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| Da esquerda para direito: José Dirceu, Delúbio Soares e José Genoíno, todos presos no processo do Mensalão. |
Para
Janot, agentes podem ser responsabilizados se regalias continuarem.
Procurador mencionou feijoada, café diferenciado e visitas fora do normal.
O
procurador-geral da República, Rodrigo Janot, enviou parecer ao Supremo
Tribunal Federal (STF) nesta quarta-feira (7) no qual aponta que há
"indicativos bastante claros" de tratamento diferenciado a presos do
processo do mensalão no Distrito Federal.
Janot
enviou parecer em razão de uma série de documentos remetidos ao Supremo pelo
Ministério Público do Distrito Federal que apontaram regalias a presos do
mensalão na Penitenciária da Papuda, nos arredores de Brasília. O presidente do
Supremo, Joaquim
Barbosa, pediu a opinião do procurador sobre os documentos.
O
procurador defende a adoção de medidas para garantir a isonomia entre todos os
detentos e afirma que, caso a situação se mantenha, os responsáveis pelo
sistema prisional podem ser responsabilizados.
"As
informações prestadas por autoridades da Defensoria Pública, do Ministério
Público e do Judiciário, robustecidas por depoimentos formais de internos do
sistema prisional local, formam um sólido contexto em que não há espaço para
nenhuma cogitação de perseguição à administração prisional. Muito pelo
contrário. Há indicativos bastante claros que demandariam uma atitude imediata
das autoridades responsáveis", afirma o procurador.
Para
o procurador, "nunca é demais realçar a necessidade de que a autoridade administrativa
tem a obrigação de conferir tratamento isonômico aos apenados que estiverem em
idênticas condições de cumprimento de pena, e que a eventual não apuração de
faltas administrativas em relação a todos os apenados podem - como cediço -
acarretar responsabilidades a quem de direito".
Janot
citou no documento que, nos últimos meses de 2013, além do Ministério Público
do DF, a Defensoria Pública também apontou visitação em dias e horários não
estabelecidos e que a Vara de Execuções Penais (VEP) também constatou em
inspeção "clima de instabilidade e insatisfação" entre os presos.
O
procurador destacou que no mês de fevereiro, conforme depoimentos de presos,
foi realizada "uma feijoada exclusiva para os internos da Ação Penal
470" e citou depoimentos que informaram café da manhã diferenciado.
O
procurador frisou também que parlamentares não podem ter acesso livre aos
presídios sem nenhum controle dos órgãos públicos. Reportagens apontaram que
deputados fizeram visitas ao presos como o ex-ministro da Casa Civil José
Dirceu e o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares fora do horário de visitas.
"É
evidente que essa prerrogativa parlamentar é pertinente ao exercício do
mandato, e apenas no interesse público deve ser exercida. De toda sorte, não
dispensa os responsáveis pela permissão de acesso às dependências dos
estabelecimentos prisionais dos registros correspondentes. Resta claro, e de
plano, que os responsáveis pela administração carcerária estão desrespeitando
esses normativos."
Janot
rebateu ainda ofício do governo do Distrito Federal, que afirmou que não foram
explicitadas quais irregularidades ocorreram. "Inverossível, para dizer o
mínimo, a alegação da incompreensão sobre as questionadas medidas a serem
adotadas para retomada do comando prisional."
Para
o procurador, o governador Agnelo Queiroz deu respostas com "caráter
beligerante" ao Supremo, que "acertou" ao apontar falta de
disposição do governo nas apurações sobre as regalias.
Fonte: G1

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