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Cápsulas da
fosfoetanolamina são produzidas pelo
Instituto de
Química da USP São Carlos, mas os
pacientes
precisam de liminar judicial para ter
acesso ao
produto
|
O juiz substituto Marcos Alves
Tavares, da Justiça Federal em Sorocaba, interior de São Paulo, mandou a
Universidade de São Paulo (USP) fornecer a fosfoetanolamina sintética,
conhecida como 'pílula do câncer', a um paciente internado no Hospital Santo
Antônio, em Votorantim. O magistrado deu prazo de cinco dias, a contar do
último dia 18, data da sentença, para que a substância seja entregue.
O fornecimento da fosfoetanolamina
estava suspenso por decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo desde o mês
passado. Por essa razão, a Justiça Estadual havia deixado de dar liminares
obrigando a USP a entregar o medicamento, mas os advogados dos doentes passaram
a recorrer à Justiça Federal. No caso de Votorantim, a ação é dirigida também
contra a União. O doente, Enoque dos Santos, de 66 anos, foi diagnosticado com
câncer em 2014 e a doença evoluiu para metástase.
A fostoetanolamina foi
desenvolvida pelo Instituto de Química, na USP de São Carlos, mas não passou
por testes clínicos e não é considerada medicamento. Em 11 de novembro, o TJ de
São Paulo suspendeu as liminares da Justiça Estadual que obrigavam a USP a
fornecer a substância, sob o argumento de que a fosfoetanolamina sintética não
tinha sido testada em seres humanos e representaria risco à saúde, além de não
ter registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Para o juiz federal de Sorocaba, o
fato de a substância não ter aprovação da Anvisa não é justificativa para negar
o fornecimento. Segundo ele, o paciente vive o estágio mais avançado da doença
e sabe dos riscos.
A decisão cita jurisprudência
envolvendo a fosfoetanolamina sintética nos tribunais superiores e considera
que a saúde é um direito de todos e o Estado deve provê-la. "O
fornecimento gratuito de medicamento é obrigação solidária, podendo ser
requerida à União, Estado, Distrito Federal ou municípios", afirma.
Familiares do paciente viajaram a
São Carlos nesta segunda-feira, 21, na esperança de antecipar o cumprimento da
sentença. Até a tarde desta segunda-feira, a USP de São Carlos não tinha sido
informada sobre a liminar da Justiça Federal.

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