Caso seja
condenado, Eike pode ser obrigado a cumprir de quatro a 14 anos de prisão
O Ministério
Público Federal em São Paulo denunciou nesta terça-feira (23) o empresário Eike
Batista e sete ex-diretores da OGX Petróleo e Gás Participações S.A.. Eles são
acusados de induzir milhares de investidores ao erro por anunciarem informações
falsas sobre o potencial da empresa.
Segundo o
MPF, os executivos estão envolvidos nos crimes de falsidade ideológica, indução
de investidores ao erro e formação de quadrilha.
Entenda o 'calote' da petrolífera de Eike
Os sete
ex-diretores da empresa também foram denunciados por manipulação do mercado de
capitais. Eike, por sua vez, já responde por essa infração em ação movida pela
Procuradoria da República no Rio de Janeiro.
Caso seja
condenado, Eike Batista pode ser obrigado a cumprir de quatro a 14 anos de
prisão. A pena de reclusão dos demais denunciados pode chegar a 22 anos.
A denúncia
afirma que o grupo prometeu a realização de negócios bilionários em operações
de extração de petróleo nas bacias de Campos e Santos. A projeção foi baseada
em dados falsos sobre a capacidade de exploração das reservas, o que levou à
queda do valor das ações da companhia e causou graves prejuízos àqueles que
haviam adquirido os papéis.
De acordo
com o MPF, entre 2009 e 2013, a OGX divulgou ao mercado 55 fatos relevantes
(informes oficiais sobre acontecimentos da empresa que podem influenciar o
valor das ações) e gerou uma forte demanda por seus ativos na Bolsa de Valores
de São Paulo.
As
informações reveladas referiam-se às estimativas de grande volume de gás e
petróleo a ser extraído em poços dos complexos de Fortaleza, na bacia de
Santos, e de Waimea, Pipeline e Vesúvio, na bacia de Campos. Só em Vesúvio, a
projeção inicial indicava uma reserva de até 1,5 bilhão de barris de petróleo.
Na área de Fortaleza, Eike anunciou a existência de 2 bilhões de barris.
Estudos
internos e encomendados pela empresa apontaram desde 2011 a inviabilidade
econômica das áreas devido a custos elevados de operação ou mesmo à
inexistência de tecnologia para explorá-las. A denúncia frisa que ao invés de
revelar o resultado ao mercado, Eike e os diretores procuraram manter o
interesse dos investidores em comprar ações da OGX.
O MPF
informa ainda que apenas em julho de 2013 o grupo informou aos investidores a
suspensão de atividades em alguns poços da bacia de Campos e a possibilidade de
cessão da produção em outros ao longo de 2014. Após o anúncio, as ações da OGX,
cuja cotação chegou a R$ 23,39 em outubro de 2010, fecharam em R$ 0,56.
Estima-se que o prejuízo suportado pelo mercado financeiro devido à
desvalorização registrada entre 2010 e 2013 seja superior a R$ 14,4 bilhões.
Crimes
Além de Eike
Batista, foram denunciados Paulo Manuel Mendes Mendonça, Marcelo Faber Torres,
Roberto Bernardes Monteiro, Reinaldo José Belotti Vargas, Paulo de Tarso
Martins Guimarães, Luís Eduardo Guimarães Carneiro e José Roberto Penna Chaves
Faveret Cavalcanti.
De acordo
com o MPF, todos cometeram crimes contra o Sistema Financeiro Nacional,
incluindo delitos contra o mercado de capitais.
Para a
procuradora da República e autora da denúncia, Karen Kahn, as fraudes atingiram
a credibilidade e a eficiência do mercado de ações no País ao contaminar, entre
2009 e 2013, a negociação de milhões de ações da OGX e da OSX.
— Tais
condutas desaguaram no prejuízo a milhares de investidores, no Brasil e no
estrangeiro, além do consequente influxo de investimentos em ativos mobiliários
negociados no País.

Nenhum comentário:
Postar um comentário
Obrigado pelo seu comentario.
Fique sempre ligado do que acontece em nossa cidade!