O processo de deterioração da base
de apoio do governo na Câmara dos Deputados começou logo no início do mandato
anterior de Dilma, mas se acentuou a partir de 2014. No fim do ano passado, a
taxa de governismo havia caído 10 pontos porcentuais em relação a 2013,
atingindo o então recorde de 69%. Ainda assim, a adesão do governo entre os
deputados registrou nova queda em 2015. Na série histórica iniciada no primeiro
mandato de Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2006), o índice de governismo
alcançou seu maior patamar em 2004, com 91%.
A taxa de adesão ao governo é
calculada verificando quantos deputados em cada votação acompanharam a
orientação governista naquela ocasião. Por exemplo, se há 400 deputados
presentes em uma sessão e 100 votam seguindo a orientação do governo, a taxa de
governismo será, portanto, de 25%. Para o cálculo da ocorrência por ano, é feita
uma média simples de todas as votações.
A situação de Dilma é bem
diferente à de seu padrinho. Após atingir o pico de apoio parlamentar ao
governo no segundo ano de seu mandato, Lula viu sua taxa de governismo na
Câmara sofrer uma queda logo após o estouro do escândalo do mensalão, em 2005.
O governo do petista, porém, conseguiu reconstruir sua base e, em 2008, já
atingia 88% de apoio entre os deputados.
Queda contínua. O fim
da era Lula coincide com uma queda contínua no governismo desses parlamentares.
No primeiro ano da gestão Dilma, o índice de governismo era de 85%. De lá para
cá, as quedas anuais foram constantes, até chegar no índice de 67% registrado
em 2015.
A literatura em ciência política
indica que altos valores de apoio ao governo no Congresso são comuns no
presidencialismo de coalizão brasileiro. Uma das teorias mais citadas nesse
sentido é a dos professores Argelina Figueiredo e Fernando Limongi. Segundo
eles, regras constitucionais como o poder de agenda do presidente sobre a pauta
do Congresso criam incentivos para que o Executivo tenha alto grau de sucesso
na aprovação de suas demandas – o que, em contrapartida, reforça o poder dos
líderes e aumenta a coesão das bancadas partidárias.
Fragmentação. Se essa
explicação funcionou bem para os governos de Fernando Henrique Cardoso
(1995-2002) e de Lula (2003-2010), o mesmo não pode se dizer para os anos
Dilma. Além da queda recorde do governismo, os partidos nunca estiveram tão
fragmentados (pouco coesos nas votações) quanto hoje.
O maior exemplo é o PP, que
participa do bloco governista desde 2003. Em uma escala de zero a dez, em que
zero representa coesão máxima – ou seja, todos os deputados votam igual – e dez
representa dispersão máxima, a bancada do partido passou de 2 no fim de 2010
para o maior valor registrado atualmente entre as siglas: 4,8 em 2015.
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