Polícia busca documentos na
empresa Klefer, na Zona Sul. Ação atende a pedido da Justiça americana e foi
autorizada pelo STJ.
A Polícia Federal e procuradores
do Ministério Público Federal realizaram na noite desta quarta-feira (27) uma
operação na empresa Klefer Marketing Esportivo, em Botafogo, na Zona Sul do
Rio de Janeiro. A operação é relacionada ao escândalo da Fifa,
deflagrado nesta manhã. Os agentes foram em busca de documentos e saíram
por volta das 20h40 do prédio em três carros.
A ação atende a um pedido da
Justiça americana, feito junto ao Departamento de Recuperação de Ativos e
Cooperação Jurídica Internacional (DRCI) do Ministério da Justiça do Brasil e
foi autorizada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).
A Klefer atua no mesmo ramo da
Traffic, uma das empresas citadas no escândalo. Embora a Klefer não tenha sido
citada nominalmente na investigação sobre propina no futebol, a suspeita é que
ela tenha feito uma parceria irregular com a Traffic.
Um dos sócios da Klefer é Kleber
Leite, ex-presidente do Flamengo. Em nota, ele nega irregularidades, diz que
entregou todos os documentos pedidos pela PF e pelo MPF e afirma que "está
inteiramente à disposição das autoridades".
Em entrevista na porta da empresa
ele disse que, além de documentos, entregou aparelhos pessoais à PF.
"Levaram toda a documentação que eles entenderam como pertinente para que
pudesse ajudar, o que é nossa intenção, nessa solicitação do governo americano.
Tudo o que foi solicitado foi entregue a eles. Meu computador, todos os
contratos relacionados à nossa atividade e, inclusive, meu telefone
celular."
Segundo o empresário, entre os
contratos estava o firmado entre a Klefer e a Traffic, uma das companhias
investigadas. "Soubemos aqui que houve lá um acordo de delação premiada
envolvendo o J. Hawilla, presidente da Traffic, que teve problemas com o
governo americano. E que teria feito uma relação de nossa parte. Nós temos com
a Traffic apenas uma atividade comercial que diz respeito a um contrato da Copa
do Brasil", explicou.
Entenda a operação
A polícia da Suíça prendeu nesta quarta-feira (27), em Zurique, na sede da Fifa, sete dirigentes da entidade acusados de corrupção. Entre eles está José Maria Marin, ex-presidente da CBF e membro do comitê executivo da Fifa. Os sete detidos são membros da Conmebol ou da Concacaf, as confederações de futebol das Américas.
A polícia da Suíça prendeu nesta quarta-feira (27), em Zurique, na sede da Fifa, sete dirigentes da entidade acusados de corrupção. Entre eles está José Maria Marin, ex-presidente da CBF e membro do comitê executivo da Fifa. Os sete detidos são membros da Conmebol ou da Concacaf, as confederações de futebol das Américas.
As três principais linhas de investigação são:
- o pagamento de propina dos organizadores das copas da Rússia, em 2018, e no
Catar, em 2022, a dirigentes da Fifa para garantir que os países fossem escolhidos
como sedes.
- o superfaturamento do contrato da CBF com uma empresa de fornecimento de material
esportivo.
- a compra de direitos de transmissão por agências de marketing esportivo dos seguintes campeonatos: Copa América Centenária, edições da Copa América, Libertadores da América e Copa do Brasil (torneio de clubes brasileiros).
- o superfaturamento do contrato da CBF com uma empresa de fornecimento de material
esportivo.
- a compra de direitos de transmissão por agências de marketing esportivo dos seguintes campeonatos: Copa América Centenária, edições da Copa América, Libertadores da América e Copa do Brasil (torneio de clubes brasileiros).
A investigação acusa empresas de
marketing esportivo de pagamento de propina a confederações donas originais
desses direitos. Não pesam acusações ou suspeitas sobre as empresas de mídia de
todo o mundo que compraram desses intermediários os direitos de transmissão das
partidas e dos campeonatos.
A investigação americana é
conduzida há três anos pelo FBI e abrange casos de corrupção na Fifa durante os
últimos vinte anos. O esquema de corrupção teria movimentado mais de US$ 150
milhões. Todos os presos serão extraditados para os Estados Unidos.
O Departamento de Justiça
americano afirma que seis acusados já se declararam culpados, entre eles José Hawilla, que já está condenado no
processo e é dono da empresa de marketing esportivo Traffic, que
negocia direitos de competições com a Conmebol, Concacaf e a CBF. Hawilla é
também acionista da TV Tem, uma das afiliadas da TV Globo.
Está mantida para esta sexta (29),
a eleição para presidente da Fifa. Joseph Blatter está à frente da entidade
desde 1998 e deve ser reconduzido para o quinto mandato. O diretor de
comunicação da federação, Walter De Gregorio, isentou Blatter de todas as
acusações e disse que ele está tranquilo, mas não está "dançando no
escritório". Ele colabora com as investigações, segundo De Gregorio.
O único adversário na eleição, o príncipe da Jordânia, Ali bin al Hussein, afirmou que hoje é um dia triste para o futebol.
O único adversário na eleição, o príncipe da Jordânia, Ali bin al Hussein, afirmou que hoje é um dia triste para o futebol.
Os seis indiciados detidos na
Suíça, além do brasileiro Marin, são: Jeffrey Webb, das Ilhas Cayman,
vice-presidente da Fifa e presidente da Concacaf; Eduardo Li, da Costa Rica,
presidente da federação de Costa Rica, membro do Comitê Executivo da Fifa;
Julio Rocha, da Nicarágua, diretor de desenvolvimento da Fifa; Costas Takkas,
das Ilhas Cayman, adido da Concacaf; Eugenio Figueredo, do Uruguai,
vice-presidente da Fifa; e Rafael Esquivel, da Venezuela, presidente da
federação da Venezuela e membro do comitê-executivo da Conmebol.
As autoridades americanas
afirmaram que os acusados violaram a lei e o sistema financeiro dos Estados
Unidos.
CBF
A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) publicou nota comentando o caso. "Diante dos graves acontecimentos ocorridos nesta manhã em Zurique, envolvendo dirigentes e empresários ligados ao futebol, a CBF vem a público declarar que apoia integralmente toda e qualquer investigação", diz o comunicado da entidade.
CBF
A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) publicou nota comentando o caso. "Diante dos graves acontecimentos ocorridos nesta manhã em Zurique, envolvendo dirigentes e empresários ligados ao futebol, a CBF vem a público declarar que apoia integralmente toda e qualquer investigação", diz o comunicado da entidade.
"A entidade aguardará, de
forma responsável, sua conclusão, sem qualquer julgamento que previamente
condene ou inocente. A nova gestão da CBF, iniciada no dia 16 de abril de 2015,
reafirma seu compromisso com a verdade e a transparência", conclui.
Dilma
A presidente Dilma Rousseff defendeu a investigação das autoridades americanas. "Acredito que toda investigação sobre essa questão [suspeita de corrupção na Fifa] é muito importante. Acho que ela vai permitir uma maior profissionalização do futebol. Não vejo como isso pode prejudicar o futebol brasileiro. Acho que só vai beneficiar o Brasil. E acho que, se tiver de investigar, que investigue todas as Copas, todas as atividades", disse a presidente durante entrevista coletiva na Cidade do México.
A presidente Dilma Rousseff defendeu a investigação das autoridades americanas. "Acredito que toda investigação sobre essa questão [suspeita de corrupção na Fifa] é muito importante. Acho que ela vai permitir uma maior profissionalização do futebol. Não vejo como isso pode prejudicar o futebol brasileiro. Acho que só vai beneficiar o Brasil. E acho que, se tiver de investigar, que investigue todas as Copas, todas as atividades", disse a presidente durante entrevista coletiva na Cidade do México.
Emissoras internacionais noticiam
as prisões desde cedo. Muitos jornais europeus estão atualizando cada
desdobramento do caso ao vivo nas páginas na internet. O italiano
"Corriere della Sera" cita um terremoto na Fifa e fala na quebra do
"Sistema Blatter". Mesmo não estando entre os detidos, o presidente
da Fifa é um dos principais alvos. "Não olhem para mim", diz a
manchete do diário esportivo espanhol "Olé". O "Marca",
também da Espanha, igualmente destacou a crise na principal entidade do futebol
internacional.
Muitos atletas se manifestaram nas
redes sociais. O ex-jogador da seleção inglesa, Gary Lineker, escreveu que
Blatter tem que sair.

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