O documento, bem estruturado, com
introdução e dez capítulos, traça em detalhes toda a organização dos
departamentos governamentais, incluindo tópicos fundamentais para a
estruturação e manutenção de um Estado: administração dos recursos naturais, da
indústria e das instalações militares. Outros setores igualmente importantes,
saúde, comércio e emprego, também são contemplados nas 24 páginas. Se para
muitos o simples pronunciar Estado Islâmico traz à memória imagens de
decapitações e atentados terroristas, a leitura do documento “Princípio da
administração do Estado Islâmico”, divulgado ontem pelo jornal britânico “The Guardian”,
evidencia a busca do grupo fundamentalista em criar e perpetuar uma nação.
O projeto afirma que “o
estabelecimento do Estado Islâmico não reside apenas na luta do soldado, nem na
evangelização nas mesquitas, mas num abrangente sistema que obrigue os líderes
da ummah (nação muçulmana, em árabe) a construir os
conceitos”. E isto “requer uma Constituição baseada no Alcorão e um sistema
para implementá-lo”. O capítulo “Administração das relações” é explícito ao
afirmar que é preciso “proteger as fronteiras do Estado Islâmico de cada mushrik (idólatra)”.
O texto menciona a criação de
autossuficiência através da construção de “fábricas para a produção militar e
de alimentos”, financiados por um tesouro abastecido por um sistema
centralizado de controle de petróleo, gás e de outras partes da economia.
— Se o Ocidente vê o EI como um
bando estereotipado de assassinos psicopatas, corremos o risco de subestimá-los
— afirma o general americano Stanley McChrystal, que liderou unidades que
ajudaram a destruir o grupo ISI, predecessor do EI no Iraque. — Há o
reconhecimento de que governança é essencial, além do uso da tecnologia para
dominar informações, e uma vontade de aprender com os erros dos movimentos
islamistas anteriores.
Ontem, a Alemanha, um dos países
que mais recebem migrantes na Europa, informou que foram registrados 965 mil
pedidos de abrigo de janeiro a novembro. O país está enviando soldados e aviões
para participar da coalizão contra o Estado Islâmico na Síria.
Em Londres, a promotoria local
informou que Muhaydin Mire, que feriu duas pessoas a facadas, no sábado, no
metrô da cidade, tinha imagens do EI no celular. Mire compareceu diante de um
juiz de Londres, no processo em que responde por tentativa de assassinato.
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