Expectativa dos deputados é que,
desta vez, ele responda às perguntas. Ex-diretor da estatal foi levado do Rio a
Brasília sob escolta da PF.
A CPI da Petrobras deve ouvir na
tarde desta terça-feira (5), na Câmara dos Deputados, o ex-diretor de Refino e
Abastecimento da estatal Paulo Roberto Costa, um dos principais delatores da
Operação Lava Jato. Preso em regime domiciliar no Rio de Janeiro, o
ex-dirigente da petroleira foi autorizado pela Justiça a viajar a Brasília, sob
escolta da Polícia Federal (PF), para prestar seu terceiro depoimento aos
parlamentares.
Costa foi preso em março do ano
passado, na deflagração da Lava Jato, acusado de receber propina de
fornecedores da Petrobras para facilitar a contratação dessas empresas. Depois
de colaborar com a Justiça, ele foi autorizado a ficar preso em casa,
monitorado por uma tornozeleira eletrônica.
Em setembro, o ex-diretor de Refino
e Abastecimento esteve na CPI mista, formada por deputados e senadores, mas se
recusou a responder às perguntas dos parlamentares.
Três meses depois, em dezembro,
ele retornou à CPI mista para uma acareação com o ex-diretor da área
internacional da Petrobras Nestor Cerveró. Em seu acordo de delação premiada,
Costa revelou que o ex-colega foi um dos beneficiários do esquema de corrupção
que agia na Petrobras, mas Cerveró sempre negou as acusações.
Na ocasião, os congressistas
tentaram esclarecer pontos divergentes nos depoimentos dos dois ex-dirigentes
da petroleira, porém, mais uma vez, Paulo Roberto Costa não quis falar.
Embora Costa tenha ficado calado
nas outras duas vezes em que compareceu ao Congresso Nacional, desta vez, a
expectativa dos parlamentares é que ele irá romper o silêncio.
O teor de vários dos seus
depoimentos à Polícia Federal, ao Ministério Público e à Justiça Federal já é
conhecido. A expectativa, então, é que ele contribua para os trabalhos da
comissão"
Antonio Imbassahy (PSDB-BA), vice-presidente
da CPI da Petrobras
“O teor de vários dos seus
depoimentos à Polícia Federal, ao Ministério Público e à Justiça Federal já é
conhecido. A expectativa, então, é que ele contribua para os trabalhos da
comissão”, ponderou o deputado Antonio Imbassahy (PSDB-BA), vice-presidente da
CPI.
Outro integrante da CPI, o
deputado Ivan Valente (PSOL-SP) também espera que, nesta terça-feira, Paulo
Roberto Costa auxilie a comissão parlamentar a avançar nas investigações das
irregularidades cometidas na estatal do petróleo.
“Uma coisa é falar para o MP,
outra é falar para 50 deputados, que podem sempre arrancar mais coisas. Se
quiserem perguntar para valer, ele tem muito a dizer”, opinou Valente.
O deputado Valmir Prascidelli
(PT-SP), que é um dos sub-relatores da CPI, espera que Costa esclareça supostas
contradições em seus depoimentos à Justiça. “Uma hora ele falou uma coisa, mas
depois já mudou”, observou Prascidelli.
O parlamentar petista disse
aguardar que Paulo Roberto Costa dê detalhes sobre o suposto pagamento de
propina de fornecedores da Petrobras durante o governo Fernando Henrique
Cardoso (1995-2002). “O ex-diretor [Costa] omitiu questões relacionadas aos
recursos que, por ventura, tenham sido repassados ao PSDB em anos anteriores.
Precisamos esclarecer isso”, disse o deputado do PT.
As delações premiadas de Paulo
Roberto Costa e do doleiro Alberto Youssef serviram de base para a abertura de
inquéritos contra 47 políticos, do ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto e do
lobista Fernando Soares, conhecido como "Fernando Baiano".

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