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José Maria
Marin, em seu gabinete, como governador
de São
Paulo, em 1982. Ao fundo, a foto com o aliado Paulo Maluf
(OSWALDO
JURNO/ESTADÃO CONTEÚDO)
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Ex-presidente da CBF é acusado de
corrupção e será extraditado aos Estados Unidos
A prisão de José Maria Marin com
um grupo de outros seis executivos da Fifa, na madrugada desta quarta-feira
(27), é apenas mais uma polêmica para o extenso currículo do cartola. Ao longo
da carreira, Marin, de 83 anos, já foi ativo defensor do regime militar, foi
governador de São Paulo e presidente da CBF (Confederação Brasileira de
Futebol).
Nascido em Santo Amaro, zona Sul
de São Paulo, o dirigente teve uma tímida carreira como jogador de futebol.
Enquanto tentava a sorte nos gramados, se dedicou aos estudos de direito na
tradicional faculdade do Largo de São Francisco, da USP (Universidade de São
Paulo).
Sua trajetória política está
intimamente ligada ao regime militar que imperou entre as décadas de 60 e 80 no
Brasil. Em janeiro de 1964, aos 31 anos, Marin iniciava seu primeiro mandato de
vereador, meses antes do golpe. Em 1966, se filiou à Arena (Aliança Renovadora
Nacional), partido pró-militares. Sua ascensão na carreira foi sempre apoiada
por integrantes do alto escalão do governo.
Mais tarde, Marin rompeu com seus
aliados — mas se manteve fiel aos militares. O objetivo era se juntar a Paulo
Maluf, então prefeito de São Paulo e candidato ao governo estadual. A traição
foi relatada em um documento do SNI (Sistema Nacional de Informação), criado
pelos ditadores para ser o serviço de inteligência brasileiro.
Da aliança, Marin virou
vice-governador de São Paulo, cargo que ocupou entre 1979 e 1982. Com a
renúncia de Maluf, em 14 de maio de 1982, o cartola assumiu a liderança do
Estado.
Morte de Herzog
Enquanto esteve na política, Marin
fez inúmeros discursos defendendo ou elogiando a atuação dos militares e
repressores do regime. Em 1975, dois pronunciamentos do cartola questionando a
TV Cultura, dizendo que ela não retratava o governo corretamente, são apontados
como o estopim da morte de Vladimir Herzog — o jornalista da Cultura era
comunista, foi preso, torturado e assassinado na sede do DOI-Codi, órgão ligado
ao Exército Brasileiro.
A vida de cartola começou na
Federação Paulista de Futebol, que presidiu entre 1982 e 1988. Na CBF, foi
vice-presidente e sucessor de Ricardo Teixeira, e comandou o COL (Comitê
Organizador Local) da Copa do Mundo de 2014.
Como comandante do futebol
brasileiro, posição que ocupou entre 2012 e 2014, Marin enfrentou pressões
políticas e de movimentos de torcedores pedindo sua renúncia. As reações foram
após o nome do cartola ser citado pela Comissão Nacional da Verdade, que
investigou crimes cometidos na ditadura. Segundo o grupo, além do caso de
Herzog, o político também teria ligações com a tortura do então deputado Carlos
Araújo, ex-marido de Dilma Rousseff e militante de esquerda durante o regime
militar.
Medalha no bolso
Outra polêmica futebolística de
Marin foi em 2012, na final da Copa São Paulo, no Pacaembu. O cartola foi
flagrado por câmeras da TV Bandeirantes colocando uma medalha no bolso durante
a cerimônia de premiação do Corinthians, vencedor da competição daquele ano.
Nas imagens, Marin enrola a fita nos dedos, embolsa a premiação e pega uma nova
medalha para entregar aos jogadores.
À época, William, capitão da
equipe corintiana, promoveu uma campanha contra Marin nas redes sociais e disse
que o goleiro do time terminou a premiação sem receber medalha. A Federação
Paulista de Futebol defendeu o cartola e disse ter errado a contagem das
honrarias para a festa.
Vaidade
Em 2014, ainda sob o comando do
ex-governador, a CBF inaugurou sua nova sede no Rio de Janeiro. O prédio, de
arquitetura moderna e vidros espelhados, foi batizado de José Maria Marin, ou
seja, com o nome do próprio dirigente.

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