6/05/2015

Venda de facas em camelô no Centro do Rio gera debate na internet

Venda de facas em camelô no Centro do Rio gera
debate nas redes sociais (Foto: Reprodução)
Após assaltos à faca, projeto de lei quer proibir porte de arma branca.
Uma russa, moradora do Rio de Janeiro há 16 anos, registrou um camelô próximo à estação de metrô da Uruguaiana, no Centro do Rio, vendendo facas de diversos tamanhos por volta de 18h30 desta terça-feira (2). A imagem gerou debate nas redes sociais após 15 ocorrências de vítimas de assaltos com arma branca em 15 dias no Grande Rio.
A produtora, que pediu para não ser identificada, informou ao G1, nesta quinta-feira (4), que quando viu o caixote com as facas à venda, “não acreditou”. Para ela, o local “é muito impróprio”. “É escuro, perto do sinal, muito movimentado e ele estava lá vendendo um kit com facas. Achei absurdo”.
Nas redes sociais, a imagem gerou diversas discussões sobre o assunto. Uns descreveram a cena como “irônica e trágica”. Outros, como “tapa na cara do cidadão de bem” e ainda, “um deboche” e "inacreditável".
Na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) um projeto de lei que proíbe o porte de armas brancas, como facas, entrou em primeira discussão nesta terça-feira (2) e recebeu sete emendas. A Comissão de Constituição e Justiça da Alerj voltará a analisar a constitucionalidade do projeto para saber se ele poderá ser votado, na semana seguinte.
Pelo texto, que prevê a apreensão dos objetos e multa ao portador, passa a ser crime o porte de armas brancas com mais de 10 centímetros de comprimento. Neste caso, a polícia pode apreender o objeto, mas não deter ou prender o infrator.
“Sempre fui apaixonada pelo Rio, mas nos últimos anos fiquei assustada. Achei que essa admiração nunca ia passar. Agora, a gente olha para o lado por causa de outras coisas. Qualquer lugar que você vai está perigoso”, desabafou a russa, que chegou à capital fluminense em 1999.
“Uma dona de casa que sai de uma loja com uma faca onde vende-se ferramentas de cozinha é uma coisa, mas um rapaz estranho, carregando uma faca na rua, tem que ver. Ele [o vendedor] ficou constrangido quando eu tirei a foto e gritou: 'o que é? é só uma faca'. Provavelmente ele não tem muita noção, mas eu já não sei se é ferramenta de defesa ou ataque”, completou.
Assaltos com faca
Uma jovem de 19 anos esfaqueada nesta quarta-feira (4) foi a 15ª vítima de facadas em assaltos em 15 dias no Grande Rio. Mayara Nunes foi ferida em um ponto de ônibus na Rua Pedra Leandro, no Fonseca, em Niterói, Região Metropolitana do Rio, durante um assalto.
Na noite de terça (2), uma mulher de 27 anos foi socorrida depois de ser esfaqueada na Avenida Maracanã, na altura do Shopping Tijuca, Zona Norte do Rio. Ela foi encaminhada ao Hospital do Andaraí, também na Zona Norte.
Funcionários do hospital informaram que a mulher sofreu um corte supercial e que seu estado de saúde era estável e sem gravidade. Ela foi ferida no abdômen e na mão direita depois de uma suposta tentativa de assalto.
Pedro Arthur Britto Santa Cruz, de 18 anos, foi a décima terceira vítima de assalto com faca em 13 dias, também no Rio, o que equivale a uma média de um esfaqueado por dia. Ele foi ferido dentro de um trem.
Na manhã do dia 30 de maio, um outro rapaz - funcionário de uma boate na Lapa - foi assaltado quando saia do trabalho. Ele foi ferido na costela e no pescoço e teve roubado o celular. Os suspeitos fugiram.

No dia 17 de maio, uma turista do Vietnã foi esfaqueada em frente ao Paço Imperial, no Centro do Rio. Na mesma semana, o médico Jaime Gold pedalava pela orla da Lagoa Rodrigo de Freitas, na Zona Sul, quando foi atacado. Ele morreu horas depois. Depois do médico, foram ao menos mais nove vítimas em diferentes bairros do Rio.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Obrigado pelo seu comentario.
Fique sempre ligado do que acontece em nossa cidade!