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| Distrito da luz vermelha, em Amsterdam, é um famoso local de prostituição. |
A legalização da prostituição na
Holanda, sacramentada há 14 anos, ainda não atingiu os efeitos desejados, pois
continuam a ocorrer abusos sexuais e casos de prostituição forçada, e a
profissão ainda é estigmatizada socialmente, segundo reconhecem pessoas ligadas
à área e autoridades do país.
"É curioso porque na Holanda
é um trabalho legal, mas continua a existir o estigma, e nos resta muito
caminho a percorrer", disse à Agência Efe a diretora do centro de
assistência Shop e psicóloga Maria Scali.
Esse centro, localizado em Haia, é
especializado em assistência e serviços voltados a profissionais do sexo e
vítimas do tráfico humano.
Na realidade, "existem muitos
problemas relacionados ao estigma que devem ser solucionados", afirmou
Felicia Anna, prostituta e blogueira de 27 anos de origem romena, que há quatro
trabalha no "bairro vermelho" de Amsterdã, onde há oito mil
profissionais do sexo, segundo a prefeitura.
"É muito difícil abrir uma
conta bancária para empresas", disse a jovem, que também denuncia que
"praticamente não há acesso a empréstimos bancários, cartões de crédito ou
hipotecas" ou dificuldades em "outros aspectos que poderiam ser
simples como encontrar casa ou trabalho", explicou Felicia.
Para impulsionar os resultados da
legalização da prostituição vigente desde 2000, o Ministério de Segurança e
Justiça anunciou o início de um programa nacional de ajuda para que quem exerce
a prostituição possa sair dela, e destinou 12 milhões de euros nos próximos
quatro anos.
No parlamento holandês, os
partidos socialista SP e União Cristã tinham reivindicado que esse programa
fosse ampliado a todo o país, já que o realizado entre 2008 e 2011 era apenas
regional e se desenvolveu em 12 municípios.
O ministro de Segurança e Justiça,
Ivo Opstelten, afirmou que durante os próximos três anos serão
"fortalecidos" os recursos para "abordar a exploração laboral, a
exploração sexual e os abusos no setor".
Opstelten apresentou no parlamento
um projeto de lei que visa endurecer a regulação da prostituição e combater os
abusos na indústria sexual, medidas entre as quais, por exemplo, está previsto
o aumento da idade mínima para exercer a prostituição de 18 para 21 anos.
Além disso, trabalhistas,
socialistas e social-cristãs enviaram ao Conselho de Estado um projeto de lei
para que os clientes de prostitutas que tenham sido forçadas a trabalhar também
possam receber penas de prisão ou pesadas multas.
A diretora do centro de
assistência Shop, Maria Scali, disse à Efe que um programa voltado a todo o
país "é necessário e muito importante porque pode mudar a vida de muitas
mulheres".
Em 2013, esse centro atendeu 329
pessoas, dos quais 20% eram homens e transexuais, ofereceu informação e suporte
a 179 trabalhadores sexuais, dos quais 120 conseguiram deixar a prostituição e
hoje têm um trabalho estável.
"Gostaria de pensar que
nestes quatro próximos anos vamos conseguir a compreensão da sociedade",
declarou. "O problema não é sair da prostituição, o problema é que estas
pessoas que decidem deixar a prostituição tenham a oportunidade de entrar na
sociedade. Os profissionais do sexo são pessoas fortes, e a sociedade não
reconhece seu valor", acrescentou.
Para Felicia, "os esforços do
governo" continuam "insuficientes". Ela pede que sejam
destinados recursos para solucionar o problema "desde dentro" e
"não só para aqueles profissionais que queiram deixar a
prostituição".
"É bom que o governo ajude as
prostitutas que queiram deixar a profissão, mas é preciso pensar que existem
problemas reais que seguem sem ser solucionados, como a estigmatização" ou
"o tráfico de pessoas", acrescentou.
O último relatório do governo
holandês sobre tráfico de pessoas e violência sexual contra crianças alertou no
final de setembro que o número de casos julgados aumentou de 132 em 2009 para
203 em 2013.

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