Rafael Vieira
aparece ao lado de texto na parede que critica o Estado.
Rafael Braga
Vieira é a única pessoa que continua presa no Rio de Janeiro por participar dos
protestos de junho de 2013. Detido com uma garrafa de plástico que teria
material inflamável, ele cumpre regime semiaberto em um presídio de Niterói,
onde foi fotografado ao lado de uma pichação. No dia 30 de outubro, ao voltar
para dormir no cárcere após trabalhar como faxineiro no escritório de advocacia
que faz sua defesa, ele parou ao lado do portão e posou para uma foto.
"Você só olha da esquerda para a direita, o Estado te esmaga de cima
p/baixo", diz o texto que serve de pano de fundo para imagem. Por causa
dela, Rafael foi punido com 10 dias na "solitária" do Instituto Penal
Francisco Spargoli Rocha na última quarta (19), além de ser impedido de sair do
local para trabalhar nestes dias. A informação foi veiculada pelo jornal
"O Dia".
A decisão da
sanção foi obtida com exclusividade pelo G1. Em nota, a Secretaria de Estado de
Administração Penitenciária (Seap) diz que "continua na busca de provas em
relação ao dano provocado no muro do Instituto Penal", mas o documento não
faz nenhuma referência a uma possível autoria da pichação feita por Rafael. A
defesa, por sua vez, nega que seu cliente tenha qualquer relação com a
pichação. A sanção só faz referência ao artigo que pune quem "veicular de
má fé por meio escrito ou oral crítica infundada a Administração
Prisional". Em depoimento, Rafael alegou que a publicação feita em redes
sociais sequer foi feita por ele — a imagem foi divulgada pelo Instituto de
Defensores de Direitos Humanos.
"Considero
uma decisão arbitrária tomada pela unidade. No caso de um cumprimento de pena
em benefício de trabalho extramuro, você não tem vedado o direito de liberdade
de expressão. Este direito não tem implicações com a pena", afirmou o
advogado de defesa Thiago Mello.
Na decisão, o
subdiretor da unidade, Humberto Soares, condena o "desvio de conduta do
interno". No texto, ele ainda opina que o "referido deveria estar
mais preocupado em retornar a Unidade do que estimular outros a fazem críticas
ao Estado".
'Não estou envolvido com nada errado'
Em entrevista
exclusiva ao G1 em outubro, Rafael negou que portava material inflamável quando
foi preso — e disse ainda que as provas foram adulteradas. "Nem sabia de
nada que estava acontecendo naquele dia. O que eu queria era guardar o material
que eu tinha recolhido para vender na feira", diz ele. Rafael afirma que
conseguia até R$ 500 por semana vendendo o material recolhido Centro do Rio,
como a feira do Morro da Providência. "Não estou envolvido com nada
errado", garante ele.
.jpg)
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Obrigado pelo seu comentario.
Fique sempre ligado do que acontece em nossa cidade!