Universidade
pede que testemunhas se apresentem para esclarecimentos.
A
Universidade Federal Fluminense (UFF) resolveu se pronunciar sobre a festa
polêmica realizada na última quarta-feira (28) no campus de Rio das Ostras. Durante a festa, a genitália de uma mulher teria
sido costurada. Um crânio humano também foi usado. No comunicado, a direção da
universidade afirma que "não compactua com qualquer tipo atividade que,
desvirtuando de sua essência institucional, extrapole os limites do
razoável".
O
comunicado assinado pelo vice-reitor Sidney Luis de Matos Mello pede, ainda,
que testemunhas se apresentem para esclarecer o que realmente houve no local.
Veja na íntegra:
"Conforme
amplamente divulgado pela mídia impressa e televisiva, no dia 28 de maio de
2014, quarta-feira, ocorreu um evento no Polo Universitário de Rio das Ostras
(Puro) da UFF, que gerou um grande número de críticas e denúncias de
ilegalidades.
A
Universidade Federal Fluminense (UFF), por meio de sua Direção Central, não
compactua com qualquer tipo atividade que, desvirtuando de sua essência
institucional, extrapole os limites do razoável, atentando aos valores da
liberdade e igualdade, ou ofendendo a dignidade da pessoa humana.
Desta
forma, visando a contribuir com as investigações em curso, sem prejuízo de
outras medidas administrativas ou judiciais a serem adotadas, solicita-se
àqueles que, de alguma forma, tenham presenciado possíveis ilegalidades cometidas
junto ao espaço público da universidade, que entrem em contato com a Ouvidoria
da UFF através do e-mail <ouvidoria@uff.br>, pelo telefone (21)
2629-5225, ou no endereço Rua Miguel de Frias, 9, 3º andar, Icaraí, Niterói, de
segunda-feira a sexta-feira, das 9h às 17h, e forneçam informações que possam
contribuir para a apuração precisa dos fatos", diz o texto publicado no
site da instituição.
Nesta semana o professor responsável pelo Departamento de
Artes e Estudos Culturais, Daniel Caetano, se pronunciou em uma rede social. Na
publicação ele disse que o evento foi uma “performance para chocar” e garantiu
“apoio total aos organizadores”.
“Gente,
preciso falar sério sobre um assunto que anda correndo as redes sociais - o tal
evento "Xereca Satânica" ocorrido no Puro, em Rio das Ostras,
promovido por alunos do curso de Produção Cultural dentro da programação de uma
disciplina cujo tema era ‘Corpo e resistência’. (...) Após um dia de
apresentação de seminários e muitas discussões (testemunhei isso, vi a sala
lotada), os alunos promoveram uma performance, realizada por um coletivo que se
dispôs a vir de MG apenas para isso. É um coletivo que está habituado a fazer
performances como a que aconteceu, feitas para chocar a sensibilidade das
pessoas e fazê-las pensar sobre seus próprios limites (infelizmente não pude
estar presente)”, iniciava o texto, continuando.
“Infelizmente,
há pessoas que acreditam que o mundo deve ser moldado à sua imagem e
semelhança, sem permitir qualquer espécie de desvio do padrão ou mesmo qualquer
espécie de afronta à sua sensibilidade confortável, conformista e preguiçosa. A
costura de partes do corpo, inclusive da região genital, não é novidade para
qualquer pessoa que tenha lido mais de um parágrafo sobre arte contemporânea
posterior aos anos 1970.
Sugiro a quem quiser saber mais sobre o assunto que
pesquise os trabalhos de pessoas como Marina Abramovic e Lydia Lunch. A
performance tinha como um dos objetivos denunciar a constante violência contra
mulheres na cidade de Rio das Ostras, onde as ocorrências de estupros
estão entre as maiores do país. O caso é que foram feitas e divulgadas fotos do
evento - o que deu a ele uma dimensão política e social que vai muito além dos
muros do Pólo, tornando-se tema de blogs sensacionalistas e da imprensa marrom.
Estando atualmente na função de chefe do departamento em que esse evento foi
promovido, afirmo para quem for necessário que damos apoio total aos promotores
do evento, realizado dentro de uma perspectiva acadêmica, a partir de
discussões ocorridas nas aulas de uma disciplina. É coisa séria e deve ser
respeitada”, finaliza Daniel
Na
segunda-feira (2) a Polícia
Federal visitou o campus. Segundo o delegado Júlio César Ribeiro, os peritos
constataram que o local onde houve a festa havia sido lavado e nenhuma prova
foi colhida. Mesmo assim, testemunhas e funcionários da universidade foram
intimados a depor, na próxima quinta-feira (5) pela manhã. O objetivo, segundo
o delegado, é saber se alguma verba pública foi utilizada na realização das
atividades ou se algum crime foi cometido. O inquérito deve ser concluído em um
prazo de 30 dias.
O
professor Daniel Caetano defendeu que nenhuma irregularidade foi cometida no
evento.
“E,
finalmente, embora não tenham sido feitos "rituais satânicos" e o
título do evento fosse essencialmente provocativo (ao contrário do que o
jornalismo marrom afirmou), precisamos dizer que não haverá de nossa parte
qualquer censura a atos do gênero. A universidade pública é LAICA, como todo o
estado brasileiro. Todos os representantes públicos devem defender o laicismo -
caso contrário, cometem o crime de prevaricação. A laicidade assegura a
qualquer manifestação religiosa o mesmo grau de respeitabilidade: sejam missas
católicas, evangélicas, judaicas, budistas ou satânicas”, disse ainda o texto
do professor Daniel Caetano.
Nesta quarta, no PURO UFF, está marcada uma reapresentação do seminário seguido de um debate.

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