Pesquisa estuda possíveis formas de recuperação da Lagoa Imboassica, em Macaé | Rio das Ostras Jornal

Pesquisa estuda possíveis formas de recuperação da Lagoa Imboassica, em Macaé

Estudos que estão sendo realizados por aluna da UFRJ/NUPEM avalia a taboa como uma alternativa para a descontaminação de ambientes aquáticos.

A Lagoa Imboassica é considerada um grande patrimônio ambiental da Capital Nacional do Petróleo.  No entanto, ao longo dos anos esse tão importante recurso hídrico vem sofrendo inúmeros impactos ambientais. O principal deles, muitas vezes visíveis a olho nu (época em que ocorre aberturas de barra) é o lançamento de esgoto in natura em suas águas causando o processo conhecido como eutrofização - considerado o enriquecimento de um ambiente por nutrientes causando o crescimento excessivo de algas, diminuição do oxigênio dissolvido na água e por fim mortandade de animais aquáticos como os peixes. 

De acordo com a estudante do segundo ano do Mestrado do Programa de Pós-Graduação em Ciências Ambientais e Conservação da Universidade Federal do Rio de Janeiro / Núcleo em Ecologia e Desenvolvimento Sócio-ambiental de Macaé (NUPEM), Mariana Cristina Huguet Marques, como o esgoto é rico em nutrientes, principalmente nitrogênio e fósforo, o seu despejo nos ecossistemas aquáticos é considerado o principal agente eutrofizador dos ambientes naturais. 

Então procurando uma solução para esse grande problema ambiental, cenário de diferentes lagoas, uma iniciativa vem sendo desenvolvida pela UFRJ/NUPEM com objetivo de investigar como a planta aquática Typhadomingensis, conhecida popularmente como taboa, pode ajudar neste processo. Segundo a acadêmica, a taboa pode ser uma alternativa para a descontaminação de ambientes aquáticos continentais através do processo de fitorremediação. Além de verificar a sua utilização como matéria prima na produção de peças artesanais. 

Assim, com a ideia de verificar se e como a produção de artesanato a partir do manejo da Typhadomingensis contribui para processo de fitorremediação de um ambiente aquático eutrofizado, Mariana deu início à pesquisa intitulada "Utilização de Typhadomingensis Pers. na recuperação de ecossistemas aquáticos eutrofizados com ênfase no resgate da cultura do artesanato regional". Ela também atua no laboratório de Limnologia, sobre a orientação do professor Dr. Marcos Paulo Figueiredo de Barros e co-orientação da professora Dra. Giuliana Franco.

Mariana explica que a fitorremediação consiste em uma técnica que utiliza sistemas vegetais e sua microbiota com a finalidade de remover, degradar ou isolar substâncias tóxicas do ambiente, e que a partir desse mecanismo é possível reduzir grandes quantidades de nutrientes dos ambientes aquáticos que se encontram eutrofizados. Contudo, é necessário um contínuo manejo. Assim, a pesquisa será desenvolvida com foco no manejo e na utilização da biomassa após o manejo no artesanato por comunidades regionais que utilizem a taboa como matéria prima. 

"A taboa, é uma espécie abundante e que desempenha um importante papel na dinâmica de ecossistemas costeiros. Além do seu rápido crescimento, ela apresenta ainda grandes quantidades de tecidos de sustentação, o que lhe permite maior potencial para estocar nutrientes por períodos longos. Contudo, a eficiência da remoção depende do manejo contínuo da vegetação, pois os nutrientes acumulados na biomassa das plantas retornam ao ambiente quando essas morrem e entram em decomposição. Portanto, é de extrema importância que o manejo da taboa não inclua a retirada de suas raízes, pois somente assim será possível que a planta cresça novamente e continue o seu ciclo e sua utilização no mecanismo de fitorremediação", destaca. 

A Origem da pesquisa e o que se propõe 

A estudante ressalta que o tema surgiu do interesse em gerar conhecimentos que possam ser utilizados para a recuperação da Lagoa de Imboassica, além do desejo de incorporar à pesquisa grupos sociais que atuassem diretamente sobre os ecossistemas aquáticos continentais retirando deles matéria prima para desenvolver suas atividades econômicas, como as artesãs fazem. 

Ela lembra ainda que um projeto de mestrado concluído em 2013 pelo estudante Maycon Granados Belarmino avaliou o rebrotamento da taboa após o corte e a quantidade de carbono, nitrogênio e fósforo incorporados à biomassa da espécie durante o seu crescimento. "Com as conclusões deste estudo e de outros estudos de muitos anos que o laboratório de Limnologia da UFRJ vem desenvolvendo, a utilização da taboa em processos de fitorremediação na Lagoa Imboassica parece ser promissor", observa. 

De 2013 até o presente momento estão sendo realizados monitoramentos bimestrais na Lagoa de Imboassica objetivando obter dados da qualidade de suas águas, além de um experimento que procura verificar os métodos ideais de manejo da taboa. Além disso, também estão sendo realizadas pesquisas junto a dois grupos de artesãs que utilizam a taboa como matéria prima. Essas pesquisas darão um maior aprofundamento da organização e dos métodos de manejo da taboa que esses grupos realizam.  

"A pesquisa consiste em um levantamento de dados para uma possível implementação de um tratamento da lagoa utilizando a taboa como ferramenta, além de unir o seu uso social neste processo. Sendo assim, ainda não é possível apresentar dados que venham a dizer que a situação está sendo revertida. Entretanto, para que ocorra a implementação desses projetos utilizando os dados dessas pesquisas fazem-se necessárias parcerias para que primeiramente seja evitada a entrada de esgoto na lagoa", explica a estudante.

Ela destaca ainda que, além disso, é preciso ter a noção de que as respostas ambientais são, muitas vezes, demoradas. "A recuperação da Lagoa de Imboassica somente se dará se ela for acompanhada de perto e constantemente. Dessa forma, o monitoramento da bacia hidrográfica e a implementação de projetos de conscientização da população, são necessários para a restituição e manutenção do equilíbrio ecológico em longo prazo deste ambiente tão querido por todos nós macaenses", enfatiza. 

"A utilização da taboa em processos de fitorremediação na Lagoa de Imboassica parece ser promissor", Mariana Marques, estudante da UFRJ Macaé

Um dado intrigante é que, segundo dados do INEA, pela terceira vez consecutiva no ano, a Lagoa apresentou o seu pior índice de balneabilidade, considerado insatisfatório 

Fonte: O Debate


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