Casimiro de Abreu conta com a ajuda do ‘Mestre Tuti’ para manter o
mangue preservado
Nasceu o sol e Mestre Tuti sai em seu barquinho para mais um dia de
trabalho. Com uma rede e puxador em mãos, ele aproveita a força da natureza e
desce o rio São João junto com a correnteza. No caminho, vai recolhendo sacolas
plásticas, garrafas pet, pneus, troncos de madeira, redes de pesca, latinhas de
alumínio, fraldas, entre tantos outros resíduos que se acumulam entre a
vegetação do manguezal.
Educador ambiental da Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento
Sustentável de Casimiro de Abreu, José Otoni Moreira, mais conhecido como
Mestre Tuti, diariamente realiza a limpeza no rio São João e seu mangue. São
cerca de 1.300 quilos de lixo recolhidos por mês. “Quando comecei a fazer esse
trabalho, há cerca de cinco anos, a quantidade de lixo era muito maior”, conta.
Além do barco coletor das margens, com o qual Mestre realiza o trabalho
manual, ele mantém um barco ancorado dentro do rio para que pescadores e as
pessoas que por ali passam depositem seu lixo na embarcação. O ‘Barquinho do
Lixo’ funciona muito bem e vem ajudando na conscientização ambiental.
Quando a maré volta a subir, Mestre retornar para casa com o barco
carregado de lixo. Depois de tomar um banho e almoçar, ele faz a separação de
todo o material. O que serve, encaminha para a reciclagem. Alguns materiais são
reutilizados por ele mesmo para a confecção de artesanato. Já as garrafas pet
são aproveitadas para cultivar as mudas de mangue, usadas para ‘remanguezar’ o
estuário do São João. Durante esses cinco anos, Mestre já plantou mais de 300
mudas, que são tiradas do próprio mangue.
Um exemplo de respeito à natureza - Natural da cidade de Trairi, no
Ceará, Mestre Tuti se apaixonou por Barra de São João, principal distrito de
Casimiro de Abreu, onde vive há 15 anos. De família de pescadores, a natureza
foi uma grande aliada para sua subsistência e, agora, ele tenta retribuir. A
pesca virou lazer, mas a relação de amor e respeito ao meio ambiente permanece.
Com um sorriso e entusiasmo contagiante, ele conta como tudo começou. Todos os
dias, via um vizinho que jogava duas sacolas de lixo no rio. Até que um dia
pegou seu barco e esperou. Assim que as sacolas foram jogadas, Mestre as recolheu
e colocou no seu muro para o caminhão de lixo levar. “Pouco depois, essa pessoa
me chamou e pediu desculpas. Desde então, nunca mais jogou nada no rio e se
tornou um colaborador pela conservação do nosso belo São João”, conta Mestre.
Mestre também realiza um trabalho de educação ambiental em Barra de São
João. Mostra para moradores e visitantes os impactos do lixo no meio ambiente e
na saúde do homem, a importância da reciclagem e como ela pode gerar renda para
muitas famílias, a relação do mangue e a pesca, entre outras lições e práticas
sustentáveis que ajudam na construção de um mundo mais saudável. “Hoje a
comunidade apoia e reconhece esse trabalho. Moradores e visitantes já não jogam
mais lixo no rio e suas margens. Isso é muito gratificante, pois vejo que esse
trabalho vem dando resultados. As pessoas estão muito mais conscientes
ambientalmente”, falou.
Lições sobre o mangue - O Rio São João nasce na Serra do Sambê e
deságua no distrito de Barra de São João, onde forma um estuário com
características singulares. Maior rio genuinamente fluminense, ao longo dos
seus 120 km o São João corta florestas de Mata Atlântica. Em sua foz, ainda
abriga uma área de 5 km² de manguezal, sendo um dos ecossistemas mais bem
preservados em todo o estado do Rio.
É nesse encontro do rio com o mar que o mangue se forma. Dessa mistura
surge um solo alagado, rico em nutrientes e em matéria orgânica. Mestre ensina
que o mangue tem uma grande importância social, econômica e ambiental. “O
mangue é um grande berçário natural do mundo”, falou.
Enquanto separa o lixo que recolheu durante a manhã, Mestre vai
ensinando um pouco mais sobre o ecossistema. Entre tantos serviços ambientais
que presta, o mangue exerce influencia direta na pesca. Para se ter uma ideia,
90% do alimento que o homem retira do mar são produzidos no mangue. Pelo menos
dois terços das espécies de peixes exploradas economicamente dependem desses
locais, onde encontram abrigo para reprodução, alimentação e desenvolvimento
das formas juvenis. Diversas espécies de aves buscam alimento e proteção nas
árvores do manguezal, que também é o habitat de variadas espécies de
caranguejos. “As pessoas precisam conhecer o mangue e saber de sua importância.
Eu espero que a minha mensagem chegue pelo menos a uma pessoa e que ela possa
dar continuidade a esse trabalho”, falou.
No curso do rio São João, Mestre segue em seu barquinho limpando,
ensinando e conscientizando ...

Nenhum comentário:
Postar um comentário
Obrigado pelo seu comentario.
Fique sempre ligado do que acontece em nossa cidade!