do crime modificada
No dia do crime, a perícia
encontrou a arma citada no depoimento do policial perto dos corpos. Para a
polícia, os PMs mentiram. A mãe de um dos meninos também acredita nessa versão.
Ela disse que viu quando um dos policiais colocou a arma dentro do carro. “Ele
botou a luva na mão, ficou abaixadinho lá, mexendo no rapaz que estava no
carona. Deu a volta por trás, por outro lado, pegou a chave, botou no
porta-malas. Por isso que ele não estava deixando ele chegar perto, porque ele
não queria que eu visse que eles estavam fazendo aquilo, mas eu estava vendo
tudo. Eu vi tudo”, disse.
Os quatro policiais militares
foram presos em flagrante e levados pro Batalhão Prisional, em Niterói. Três
deles vão responder por homicídio doloso, quando há intenção de matar. E todos
por fraude processual, por alterar a cena do crime. Eles podem ser expulsos da
PM.
O comandante do batalhão, coronel
Marcos Netto, foi exonerado nesta segunda-feira (30). Em entrevista ao Bom Dia
Rio ele havia dito que a ocorrência em Costa Barros foi um fato isolado. Em
nota, a secretaria de Segurança Pública afirmou que exonerou o comandante por
causa dos últimos lamentáveis acontecimentos envolvendo policiais sob o seu
comando, que conflitam com as orientações da corporação.
O comandante Jorge Fernando de
Oliveira Pimenta, que atuava no batalhão de Macaé, vai assumir o comando do 41º
BPM, em Irajá. O governador Luiz Fernando Pezão disse que vai cobrar punição
rigorosa ao caso.

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