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Van
estaciona na porta da faculdade, no Centro do Rio,
para levar estudantes até ponto de transporte
coletivo
(Foto:
Thiago Brito/Divulgação)
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Quem trabalha e estuda no Centro
diz que 19h30 é limite para andar sozinho. Faculdade implantou serviço de van para levar alunos até ponto de transporte.
Toque de recolher. Na definição do
dicionário significa "a proibição, decretada por um governo ou autoridade,
de que pessoas permaneçam nas ruas após uma determinada hora". Mas quem
circula, trabalha ou estuda pelo Centro do Rio e áreas próximas vive uma espécie
de toque de recolher informal determinado pela falta de segurança. O aumento
dos casos de violência e os assaltos em vários pontos da cidade criaram uma
espécie de código de conduta, com a adoção de medidas de proteção.
Para Daniela Gomes, que trabalha
em uma empresa no ramo de serviços na Cidade Nova, 19h30 é o limite de horário
para que ela possa sair sozinha e ir a pé até a estação de metrô mais próxima,
que fica a 12 minutos de caminhada. Depois disso, só em grupo. "Nós já
procurávamos não sair muito tarde. Nos últimos tempos isso se intensificou. Tá
todo mundo evitando andar sozinho. Tem que ser pelo menos em dupla",
contou.
Segundo Daniela, até mesmo quem
vem ao Rio a trabalho procura tomar precauções. "Outro dia, uma moça de
Porto Alegre que estava saindo do centro de convenções encontrou com a gente e
falou: 'Oi, vocês vão para o metrô? Posso ir andando com vocês? As coisas estão
tão perigosas'.", contou.
Carona em segurança
Os alunos, professores e funcionários de uma faculdade na Rua do Rosário, que têm um horário mais estendido, também convivem com a sensação de insegurança no Centro da cidade. Como as aulas acabam às 23h, e a essa hora o local está mais deserto, a solução foi encontrar uma forma de chegar aos pontos estratégicos de transporte público em segurança.
Os alunos, professores e funcionários de uma faculdade na Rua do Rosário, que têm um horário mais estendido, também convivem com a sensação de insegurança no Centro da cidade. Como as aulas acabam às 23h, e a essa hora o local está mais deserto, a solução foi encontrar uma forma de chegar aos pontos estratégicos de transporte público em segurança.
Atendendo a uma reivindicação dos
alunos, a direção da ESPM-Rio colocou à disposição o serviço de uma van, que
estaciona na porta da faculdade e faz o transporte de vai-e-vem a partir das
21h30. Como norma de segurança, os alunos devem apresentar a carteira da
instituição. "Se não fosse esse esquema à noite eu teria que contar com
amigos e tentar andar em bando para sair daqui", disse Lígia Fontes, 22
anos, aluna de Administração.
Mineira do interior, ela contou
que mora no Rio há quatro anos e nunca foi assaltada. Mas diz se incomodar por
ter que adotar alguns cuidados especiais para se prevenir.
"Depois que comecei a estudar à noite tive que tirar um cordão de ouro com uma medalha que sempre usei exatamente para me proteger. Agora, não uso para ficar mais protegida ainda. Também não saio de bolsa na hora do almoço e nem uso relógio", revelou.
"Depois que comecei a estudar à noite tive que tirar um cordão de ouro com uma medalha que sempre usei exatamente para me proteger. Agora, não uso para ficar mais protegida ainda. Também não saio de bolsa na hora do almoço e nem uso relógio", revelou.
Medo sem horário
Andar sozinho pela manhã também pode ser um risco nessa região da cidade. É o que pensa Victor, 23 anos, aluno do curso de pós-graduação aos sábados da mesma escola. No dia 16 de maio, ele foi assaltado quando chegava para a aula, por volta das 8h.
Andar sozinho pela manhã também pode ser um risco nessa região da cidade. É o que pensa Victor, 23 anos, aluno do curso de pós-graduação aos sábados da mesma escola. No dia 16 de maio, ele foi assaltado quando chegava para a aula, por volta das 8h.
"Um homem de bicicleta me
rendeu, levou meu celular e R$ 15. Antes, me ameaçou: 'Vou te furar todinho'.
Aconteceu porque eu estava sozinho. Todo mundo que trabalha ou estuda no centro
sabe que sair sozinho é arriscado. Desde que comecei a estudar por lá faço
questão de sair acompanhado para ir ao metrô ou ao ônibus", disse
Por causa do assalto, ele já
decidiu mudar os hábitos. "Não vou mais de ônibus para o curso. Decidi
investir em um táxi. Eu nunca me adaptei ao estilo carioca de tomar cuidado. Me
sentia prisioneiro em me privar de levar minhas coisas. Acho que vivia em uma
bolha e agora ela estourou", acrescentou.
Estudantes mobilizados na Zona
Sul
A sensação de insegurança também se espalha pela Zona Sul do Rio, principalmente, nos bairros do Flamengo e de Botafogo. O aumento da violência mobiliza estudantes das universidades Hélio Alonso e Santa Úrsula, ambas em Botafogo, e eles estão organizando um movimento de protesto contra a insegurança.
A sensação de insegurança também se espalha pela Zona Sul do Rio, principalmente, nos bairros do Flamengo e de Botafogo. O aumento da violência mobiliza estudantes das universidades Hélio Alonso e Santa Úrsula, ambas em Botafogo, e eles estão organizando um movimento de protesto contra a insegurança.
Nós já procurávamos não sair muito
tarde. Nos últimos tempos isso se intensificou. Tá todo mundo evitando andar
sozinha. Tem que ser pelo menos em dupla"
Daniela Gomes, funcionária de
uma empresa no Centro do Rio
A estudante Isabela Stephens, 21,
relatou ao G1 o medo de estar na rua e de continuar frequentando a
faculdade depois do assalto que foi vítima em abril.
"Eu fui assaltada em um ponto
de ônibus na frente da faculdade. É um lugar escuro e levaram a minha mochila
com celular, documentos, livros e dinheiro. Não volto mais sozinha para casa.
Meu pai vem me buscar todos os dias. Estou fazendo contagem regressiva para os
dias que faltam para terminar a faculdade", disse.
Moradora do Méier, na Zona Norte,
Isabela conta que na mesma semana foi assaltada dentro de um ônibus, no
Riachuelo, também Zona Norte, quando seguia para a Barra da Tijuca, na Zona
Oeste. "Fiquei traumatizada demais. É muita coisa de uma vez só. A cidade
toda tá insegura. Sinto medo e mais ainda quando estou na Zona Sul. Talvez porque
os casos mais noticiados ultimamente sejam na Zona Sul",
disse.
Para se proteger, alunos da Hélio
Alonso criaram um grupo de contatos no Whatsapp, o "Bus da Facha",
que serve para marcar encontros na saída da faculdade. O grupo, com cerca de 30
pessoas, é formado principalmente por mulheres.
Os estudantes estão mobilizando
empresas vizinhas e associações de moradores dos dois bairros para reivindicar
maior efetivo de segurança para a região. "É um cansaço. Não de pode ficar
assim para sempre", diz José Alsane, líder do movimento de protesto. Eles
já agendaram um encontro com o comandante do 2º Batalhão da Polícia Militar
(Botafogo), Tenente-Coronel Márcio Oliveira Rocha.
Policiamento reforçado
A assessoria da PM informou ao G1 que, de acordo com o comandante do 5º BPM (Praça da Harmonia), o policiamento no Centro da cidade segue reforçado com policiais e carros baseados em pontos estratégicos e fazendo rondas. O comando aumentou a ronda que é feita a pé.
A assessoria da PM informou ao G1 que, de acordo com o comandante do 5º BPM (Praça da Harmonia), o policiamento no Centro da cidade segue reforçado com policiais e carros baseados em pontos estratégicos e fazendo rondas. O comando aumentou a ronda que é feita a pé.
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Estudantes
de faculdades da Zona Sul do Rio criaram
grupo em rede social para sair juntos e em
segurança
na saída das
aulas (Foto: Reprodução/Rede Social)
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Em relação à Zona Sul, a
informação é que o comandante do 2º BPM, em Botafogo, está reordenando a
distribuição do patrulhamento na região com apoio de carros, motocicletas e
duplas a pé. Nos finais de semana haverá reforço nas praias e no Aterro do
Flamengo, com apoio dos policiais do Batalhão de Policiamento em Áreas
Turísticas (BPTur). Esse batalhão recebeu 48 novas bicicletas e conta com
reforço de 18 alunos do curso especializado em Ciclopatrulhamento.
Segundo a polícia, as patrulhas já
estão sendo realizadas em Copacabana, Aterro do Flamengo e outros pontos do Rio
como Leblon, Ipanema, entorno do Cristo Redentor e a Lagoa Rodrigo de Freitas.
De acordo com a PM, moradores e comerciantes podem entrar em contato direto com
o Coronel Oliveira Rocha pelo telefone 2334-7189 e também enviar e-mail
p2_2bpm@pmerj.rj.gov.br. A PM ressalta ainda a importância do registro das
ocorrências para que seja possívem planejar o policiamento.


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