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| (Foto: Cortesia ACLU) |
O caso dele vem sendo apontado por ativistas contrários à pena de morte como exemplo dos problemas do sistema judiciário americano.
Depois
de passar nove anos preso, quatro deles no corredor da morte, o operário Manuel
Velez, 49 anos, foi libertado nesta quarta-feira nos Estados Unidos. O caso
dele vem sendo apontado por ativistas contrários à pena de morte como exemplo
dos problemas do sistema judiciário americano.
Velez
foi preso no Estado do Texas em 2005 pela morte de um bebê de 11 meses de idade
que estava sob seus cuidados, filho de sua então namorada. Em 2008 ele foi
sentenciado à morte.
Agora,
ao revisar o caso, uma juíza do Texas decidiu que Velez é inocente e que os
advogados que o defenderam inicialmente - indicados pelo Estado, já que o réu
não tinha condições financeiras de contratar seus próprios defensores -
cometeram erros que levaram à sua acusação.
O
drama de Velez começou em 31 de outubro de 2005, quando percebeu que o bebê,
Angel Moreno, apresentava dificuldades para respirar. A
criança foi levada ao hospital e morreu dois dias depois, em decorrência de
lesão cerebral.
Velez
havia se mudado para a casa da namorada e mãe da criança, Acela Moreno, na
cidade texana de Brownsville, apenas duas semanas antes. Ele e Acela foram
acusados do crime. Acela
cumpriu cinco anos de prisão, concordou em testemunhar contra Velez e foi
deportada para o México. Ele foi condenado à morte.
Erros
Quando
Velez já estava no corredor da morte, advogados especializados que se interessaram
por seu caso e decidiram buscar a reversão da pena descobriram inúmeros erros
no processo que levou à sua condenação. Segundo
a acusação, os ferimentos que levaram à morte do bebê teriam ocorrido em um
período de até poucos dias antes.
No
entanto, os novos advogados de defesa descobriram que um especialista
contratado pelo próprio Estado para fazer um relatório sobre a autópsia havia
declarado que os ferimentos claramente haviam ocorrido bem mais de duas semanas
antes da morte.
Essa
informação comprovava a inocência de Velez – já que na época dos ferimentos ele
estava a quilômetros de distância, trabalhando no Estado do Tennessee –, mas
foi omitida.
Os
novos defensores também descobriram que Velez, que fala só espanhol e é
analfabeto funcional, teria assinado declarações de culpa escritas em inglês,
sem que pudesse entender o que afirmavam os documentos.
Diante
das novas evidências, a sentença capital foi revertida em 2012, mas a
condenação pela morte do bebê foi mantida. Os
defensores continuaram buscando a reversão da condenação. A Justiça, por fim,
determinou a realização de um novo julgamento.
Problemas
Apesar
das provas conclusivas de que Velez estava em outro Estado na época dos
ferimentos que causaram a morte do menino e de o próprio Estado do Texas não
contestar as provas apresentadas na apelação e afirmar que não iria buscar a
pena de morte novamente, ele foi aconselhado por seus defensores a se declarar
culpado de uma ofensa menor,de não ter relatado o abuso que a criança sofria da
mãe, para ser libertado o mais rápido possível, com base no tempo já cumprido
na prisão.
"Teríamos
preferido levar o caso de Manuel ao tribunal para provar sua inocência, mas não
poderíamos justificar o risco de fracasso ou de nova injustiça no
tribunal", disse um dos defensores, Brian Stull, da organização de defesa
de direitos civis União Americana pelas Liberdades Civis (ACLU, na sigla em
inglês).
"Não
poderíamos correr esse risco, enquanto tínhamos sobre a mesa um acordo que
permitiria que ele fosse libertado por tempo cumprido na prisão. Então, apesar
de estar livre, ele ainda está manchado por esse sistema falido", afirmou
o advogado.
Velez
voltou nesta quarta-feira para Brownsville, para se reunir com os filhos,
Ismael, 11, e José Manuel, 15. "Foram
necessários batalhões de advogados para provar a inocência de Manuel",
disse Stull.
"Mas
muitos outros homens presos na câmara de execução a poucos metros de distância
nunca tiveram sequer um bom advogado trabalhando em seus casos. No nosso
sistema falido, pessoas inocentes continuam e continuarão a ser executadas até
que a pena de morte seja abolida."
Para
o diretor executivo do Death Penalty Information Center (Centro de Informações
sobre a Pena de Morte), Richard Dieter, a libertação de Velez demonstra os
"muitos problemas" da pena capital e os riscos de execução de
inocentes. "Esse
caso representa um grave colapso do sistema de Justiça em vários níveis",
disse Dieter. "Um
caso que ilustra os graves riscos da pena de morte", afirma.
Fonte: BBC Brasil

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