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Residentes e
funcionários do Hospital Universitário
Clementino
Fraga Filho, no Fundão, protestaram
ontem de manhã na porta da unidade
(Foto: Cacau
Fernandes / Agência O Dia)
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Unidade sofre com falta de
medicamentos e insumos. No estado, mais protestos
A crise continua a golpear a saúde
do Rio. Na manhã de ontem, o Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, no
campus da UFRJ no Fundão, suspendeu parte das atividades devido à falta de
medicamentos e insumos. No Hospital Estadual Getúlio Vargas, na Penha, que
também carece de material, funcionários realizaram passeata exigindo o
pagamento de novembro e o 13º. Para evitar colapso no fim de ano, o governador
Pezão determinou que militares, como bombeiros, ajudem no atendimento nas
unidades de saúde, e até as Forças Armadas podem ser convocadas no mutirão.
No Hospital do Fundão, a direção
reclama de dívida de quase R$ 8 milhões por problemas no repasse de verbas.
Para priorizar as operações de emergência, foram canceladas 115 cirurgias e
consultas. Cirurgias e internações seletivas estão paralisadas desde o mês
passado. Não há previsão de retorno. “A falta de medicação é problema crônico,
mas nos últimos meses está crítica”, lamentou o residente clínico Rachid
Montenegro. Residente em oncologia, a estudante Tatiana Barros denunciou a
falta de medicamentos essenciais para a quimioterapia. “O câncer progride
rápido se não for tratado, e não temos nem sequer equipamento para checar o
estágio da doença”, contou.
Pacientes prestaram apoio aos
manifestantes. Vítima de grave doença autoimune, a costureira Sumaia Bianca foi
operada lá há 25 anos. “Não tenho mais onde me tratar. Há três dias eu estava
internada aqui. Se precisar voltar amanhã, não serei recebida”, protestou.
ESTOQUE QUASE ZERADO
De acordo com o diretor Eduardo
Cortês, se a medida de suspensão não fosse tomada, a unidade poderia não ter
como comprar medicamentos. “Não podemos chegar ao ponto de zerá-lo. Daí tivemos
que interromper o máximo possível de atendimento. É uma decisão muito difícil”,
lamentou.
No Getúlio Vargas, o atraso dos
salários não poupou ninguém. “Todos os setores estão funcionando precariamente,
pois muitos médicos pediram demissão. Um dos CTIs está fechado, e se continuar
assim teremos que parar as internações” afirmou o maqueiro Fábio Colaris.
Secretaria estadual diz se
esforçar e garante que mutirão é normal
Em nota, a Secretaria de Estado de
Saúde afirmou que vem reunindo esforços para manter suas unidades funcionando.
Entretanto, a situação só deve se normalizar mediante repasses do governo para
o Fundo Estadual da Saúde e o pagamento das Organizações Sociais e seus
fornecedores.
Sobre o pedido de ajuda a
militares, publicado nesta quinta-feira no Diário Oficial do Estado, a
secretaria informou que a medida já foi usada em outras situações e trata-se de
ação preventiva. Servidores devem estar disponíveis para oferecer insumos,
equipamentos e mão de obra de hoje ao dia 7.
Na rede municipal, um revés. A 4ª
Vara da Fazenda Pública da Capital proibiu a prefeitura de contratar a OS
Instituto Unir Saúde, que respondia pela Coordenação de Emergência Regional da
Barra. Há denúncias de irregularidade nos convênios com a entidade, que desde 2012
recebeu quase R$ 150 milhões do município. A OS é investigada por fraudes na
gestão dos hospitais Ronaldo Gazzola e Pedro II. Os donos, os irmãos Wagner e
Valter Pelegrine, estão presos.
Reportagem da estagiária Clara
Vieira

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