Presidente da Câmara classificou
incidentes como 'desnecessários' e afirmou que votação secreta obedeceu as
regras da Casa
O presidente da Câmara dos
Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), defendeu punição aos deputados que
quebraram urnas eletrônicas e trocaram agressões durante a eleição da comissão
especial do impeachment nesta terça-feira. Cunha disse também que a eleição
obedeceu as regras da Câmara e que não há motivo para anular o processo.
"Houve incidentes
desnecessários, quebradeiras, agressões. Alguma coisa tem que ser feita. Não se
pode permitir que um tumulto dessa natureza afeta o processo legislativo
normal. Se alguém tem alguma contestação há um foro apropriado para isso, mas
jamais na forma da agressão, da depredação do patrimônio público", disse o
peemedebista.
Cunha afirmou que as imagens
ajudarão a identificar os responsáveis por danificar os computadores e por
agressões verbais e empurrões. Eles serão alvo de representação. Assim que
Cunha anunciou que a votação estava aberta, petistas correram para impedir que
oposicionistas entrassem nas cabines montadas no plenário. Os deputados
tentaram tirar à força os petistas que bloqueavam a entrada. Entre eles estavam
Carlos Zarattini (SP) e Moema Gramacho (BA). A oposição passou a bater com as
mãos nas cabines e chamou a Polícia Legislativa. A confusão se espalhou pelo
plenário. Os deputados Paulinho da Força (SD-SP) e Maria do Rosário (PT-RS)
discutiram na bancada. O líder do PMDB, Leonardo Picciani (RJ), também se
envolveu no bate-boca.
Depois da derrota por 73 votos,
272 a 199, a base do governo agora aposta em recursos ao Supremo Tribunal
Federal para suspender a escolha dos integrantes da comissão especial. Cunha,
porém, afirma que cumpriu as regras da Casa (artigo 188 do regimento interno),
que balizaram também eleições da Mesa Diretora, das comissões, dos ministros do
Tribunal de Contas da União, integrantes do Conselho Nacional de Justiça.
"Estaremos abertos a cumprir
a decisão, mas se houve alguma teria que ser do pleno e não paralisar o
processo monocraticamente", disse. "O regimento foi cumprido e não
vejo possibilidade de haver decisão que possa reverter isso. A votação aberta
poderia dar motivo para barganha e pressões. E a eleição será aberta no pedido
de impeachment que será por chamada nominal", continuou Cunha. "Foi
eleita a chapa que teve mais votos, simples assim. Houve claramente uma disputa
partidária interna, mais do que base contra governo. A mim não cabe comentar o
resultado. Foi a expressão da maioria", afirmou.

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