Boeing 777 caiu em região ucraniana sob controle de rebeldes
pró-Rússia
Separatistas pró-Rússia no leste da Ucrânia vão permitir o
acesso de investigadores internacionais à área da queda do avião da Malaysia
Airlines, disse nesta sexta-feira (18) a Organização para a Segurança e
Cooperação na Europa (OSCE).
Especialistas dizem que a análise dos destroços —
possivelmente até mais que das caixas-pretas — pode oferecer as melhores pistas
para desvendar o que ocasionou o incidente.
A aeronave, um Boeing 777, levava 283 passageiros e 15
tripulantes e caiu em uma região sob controle dos rebeldes na quinta-feira. Não
há sobreviventes.
Separatistas se comprometeram em "isolar a área da
catástrofe e permitir que autoridades locais iniciem os preparativos para o
resgate dos corpos", disse a OSCE em comunicado. Eles também irão cooperar
com autoridades ucranianas.
As causas da queda da aeronave ainda são desconhecidas, mas
ucranianos e russos se acusam de terem derrubado o avião com um míssil.
O voo MH17 voava de Amsterdã para Kuala Lumpur e caiu entre
Krasni Luch, na região de Luhansk, e Shakhtarsk, em Donetsk, no leste da
Ucrânia, onde separatistas e forças ucranianas se enfrentam desde abril.
O presidente da Ucrânia, Petro Peroshenko, falou em
"ataque terrorista", e o da Rússia, Vladimir Putin, disse que a
aeronave não teria caído se as operações militares não tivessem sido retomadas
na área.
Um assessor do Ministério do Interior da Ucrânia disse que o
avião foi atingido por um míssil, mas nenhuma versão foi confirmada até o
momento.
Destino das caixas-pretas
Poucas horas depois do acidente, a agência de notícias russa
Interfax citou um porta-voz dos rebeldes pró-Rússia, Konstantin Knyrik,
informando que eles teriam encontrado a caixa-preta do avião e que tinham a
intenção de enviá-la para a Rússia. Os rebeldes negaram a informação.
Um cinegrafista da agência de notícias Reuters afirmou que
uma segunda caixa-preta havia sido encontrada por equipes de resgate.
Michael Clarke, diretor-geral do Departamento de Estudos em
Defesa e Segurança do Royal United Services Institute, disse que a investigação
sobre as causas da queda do avião podem levar "meses".
"Os destroços estão em território separatista e eles
(rebeldes) estão dizendo que eles enviaram as caixas-pretas para Moscou. Se as
caixas-pretas foram para Moscou, então poderemos ter meses e meses de
prevaricação", disse ele à Rádio 4 da BBC.
"Então, vai levar um tempo até que se estabeleça
exatamente o que aconteceu".
Nas últimas semanas, rebeldes separatistas pró-Rússia
conseguiram derrubar vários aviões militares usando mísseis na mesma área no
leste da Ucrânia.
"Todas as provas são circunstanciais, mas tudo aponta
para um sentido: os separatistas" como responsáveis pela queda do avião,
disse Clarke.
Pistas limitadas
O consultor de segurança de aviação da Mackey International,
Keith Mackey, disse à BBC Mundo que acredita que nenhuma das duas caixas-pretas
da aeronave será capaz de revelar o que realmente ocorreu.
"A primeira funciona como um gravador convencional e
coleta os sons e conversas que ocorrem entre os membros da tripulação e através
do rádio. A outra, o gravador de dados de voo, registra a altitude da aeronave,
a sua velocidade, rumo, pressurização, etc", disse.
Mas, se o avião foi atingido por um míssil, não há muito o
que as caixas-pretas possam revelar, disse Mackey.
"Se a tripulação sobreviveu ao impacto é provável ouvir
uma gravação do momento em que estavam caindo. No entanto, o registro de dados
só mostrará uma aeronave sendo destruída."
Se este for o caso, Jason Rabinowitz, especialista em
aviação em Nova York, concorda que é extremamente improvável que qualquer uma
das duas caixas-pretas revele informações precisas sobre o que aconteceu.
"O gravador de voz da cabine teria gravado o que os
pilotos disseram, se é que eles chegaram a dizer algo antes do acidente. O
registro dos dados de vôo mostrará somente se houve falhas e anomalias após o
avião ter sido atingido, se é que algo foi gravado", disse Rabinowitz à
BBC.
Os destroços
Para os analistas, a análise completa dos destroços da
aeronave será a maneira mais lógica para saber exatamente o que aconteceu.
Segundo Mackey, o fato dos destroços estarem espalhados por
uma vasta área pode indicar que o avião explodiu em altitude elevada. Essa
informação foi, de certa forma, confirmada por testemunhas, que afirmaram terem
visto a aeronave se despedaçando no ar.
"Ouvi duas explosões. Saí e vi a fumaça preta",
disse uma testemunha à BBC. "Vi fragmentos voando em direções
diferentes", disse outra.
O piloto comercial Robert Mark, editor da
revista Aviation International News Safety, concorda que o mais importante
é a análise dos destroços da aeronave. Para ele, a forma como as partes se
espalharam pelo chão deverão ser estudadas.
"Se elas estiverem muito próxima, em uma área de alguns
metros, isto significa que o avião estava intacto quando caiu", diz o
piloto.

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