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Vera Ranu,
da ONG Mães em luta, critica armazenamento
Daia
Oliver/R7
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Material de programa lançado pelo
governo do Estado há três anos aguarda distribuição
Vinte mil folhetos com
informações do “Programa São Paulo em Busca das Crianças e dos
Adolescentes Desaparecidos” e fotos de alguns cadastrados no projeto, lançado
em 2012, estão armazenados em caixas guardadas em um depósito do Palácio dos
Bandeirantes.
O material faz parte de um
conjunto de 100 mil folhetos impressos após o lançamento do projeto, em 2012.
Oitenta mil foram distribuídos, mas o coordenador da comissão criada para
acompanhar o programa, Marco Antonio Castello Branco, admite dificuldades
orçamentárias para que os folders voltem a circular.
— Houve um corte de 25% no
orçamento [do governo]. Restrição orçamentária de ponta a ponta. Estamos com
uma dificuldade financeira muito grande. Evidentemente que isso repercutiu na
comissão também.
Segundo Castello Branco, a
comissão permanente, formada por também integrantes das secretarias de Estado
dos Direitos da Pessoa com Deficiência, da Segurança Pública, Justiça e Defesa
da Cidadania, Desenvolvimento Social, Educação e Saúde, não tem orçamento e,
por essa razão, solicita a colaboração das pastas envolvidas ou não.
Crítica
O armazenamento é criticado por
ativistas ligados à questão do desaparecimento de pessoas. Vera Lúcia Ranu, da
ONG Mães em Luta, diz que não há data prevista para que o material saia do
estoque. Ela participa, todo mês, das reuniões da Comissão Permanente da
Criança e Adolescente Desaparecidos, criada na ocasião em que o projeto foi
anunciado.
— Estão armazenados no palácio,
aguardando uma maneira de distribuição que possa sensibilizar mais a sociedade
para dar continuidade à campanha. Nós não sabemos quando e nem como será isso.
É uma pena tanto material desperdiçado. Os próprios órgãos do Estado não ajudam
nem têm interesse na distribuição.
Ivanise Esperidião da Silva,
presidente da ONG Mães da Sé, uma das mais tradicionais instituições
paulistanas que lidam com o problema, afirma que a divulgação seria importante
para impulsionar as localizações.
— A divulgação é a única
ferramenta que temos para encontrar nossos desaparecidos.
Mais de 32 mil pessoas
desapareceram no Estado de São Paulo em 2014. Nos primeiros três meses deste
ano, 7.249 ocorrências foram registradas, uma média de 80 notificações por dia.
Perspectivas
Castello Branco afirma que, por
causa da dificuldade de impressão, a comissão calcula o número exato de
panfletos a serem enviados a eventos.
— Nós mandamos para os eventos com
cálculo exato para que não desperdice o que é tão difícil de imprimir. Eu que
pedi para guardar lá.
O coordenador afirma que a
comissão está analisando o que é possível fazer para que o material seja usado
em 2015.
— Temos várias coisas em
andamento, perspectivas de ações muito positivas esse ano, mas que estão em
formatação para ver se são viáveis.
Castello Branco diz que o programa
tem tido um "impacto positivo". Ele cita a criação e a veiculação de
quatro vinhetas em programa infantil da TV Cultura, que mostravam personagens
em situação de desaparecimento e de risco, com dicas de prevenção, além da
inserção de dados sobre o tema nas contas de água da Sabesp.
— Neste ano, não [houve campanhas]
ainda, mas até o final de 2015, vamos executar.
Cadastro em escolas
Outro ponto do “Programa São Paulo
em Busca das Crianças e dos Adolescentes Desaparecidos” criticado por ativistas
é o cadastro fotográfico dos alunos da rede estadual de ensino, cujas imagens
poderiam ser acessadas pela polícia em caso de desaparecimento.
Segundo a fundadora do Mães em
Luta, o nível de adesão tem sido baixo e não deve chegar a 20%. Em razão dos
custos, ela conta que a responsabilidade de fornecer as fotografias passou a
ser das famílias dos estudantes.
— O aluno que tirava a foto e eles
rodavam em um banco de dados da secretaria.
Castello Branco admite que a
adesão ficou abaixo do esperado.
— A participação não é o que
esperávamos, porque faltou adesão dos principais interessados [famílias dos
estudantes] [...] Hoje, eles [os alunos] se fotografam com celulares. Eles
fotografam tudo, o dia inteiro, menos o rosto para mandar para a Secretaria
Estadual de Educação.
Sobre o fato de a responsabilidade
de enviar a fotografia ter ficado a cargo dos responsáveis pelos estudantes,
justificou que o custo seria alto para o governo.
— Não dá para o Estado fotografar
5 milhões de crianças.
O R7 questionou a Secretaria Estadual de Educação sobre qual
era o índice de adesão obtido pelo programa e quantos estudantes já haviam sido
cadastrados, mas até a publicação desta reportagem, não teve resposta.
DNA
Apesar das críticas, Castello
Branco afirma que todas as metas da comissão foram atingidas, exceto a do banco
de DNA, que é mantido com recursos da USP (Universidade de São Paulo).
— Mas ela está andando. Esse
projeto é muito técnico. Não é como fazer uma campanha de esclarecimento, que
você prepara palestrantes, faz folder, cartaz, arranja espaço, chama o público
e está feito. A coleta do DNA, a preservação do DNA, o banco de DNA é complexo.
Não está completo, porque não é fácil de completar. E a gente luta com a falta
de verba.
Lançado em 2004, o projeto
"Caminho de Volta", responsável pelo banco de DNA, entrevistou
1.130 famílias e, atualmente, armazena mais de 1.000 amostras de DNA.

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