Punições foram adotadas após parecer de comissão
que investigou 198 estudantes de Direito.
Um estudante da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) foi
expulso e três foram suspensos por um semestre por causa de um trote
considerado racista ocorrido no início do ano passado. As punições adotadas
nesta terça-feira, 12, pelo Conselho Universitário da instituição foram
adotadas com base em parecer de comissão que chegou a investigar 198 estudantes
da Faculdade de Direito. Este ano, a universidade editou resolução que proíbe
qualquer tipo de trote.
O
caso que resultou nas punições ocorreu em 15 de março de 2013 e foi motivo de
polêmica por causa da divulgação de fotos em que veteranos aparecem fazendo a
saudação nazista ao lado de um calouro amarrado a uma pilastra. Em outra
fotografia, uma aluna pintada de preto e com um cartaz pendurado no pescoço com
a frase "Caloura Chica (sic) da Silva" é puxada por uma corrente por
outro estudante.
Para
a comissão formada por três professores da faculdade encarregada do processo
administrativo disciplinar contra os estudantes, as imagens, veiculadas em
redes sociais e na imprensa, são "repulsivas e remontam a situações
simbólicas de discriminação histórica, além de atentarem contra as conquistas
da liberdade, igualdade e diversidade garantidas juridicamente, o que não pode
ser olvidado, especialmente em uma faculdade de Direito".
Segundo
a assessoria da UFMG, o parecer foi decisivo para a expulsão de Gabriel de
Vasconcelos Spínola Batista e as suspensões de Gabriel Augusto Moreira Martins,
Gabriel Mendes Fajardo e Giordano Caetano da Silva pelo "envolvimento na
aplicação de trote em alunos do primeiro período da Faculdade de Direito".
Ao todo, a sindicância instaurada para apurar o caso constatou que 68 alunos do
segundo período da faculdade participaram do evento, 98 estudantes contribuíram
com dinheiro para o trote e 32 integrantes do centro acadêmico fizeram a
distribuição de bebidas alcoólicas na ocasião, mas apenas os quatro punidos
aparecem nas fotos.
"A
Universidade tem uma responsabilidade perante a sociedade e a comunidade, e
atos como esses não podem ser tolerados", avaliou o reitor da instituição,
Jaime Ramírez. Para ele, as punições "vão ao encontro de medidas"
adotadas este ano pela universidade, como a resolução que proíbe trotes. O
Estado não conseguiu localizar os estudantes na noite desta terça.
Fonte: MSN

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