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Venda de
facas em camelô no Centro do Rio gera
debate nas
redes sociais (Foto: Reprodução)
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Após assaltos à faca, projeto de
lei quer proibir porte de arma branca.
Uma russa, moradora do Rio de
Janeiro há 16 anos, registrou um camelô próximo à estação de metrô da
Uruguaiana, no Centro do Rio, vendendo facas de diversos tamanhos por volta de
18h30 desta terça-feira (2). A imagem gerou debate nas redes sociais após 15
ocorrências de vítimas de assaltos com arma branca em 15 dias no Grande Rio.
A produtora, que pediu para não
ser identificada, informou ao G1, nesta quinta-feira (4), que quando viu o
caixote com as facas à venda, “não acreditou”. Para ela, o local “é muito
impróprio”. “É escuro, perto do sinal, muito movimentado e ele estava lá
vendendo um kit com facas. Achei absurdo”.
Nas redes sociais, a imagem gerou
diversas discussões sobre o assunto. Uns descreveram a cena como “irônica e
trágica”. Outros, como “tapa na cara do cidadão de bem” e ainda, “um deboche” e
"inacreditável".
Na Assembleia Legislativa do Rio
de Janeiro (Alerj) um projeto de lei que proíbe o porte de armas brancas, como
facas, entrou em primeira discussão nesta terça-feira (2) e recebeu sete
emendas. A Comissão de Constituição e Justiça da Alerj voltará a analisar a
constitucionalidade do projeto para saber se ele poderá ser votado, na semana
seguinte.
Pelo texto, que prevê a apreensão
dos objetos e multa ao portador, passa a ser crime o porte de armas brancas com
mais de 10 centímetros de comprimento. Neste caso, a polícia pode apreender o
objeto, mas não deter ou prender o infrator.
“Sempre fui apaixonada pelo Rio,
mas nos últimos anos fiquei assustada. Achei que essa admiração nunca ia
passar. Agora, a gente olha para o lado por causa de outras coisas. Qualquer
lugar que você vai está perigoso”, desabafou a russa, que chegou à capital
fluminense em 1999.
“Uma dona de casa que sai de uma
loja com uma faca onde vende-se ferramentas de cozinha é uma coisa, mas um
rapaz estranho, carregando uma faca na rua, tem que ver. Ele [o vendedor] ficou
constrangido quando eu tirei a foto e gritou: 'o que é? é só uma faca'.
Provavelmente ele não tem muita noção, mas eu já não sei se é ferramenta de
defesa ou ataque”, completou.
Assaltos com faca
Uma jovem de 19 anos esfaqueada
nesta quarta-feira (4) foi a 15ª vítima de facadas em assaltos em 15 dias no
Grande Rio. Mayara Nunes foi ferida em um ponto de ônibus na Rua Pedra Leandro,
no Fonseca, em Niterói, Região Metropolitana do Rio, durante um assalto.
Na noite de terça (2), uma mulher
de 27 anos foi socorrida depois de ser esfaqueada na Avenida Maracanã, na
altura do Shopping Tijuca, Zona Norte do Rio. Ela foi encaminhada ao Hospital
do Andaraí, também na Zona Norte.
Funcionários do hospital
informaram que a mulher sofreu um corte supercial e que seu estado de saúde era
estável e sem gravidade. Ela foi ferida no abdômen e na mão direita depois de
uma suposta tentativa de assalto.
Pedro Arthur Britto Santa Cruz, de
18 anos, foi a décima terceira vítima de assalto com faca em 13 dias, também no
Rio, o que equivale a uma média de um esfaqueado por dia. Ele foi ferido dentro
de um trem.
Na manhã do dia 30 de maio, um
outro rapaz - funcionário de uma boate na Lapa - foi assaltado quando saia do
trabalho. Ele foi ferido na costela e no pescoço e teve roubado o celular. Os
suspeitos fugiram.
No dia 17 de maio, uma turista do
Vietnã foi esfaqueada em frente ao Paço Imperial, no Centro do Rio. Na mesma
semana, o médico Jaime Gold pedalava pela orla da Lagoa Rodrigo de Freitas, na
Zona Sul, quando foi atacado. Ele morreu horas depois. Depois do médico, foram
ao menos mais nove vítimas em diferentes bairros do Rio.

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