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Os
presidentes da Uefa, Michel Platini, e da Fifa, Joseph Blatter,
na tribuna de honra do Estádio Nacional de
Varsóvia durante
uma das
semifinais da Eurocopa 2012.
(Alex Grimm/Getty Images/VEJA)
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Em um duro golpe para aqueles que
são considerados os dois homens mais poderosos do futebol, Joseph Blatter,
presidente da Fifa desde 1998, e Michel Platini, presidente da Uefa desde 2007,
foram suspensos por oito anos de qualquer atividade relacionada ao futebol. O
anúncio foi feito nesta segunda-feira pela justiça interna da entidade que
comanda o futebol mundial.
O pagamento de 1,8 milhão de euros em 2011 de Blatter a Platini,
supostamente por trabalhos de assessoria à Fifa concluídos uma década antes,
sem um contrato escrito, resultou em um primeiro momento na suspensão provisória que chegaria ao fim em
janeiro, à espera do veredicto de fato da questão.
Embora as acusações de corrupção não
tenham sido mantidas, a justiça interna da Fifa considerou ambos culpados de
"conflito de interesses" e de "gestão desleal". Platini
deve pagar ainda uma multa de 80.000 francos suíços (74.000 euros), maior que a
multa atribuída a Blatter, fixada em 50.000 francos suíços (46.295 euros). Os
dois dirigentes podem recorrer da condenação de oito anos ao Comitê de Apelação
da Fifa e depois, eventualmente, ao Tribunal Arbitral do Esporte (TAS).
O tempo joga contra o ex-jogador da
seleção francesa, já que Platini desejava disputar a eleição presidencial da
Fifa, programada para 26 de fevereiro. O suíço Blatter, de 79 anos e que em
quatro décadas passou por diversos cargos na entidade que comanda o futebol
mundial, já estava praticamente aposentado, mas esperava ter a possibilidade de
presidir a Fifa até a eleição de seu sucessor no congresso extraordinário
convocado para fevereiro.
Platini, 60 anos, poderia agora
tentar comparecer ao TAS diretamente, sem passar primeiro pelo Comitê de
Apelação da Fifa, para agilizar o processo, mas para isto precisaria da
autorização da Fifa, algo que parece pouco provável, segundo fontes ligadas à
entidade máxima do futebol mundial.
A data limite para a apresentação de
candidaturas é 26 de janeiro, o que significa que o francês tem pouco tempo
para tentar esgotar todas as vias de recursos. O veredicto é um cartão vermelho
para aquele que já foi considerado o melhor jogador do mundo, com três troféus
da Bola de Ouro na carreira, anos de glória na Juventus de Turim e o título da
Eurocopa-1984 com a França. Desde 2007, Platini comandava o futebol europeu e
nos últimos anos passou de aliado de Blatter a seu inimigo número 1.
A decisão desta segunda-feira pode
ser considerada um momento que resume 2015 para a Fifa, considerado o 'annus
horribilis' da entidade, marcado por escândalos de corrupção desde a detenção
em 27 de maio em Zurique de sete dirigentes, incluindo o ex-presidente da
CBF José Maria Marin. O escândalo levou Blatter, que em 29 de maio havia sido
reeleito para um quinto mandato que deveria prosseguir até 2019, a anunciar em
2 de junho que deixaria o comando da Fifa e a convocar um congresso para
determinar seu sucessor.
Platini iniciou a corrida
presidencial como o favorito, mas o que parecia um caminho tranquilo virou um
calvário, com punições anunciadas como episódios de uma série. À espera do que
acontece com os recursos de Platini, a Fifa tem cinco candidatos à presidência:
o suíço-italiano Gianni Infantino, o xeque do Bahrein Salman bin Ibrahim
al-Khalifa, o príncipe jordaniano Ali bin al-Hussein, o sul-africano Tokyo
Sexwale e o francês Jérôme Champagne.
O novo presidente da Fifa terá uma
missão extremamente complicada de reconstruir a credibilidade de uma
instituição dinamitada pela corrupção. Até o momento, 39 dirigentes ou
ex-funcionários da Fifa foram indiciados pela justiça dos Estados Unidos,
acusados pela criação de um sistema de subornos que teria movimentado quase 200
milhões de dólares desde 1991.

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