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| "Não vote! Saia na rua feito maluco", diz cartaz no Rio de Janeiro. |
Pezão recebeu 4.343.298 votos, enquanto 4.348.950 eleitores não foram às urnas ou votaram em branco ou nulo no último domingo (5.652 a mais).
O
segundo do turno da eleição para o governo do Rio de Janeiro consagrou Luiz
Fernando Pezão como o vencedor da disputa, mas o candidato do PMDB não foi quem
recebeu o maior número de votos: a maioria dos eleitores fluminenses não
escolheu ninguém como seu próximo governador.
Pezão
recebeu 4.343.298 votos, enquanto 4.348.950 eleitores não foram às urnas ou
votaram em branco ou nulo no último domingo (5.652 a mais). A
abstenção chegou a 22,35% neste domingo, um número considerado dentro da média
nacional.
O
que mais chama a atenção é o índice de 17,3% de votos em branco e nulos, o
segundo maior índice destas eleições para governador nos dois turnos. Só
Alagoas teve uma taxa de brancos e nulos maior, com 20,3%, na eleição resolvida
em primeiro turno para governador.
Se
forem considerados somente os votos nulos (não os brancos) no Rio de Janeiro, o
índice de 13,96% foi o maior do país. Estes
índices sinalizam uma grande insatisfação dos fluminenses com a política atual
e são um reflexo da falta de identificação com Pezão e Marcelo Crivella, do PR,
que disputava o governo estadual com o candidato do PMDB, segundo analistas.
Insatisfação
O
cientista político Jairo Nicolau, da Universidade Federal do Rio de Janeiro,
explica que, em uma votação de segundo turno, normalmente os votos brancos e
nulos somados giram em torno de 10%. Ele
acredita que o índice no Rio, de quase o dobro do normalmente esperado, é um
reflexo dos protestos de junho de 2013. "O
Rio de Janeiro foi o principal palco das manifestações contra a política no ano
passado, e uma parte deste movimento se refletiu nos votos", afirma Nicolau.
"Ao
mesmo tempo, os dois nomes que foram para o segundo turno não representam uma
grande parte do eleitorado jovem, das camadas médias e mais de esquerda."
Para
Carlos Pereira, cientista político da Fundação Getúlio Vargas do Rio de Janeiro
(FGV-RJ), esta falta de identificação dos fluminenses com Pezão e Crivella se
traduziu nas urnas com um expressivo "voto de protesto". "As
duas candidaturas não empolgaram o eleitor do Estado, que ficaram meio perdidos
no segundo turno e decidiram anular o voto. O alto índice foi um fruto da falta
de alternativa, de um desencantamento com o que a política ofereceu neste
ano", diz Pereira.
Rejeição
O
cientista político Ricardo Ismael, da PUC-Rio, credita este índice a uma força
de um movimento em prol do voto nulo no Rio de Janeiro. "O
voto nulo é uma rejeição completa ao sistema político", diz.
Ismael
não acredita que este índice terá uma repercussão no governo de Pezão. "Quem
votou nulo é um eleitor mais difícil de conquistar. Não acho que Pezão tentará
fazer isso, mas governará para quem votou de fato, seja nele ou no
Crivella", afirma Ismael.
Pereira,
da FGV-RJ, não compartilha da mesma opinião. Para ele, o novo governador do
Estado terá, sim, de prestar atenção a esta parcela do eleitorado. "Como
ele não teve uma votação expressiva em números absolutos, Pezão chega
fragilizado ao governo", afirma.
"A
legitimidade e o capital político são obtidos com o apoio eleitoral. Sem isso,
a lua de mel após a votação é mais curta e, na primeira crise, o eleitor parte
para oposição. O Pezão precisará tomar cuidado no início para cativar este
eleitor que não votou em ninguém."
Fonte: BBC Brasil

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