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| (Foto: Marcello Casal Jr) |
Facebook aponta que as mudanças objetivam melhorar a experiência dos usuários com a rede e garantir maior controle por parte deles.
A partir
do dia 30 deste mês, o Facebook, maior rede social do mundo, vai passar a
adotar novas regras relacionadas à privacidade dos usuários e à oferta de
anúncios publicitários. A empresa poderá obter mais informações sobre quem a
acessa, a partir de dados coletados por produtos que também são do Facebook,
como Instagram e WhatsApp. Até mesmo o nível de bateria do celular e a força do
sinal da operadora utilizada serão conhecidos pelo Facebook.
Na página
criada para explicar as novas regras, o Facebook aponta
que as mudanças objetivam melhorar a experiência dos usuários com a rede e
garantir maior controle por parte deles. Assim, quem visualizar um anúncio
poderá saber o porquê de a publicidade ter aparecido na sua página clicando na
lateral da própria imagem. O internauta também poderá se negar a receber
informações de determinados anunciantes, ação que valerá tanto para o
dispositivo que está usando naquele momento quando para os demais, como
celulares, tablets e computadores.
A mudança
tornará a oferta de produtos e serviços mais personalizada. A principal
ferramenta para isso está relacionada à geolocalização. Os check-ins feitos
pelos usuários quando estão em ruas, estabelecimentos comerciais e outros
locais poderão ser usados para o Facebook mostrar informações de
estabelecimentos e amigos próximos. Além disso, a empresa está testando a opção
comprar, para que produtos sejam adquiridos na própria rede.
Se, por um
lado, as ferramentas podem dar mais comodidade e facilidades aos usuários, por
outro, os limites para o uso de dados pessoais e a garantia de privacidade
preocupam. “Você pensa que está usando um serviço gratuito, mas você é o
produto que eles estão vendendo, pois são as suas informações que estão sendo
comercializadas para outras empresas”, diz o coordenador do Intervozes, Pedro
Ekman.
O Facebook
tem acesso a cerca de 70 informações sobre os usuários, tais como cidade natal,
páginas visitadas, visões religiosas e políticas, atividades recentes,
metadados de fotos (hora e local em que foram feitas, por exemplo),
configurações faciais, número de telefone, endereço de IP, número de cartão de
crédito, idade, o que se olha na linha do tempo de outras pessoas, as mensagens
trocadas e páginas que visita.
A partir
disso, a empresa elabora o perfil da pessoa e pode oferecer a ela produtos,
serviços e recursos que podem interessá-la. Por outro lado, ela vende esse
pacote de dados para clientes e parceiros. Segundo o Facebook, a operação
protege a identidade pessoal. “Somente fornecemos dados aos nossos anunciantes
parceiros e clientes depois de removermos seu nome ou outras informações de
identificação pessoal ou depois de combiná-las com dados de outras pessoas de
maneira que não mais identifiquem você pessoalmente”, divulgou a rede social.
Mesmo que
as regras sejam desconhecidas por parte das pessoas que usam a rede, basta
utilizá-la para gerar informações. A Declaração de Direitos e Privacidade do
Facebook, disponível no site, diz que “quando você publica conteúdos
ou informações usando a opção Público, você está permitindo que todos,
incluindo pessoas fora do Facebook, acessem e usem essas informações e as
associem a você”. Se desejar restringir o acesso aos dados, o usuário deve
alterar quem pode ver as suas ações na rede ou desativar todos os aplicativos
da plataforma em suas Configurações de Privacidade.
Com o Marco Civil
da Internet, contudo, o uso desses dados passou a ter regras. O
marco garante a privacidade dos usuários da internet, ao estabelecer que
informações pessoais e registros de acesso só poderão ser vendidos se o usuário
autorizar expressamente a operação comercial.
“Em
qualquer operação de coleta, armazenamento, guarda e tratamento de registros,
de dados pessoais ou de comunicações por provedores de conexão e de aplicações
de internet em que pelo menos um desses atos ocorra em território nacional,
deverão ser obrigatoriamente respeitados a legislação brasileira e os direitos
à privacidade, à proteção dos dados pessoais e ao sigilo das comunicações
privadas e dos registros”, diz a lei que ficou conhecida como a Constituição da
Internet.
Segundo
Pedro Ekman, o Marco Civil tornou ilegal o acesso às informações privadas, como
as mensagens trocadas diretamente e privadamente entre usuários. “A gente tem
que cobrar que os novos termos do Marco Civil sejam de fato executados, que as
empresas tenham que informar o que estão fazendo, que não leiam as nossas
mensagens privadas e que, ao encerrar a relação com eles, eles excluam todos os
dados que foram coletados na rede”. Hoje, mesmo que o usuário opte por sair do
Facebook, suas informações ficam armazenadas por tempo indeterminado.
Privacidade
total, contudo, não é mais viável, na opinião de Pedro Ekman. “No limite, as
pessoas têm que ir para outras redes sociais que não usam e vendem seus dados”,
opina ele, que cita como alternativa a rede social Diáspora,
plataforma livre que não guarda dados dos usuários. Ele reconhece, contudo, que
poucas pessoas conhecem plataformas diferentes. “O problema é esse. A economia
de rede faz com que você esteja onde todo mundo está. Eles buscam concentrar a
ação das pessoas em uma rede e não em várias”, alerta.
Fonte: Agência Brasil

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