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Fósseis de
peixes devolvidos ao Brasil pelo FBI;
idade varia
de 95 a 115 milhões de anos, segundo
estimativas
(Foto: Vianey Bentes)
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Comércio é crime; cada item custa US$ 2
mil no mercado negro, diz polícia.
A Polícia Federal apura a
possibilidade de contrabando no envio de três fósseis de peixes marinhos da
Bacia do Araripe – unidade geológica entre os estados do Piauí, Ceará e
Pernambuco – aos Estados Unidos. As peças foram confiscadas pela polícia
norte-americana durante investigação e enviadas pelo FBI à superintendência da
PF em Brasília há dois meses. A estimativa é de que os animais tenham vivido
entre 115 milhões e 95 milhões de anos atrás.
Os itens foram submetidos a exames
laboratoriais e morfológicos tanto nos EUA quando no Brasil, por meio do
Departamento Nacional de Produção Mineral, para comprovar a origem. Os fósseis
pertencem a duas espécies, Rhacolepis buccalis Agassiz 1841 (o menor) e
Vinctifer comptoni Agassiz 1841 (os maiores).
As espécies são, segundo a
polícia, umas das mais abundantes registradas na região. Ambas eram predadoras
de pequenos peixes. No caso da menor, pesquisas indicam que ela também se
alimentava de invertebrados.
De acordo com o delegado Carlos
André Gastão, a conservação das peças é um dos fatores que mais chamou a
atenção. A característica contribui para a suspeita de que elas tenham sido
vendidas por meio do mercado negro, onde custam em média US$ 2 mil.
“Ainda não se sabe nem quando eles foram
retirados daqui, mas dá para notar que foi feito um trabalho minucioso,
detalhado. Os fósseis estão praticamente intactos, tem uma pintura para
conservar a cor real desses peixes”, explica. “Dá para notar que essa preservação
foi feita por um profissional muito bom.”
A extração e posterior
comercialização desses itens é crime, já que desde 1942 fósseis são
considerados patrimônios da União. Gastão afirma que a corporação apura se o
possível contrabando das peças pode estar relacionado a outras atividades do
tipo na Bacia do Araripe, que também são investigadas.
Segundo o policial já foram
identificadas na região três “categorias” que atuam no ramo ilegal: moradores,
que aproveitam que os fósseis “brotam” na pedra e os vendem como artefatos
regionais, por até R$ 100; pessoas que extraem as peças sob encomenda e free
lancers, que vão até lá e retiram tudo o que acham porque têm uma noção do
valor dos itens no mercado internacional.
Ainda de acordo com Gastão, o
Brasil costuma “exportar” peças do tipo para a Europa e os Estados Unidos. A PF
estima que o mercado internacional movimente U$ 500 milhões todos os anos.
Recentemente o governo francês devolveu ao país o fóssil de um dinossauro.
A corporação não tem prazo
definido para concluir a investigação. A expectativa é de que, com o fim do
processo judicial, os três exemplares sejam encaminhados a uma instituição de
ensino ou museu brasileiro, para exposição.
Bacia do Araripe
Com área de 12 mil quilômetros
quadrados, a unidade geológica é considerada a maior bacia sedimentar do sertão
nordestino. Ela se estende entre o extremo sul do Ceará, passando pelo noroeste
do Pernambuco e terminando no leste do Piauí.
A bacia preservou diversos
registros fósseis de peixes, artrópodes, tartarugas, crocodilomorfos e
pterossauros. Também há fósseis de fragmentos vegetais. Estudos apontam que o
local abrigava um mar.

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