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| Irmã do ex-boxeador condenado à morte exibe foto de Iwao Hakamada na época em que foi preso. |
Réu foi o
que mais passou tempo no corredor da morte no mundo.
Tribunal revisou provas sobre assassinato múltiplo que o condenou.
O japonês
Iwao Hakamada, de 78 anos, foi libertado nesta quinta-feira (27) depois de 46
anos no corredor de morte. A libertação ocorreu após um tribunal decidir
revisar seu caso ao levar em conta novas provas sobre o assassinato múltiplo
pelo qual foi condenado.
Hakamada,
o homem que mais tempo passou no corredor da morte no mundo, não mostrava
expressão nenhuma ao deixar a prisão em Tóquio, onde foi recebido por sua irmã
e esperado por vários meios de comunicação.
Horas
antes, o Tribunal do distrito de Shizuoka (no centro do país) anunciou que
analisaria as últimas provas de DNA apresentadas pela defesa, que acredita
poder demonstrar que ele é inocente do crime, que aconteceu em junho de 1966.
Hakamada, um ex-boxeador de 78 anos que sofre de uma doença mental, foi
condenado à pena de morte em 1968.
Ao decidir
revisar o caso, o juiz responsável disse ser "injusto" mantê-lo na
prisão, ao considerar que "a possibilidade de sua inocência alcançou um
grau considerável" em declarações dadas à agência Kyodo.
A emissora
pública 'NHK', que retransmitiu a saída da prisão ao vivo, revelou que o
condenado não recebe visitas há quase quatro anos por causa de seu delicado
estado mental. Segundo um de seus advogados, quando ele foi avisado de que
seria libertado 'pareceu entender, mas não expressou nenhuma alegria com a
notícia'.
Ele foi
condenado por apunhalar até a morte o dono da pequena fábrica de missô em que
trabalhava, a mulher dele e seus dois filhos, e depois incendiar a casa da
família.
Sempre se
declarou inocente
Durante o julgamento e em todos esses anos de prisão, Hakamada sempre se
declarou inocente do crime e várias organizações de direitos humanos
denunciaram que a investigação sofreu todo tipo de irregularidade. O ex-boxeador
disse ter sido coagido pela polícia a assinar uma confissão.
A Suprema
Corte do Japão confirmou a sentença de morte em 1980, mesmo ano em que ele
entrou com um pedido de um novo julgamento. Já o último recurso, feito por seus
parentes, se baseia nos resultados de exames de DNA, que mostram que as
amostras de sangue recolhidas das roupas do assassino não correspondiam ao de
Hakamada.
O
presidente do tribunal, Hiroaki Murayama, aceitou o argumento e afirmou hoje
que as mostras de roupa 'não eram do acusado', abrindo assim a possibilidade de
realmente ter havido manipulação das provas.
É a sexta
vez que um tribunal japonês decide reabrir o caso de um condenado à morte desde
1949, e dos outros cinco acusados quatro foram absolvidos.
Fonte: G1

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