Em março, superávit primário somou
R$ 1,46 bilhão, informou Tesouro. No primeiro trimestre, totalizou
R$ 4,48 bilhões, acrescentou a instituição.
As contas do governo registraram
no primeiro trimestre deste ano o pior resultado para este período desde 1998,
ou seja, em 17 anos. Segundo números divulgados nesta quarta-feira (29) pela
Secretaria do Tesouro Nacional, foi registrado um superávit primário (a
economia para pagar juros da dívida pública e tentar manter sua trajetória de
queda) de R$ 4,48 bilhões nos três primeiros meses dsete ano.
O resultado representa uma queda
de 65,8% frente ao resultado do primeiro trimestre de 2014, quando superávit
primário ficou em R$ 13,1 bilhões. Em 1998, esse resultado foi de R$ 3,33
bilhões.
Mês de março
Somente no mês de março, o Tesouro
Nacional informou que foi registrado um superávit primário de R$ 1,46 bilhão.
Foi o pior resultado para este mês desde 2013, quando foi apurado um resultado
positivo de R$ 291 milhões nas contas do governo. Em março do ano passado, as
contas do governo tiveram um superávit de R$ 3,2 bilhões.
"As receitas apresentaram
aumento de R$ 3,6 bilhões (3,8%) e as despesas cresceram R$ 4,3 bilhões (5,7%)
quando comparadas a março do ano anterior", informou o governo federal.
Receitas, despesas e investimentos
De acordo com dados do governo
federal, as receitas totais recuaram 4,4% nos três primeiros meses ano (em
termos nominais, sem descontar a inflação), contra o mesmo período do ano
passado, para R$ 319 bilhões. A queda das receitas foi de R$ 14,78 bilhões
sobre o mesmo período do ano passado.
Ao mesmo tempo, as despesas totais
caíram 0,8% frente ao primeiro trimestre do ano passado, para R$ 259,17
bilhões. Neste caso, o recuo foi de R$ 2,06 bilhões. Os gastos somente de
custeio, por sua vez, avançaram 3,4% na parcial deste ano, para R$ 57,42
bilhões.
Já no caso dos investimentos,
porém, houve redução de gastos. Segundo números oficiais, as despesas com
investimentos caíram 31,3% no primeiro trimestre deste ano, para R$ 15,33
bilhões. A queda frente ao mesmo período de 2014 foi de R$ 7 bilhões, de acordo
com números da Secretaria do Tesouro Nacional.
Dividendos, concessões e CDE
No primeiro trimestre deste ano, o
governo informou ter recebido menos recursos de concessões e dividendos de
empresas estatais.
Nos três primeiros meses de 2015,
o governo recebeu R$ 1,89 bilhão em dividendos, contra R$ 6,39 bilhões no mesmo
período de 2014. Ao mesmo tempo, recebeu R$ 436 milhões em concessões, contra
R$ 840 milhões no mesmo período do ano passado.
O governo informou ainda que foi
realizado um pagamento de R$ 1,28 bilhão para a CDE nos três primeiros meses
deste ano, em comparação com R$ 3,01 bilhões no mesmo período do ano passado.
Apesar de ter prometido não fazer pagamentos para a Conta de Desenvolvimento
Energético (CDE) neste ano, foi paga uma última parcela em janeiro.
A CDE é um fundo por meio do qual
realiza ações no setor elétrico, entre elas o financiamento de programas como o
Luz para Todos, subsídio à conta de luz de famílias de baixa renda, compra de
combustível para termelétricas e pagamento de indenizações para empresas.
Meta do governo
O ministro da Fazenda, Joaquim
Levy, fixou uma meta de superávit primário para o setor público (governo, estados,
municípios e empresas estatais) de 1,2% do PIB para 2015 e de pelo menos 2% do
PIB para 2016 e 2017.
Para 2015, o esforço de 1,2% do
PIB equivale a uma economia de R$ 66,3 bilhões para o setor público. Desse
montante, R$ 55,3 bilhões correspondem à meta para o governo e R$ 11 bilhões
são uma estimativa para estados e municípios. Deste modo, o esforço fiscal de
R$ 4,48 bilhões do primeiro trimestre representa cerca de 8% da meta do governo
de todo este ano.
O objetivo do governo, segundo
informou o ministro Levy no ano passado, foi estabelecer uma meta de superávit
primário para os três próximos anos que contemple a estabilização e declínio da
dívida pública. Para ele, essa meta é fundamental para o aumento da confiança
na economia e para a consolidação dos avanços sociais.
Medidas já anunciadas
Para tentar atingir as metas
fiscais, a nova equipe econômica já anunciou uma série de medidas nos últimos
meses. Entre elas, estão mudanças nos benefícios sociais, como
seguro-desemprego, auxílio-doença, abono salarial e pensão por morte, que ainda
têm de passar pelo crivo do Congresso Nacional.
Além disso, também subiram os
juros do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para o
setor produtivo, como forma de diminuir o pagamento de subsídios pelo governo.
Outra medida foi a alta do IPI
para automóveis no início deste ano, além do aumento de tributos sobre a
gasolina, operações de crédito, cosméticos, importados e para empresas. O
Ministério do Planejamento, por sua vez, anunciou a redução dos limites
temporários de empenho para gastos no orçamento de 2015 e, mais recentemente, o
bloqueio de restos a pagar e limitação de gastos do Programa de Aceleração do
Crescimento (PAC).
Em janeiro, o secretário do
Tesouro Nacional, Marcelo Saintive, confirmou que não haverá mais repasses do
governo ao setor elétrico, antes estimados em R$ 9 bilhões para este ano, o que
deverá elevar ainda mais a conta de luz, que pode ter aumento superior a 40% em
2015.

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