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| (Foto: Victor Moriyama/G1) |
Jovem
de 17 anos cumpre medida por tráfico.
Um
interno de 17 anos que cumpre medida socioeducativa em uma unidade da Fundação
Casa, em São Paulo, foi classificado nesta quinta-feira (30) como finalista da
Olimpíada de Língua Portuguesa, na categoria poema. A olimpíada reúne alunos de
escolas públicas de todo o país e é promovida pelo Ministério da Educação e
pela Fundação Itaú Social.
Para participar da segunda etapa do concurso (a
semifinal, em Belo Horizonte), ele teve autorização judicial para viajar de
avião pela primeira vez, na última terça-feira (28), acompanhado pela
professora de português Maria da Penha Silva e um agente de segurança. O
retorno para São Paulo será nesta sexta-feira (31).
O
jovem, que cursa o 6º ano do fundamental, escreveu um poema sobre como é morar
na Fundação Casa. É a terceira vez que ele cumpre medida por tráfico de drogas:
sua primeira infração aconteceu aos 13 anos. "Gosto
de escrever para passar o tempo, escrevo cartas e já fiz músicas, aí a
professora me propôs escrever o poema sobre o lugar onde vivo para o concurso.
Quando soube da classificação foi uma felicidade enorme, até por descobrir o
potencial que tenho", disse o jovem.
Apesar
de já ter 17 anos e idade para cursar o ensino médio, o jovem ainda está no 6º
ano. Ele havia abandonado os estudos antes de chegar à Fundação. A distorção
entre idade e série é uma realidade comum entre os adolescentes das 149
unidades. Segundo dados do mês de setembro, a maior parte dos adolescentes
(6.324 alunos) cursa o segundo ciclo do ensino fundamental. No ensino médio
estão 2.496 adolescentes infratores, 517 no primeiro ciclo do ensino
fundamental e apenas 34 já concluíram o ensino médio. A maioria tem idades
entre 15 e 17 anos e, nas unidades, eles são obrigados a frequentar as aulas.
Na
primeira internação, o jovem ficou sete meses, após ser flagrado pela polícia
com dinheiro do tráfico. Na segunda, um mês depois, passou um ano cumprindo
medida. Ficou um ano livre e, agora, em sua terceira passagem, já se foi mais
outro ano. A saída do jovem pode ser determinada a qualquer momento, e ele diz
que está pronto para recomeçar a vida longe das infrações.
"Amadureci
bastante neste tempo, descobri meu potencial nos estudos. Vi que foi uma
oportunidade que Deus estava me dando. Quando fiz o poema não esperava ganhar e
isso me mostrou que posso ser melhor e ter futuro", afirma. O
jovem já é pai. Os filhos gêmeos, hoje com um ano, nasceram dez dias depois de
ele ter sido internado, por isso ele só conseguiu encontrá-los duas vezes.
"A gente muda o pensamento quando se torna pai", explicou ele. O
adolescente diz que, após sua saída, já tem emprego garantido em um
restaurante. "Gosto da área de gastronomia."
Incentivo
O incentivo do jovem veio da professora Maria da Penha, da rede pública do estado de São Paulo, que leciona nas unidades da Fundação Casa há 12 anos. "Sempre trabalho com textos reflexivos para dar vazão para que eles pensem o que poderiam ter feito de melhor para não estarem nas unidades", afirmou. Ela diz que já havia notado o talento do adolescente para escrever. "Ele tem boa capacidade de reflexão."
A
professora trabalhou técnicas de produção de poemas para que o jovem
participasse da semifinal da olimpíada, na qual os concorrentes podem aprimorar
os poemas. Mas, independente do resultado, ela considera que esta é uma vitória
na história da Fundação Casa.
A
olimpíada ocorre a cada dois anos e premia as melhores produções de alunos de
escolas públicas de todo o país. Esta quarta edição do concursou mobilizou
46.902 escolas públicas nos 26 estados e no Distrito Federal, onde 5,1 milhões
de alunos concorrem com poemas, memórias literárias, crônicas e artigos de
opinião. O tema de todos os gêneros é O Lugar onde Vivo.
Leia a seguir o poema do jovem interno:
Leia a seguir o poema do jovem interno:
Vida em Transição
Viver na Fundação não é bom
Bom é ser livre em toda situação
Mas tenho minha opinião
Sobre esse período de transição
Que muitos dizem ser prisão.
Nesse lugar, maldade...
Que ao mesmo tempo é saudade
Por estar privado de liberdade
Mas tem um lado positivo
Nessa realidade
Estou me reabilitando para a sociedade.
Acordo e vejo grades
Meu peito dói de verdade
Só quem passou
Por isso sabe
De todas as realidades
E crueldades...
A maior necessidade
É a Liberdade!
Aqui lições de vida transmitem
Muitas coisas boas
Reconhecimento como pessoa
Que errar é humano
Mas aprender é a melhor coisa.
Atrás desses momentos tem algo impressionante
Hoje me tornei um estudante
Descobri que sou inteligente
Produzi este poema e me sinto importante.
Viver na Fundação não é bom
Bom é ser livre em toda situação
Mas tenho minha opinião
Sobre esse período de transição
Que muitos dizem ser prisão.
Nesse lugar, maldade...
Que ao mesmo tempo é saudade
Por estar privado de liberdade
Mas tem um lado positivo
Nessa realidade
Estou me reabilitando para a sociedade.
Acordo e vejo grades
Meu peito dói de verdade
Só quem passou
Por isso sabe
De todas as realidades
E crueldades...
A maior necessidade
É a Liberdade!
Aqui lições de vida transmitem
Muitas coisas boas
Reconhecimento como pessoa
Que errar é humano
Mas aprender é a melhor coisa.
Atrás desses momentos tem algo impressionante
Hoje me tornei um estudante
Descobri que sou inteligente
Produzi este poema e me sinto importante.
Fonte: G1

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