Presidente do STF fez questão que
a imprensa acompanhasse o encontro, solicitado pelo peemedebista para cobrar
'agilidade' da corte.
O presidente do Supremo Tribunal
Federal, Ricardo Lewandowski, recebeu nesta quarta-feira o presidente da
Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) - e deu sinais de que não pretende abrir espaço
para tentativas de pressão sobre a corte. Ambos conversaram sobre a recente
decisão do STF que disciplinou o processo de impeachment da presidente Dilma
Rousseff. O peemedebista solicitou audiência com o ministro para pedir
celeridade no julgamento dos embargos que deve apresentar em fevereiro, mas
ouviu de Lewandowski alertas sobre a sua estratégia, classificada de
"futurologia", e inclusive recebeu um regimento interno do Supremo.
Cunha havia tentado o encontro
para terça-feira, mas Lewandowski apenas o recebeu nesta tarde. Em uma
iniciativa rara, o ministro fez questão de receber Cunha a portas abertas, em
reunião acompanhada pela imprensa e pelos deputados Jovair Arantes (PTB-GO),
Sóstenes Cavalcante (PSD-RJ) e Alessandro Molon (Rede-RJ). O presidente da
Câmara responde a três inquéritos no supremo pelo envolvimento no esquema de
corrupção da Petrobras e ainda é alvo de pedido de afastamento do comando da
Casa por estar atrapalhado as investigações. O ato de Lewandowski de dar
publicidade à conversa foi visto como uma forma de se blindar de pressões e de
boatos que poderiam surgir em decorrência do encontro.
A Lewandowski, o presidente da
Câmara apresentou uma série de questionamentos que devem constar nos embargos
de declaração que ele planeja ingressar logo ao fim do recesso do Judiciário,
no dia 1º de fevereiro. Cunha diz que acionará o Supremo nesta data mesmo se o
acórdão não tiver sido publicado. O presidente do STF, no entanto, ponderou
que, nesse caso, os embargos podem ser considerados intempestivos e que há quem
considere essa antecipação uma "futurologia", já que os documentos
são produzidos com base no acórdão. Ele apontou que, pelo regimento, a corte
tem até 60 dias desde o julgamento, que foi em 17 de dezembro, para publicar o
acórdão, descontando-se o período de recesso.
Para o presidente da Câmara, o
veto dado pelo Supremo ao voto secreto e às candidaturas avulsas - ou seja,
aquelas que não foram indicadas por líderes - pode extrapolar a comissão do
impeachment e trazer implicações a outros colegiados da Casa que costumam
adotar esse rito. O peemedebista promete paralisar a Câmara e segurar a
indicação das comissões no início do próximo ano até que o plenário do supremo
tire todas as dúvidas que serão apresentadas por meio do embargo.
"A gente veio para,
institucionalmente, trazer a preocupação política e pedir a celeridade que vem
sendo dada até agora [no julgamento dos embargos]. Não há morosidade do supremo
na apreciação do fato, e que continue nessa mesma celeridade. Não é pra sair
nem contente nem triste. Apenas viemos trazer essa preocupação e mostrar a
importância de manter essa celeridade", disse Cunha após o encontro.
Segundo o parlamentar, o presidente do STF se comprometeu a dar prioridade ao
tema.
O peemedebista também minimizou a
decisão de Lewandowski de abrir a reunião para a imprensa. "Nós
concordamos, foi de acordo com todos nós. Não há nenhum segredo no tema que
está sendo tratado e eu mesmo concordei prontamente", afirmou Eduardo
Cunha.
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