Caio de Souza e Fábio Raposo passam a ter dois advogados de
defesa.
Caio Silva de Souza e Fábio Raposo, presos temporariamente
no Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu, Zona Oeste, têm mais um
advogado. Eles são acusados pelo Ministério Público de homicídio doloso (quando
há intenção de matar) triplamente qualificado – por motivo fútil, com emprego
de explosivo e sem dar chance de defesa à vítima –, e pelo crime de explosão
que resultou na morte do cinegrafista da TV Bandeirantes Santiado Andrade. O
repórter cinematográfico foi atingido na cabeça por um rojão quando registrava um
protesto no Centro do Rio na quinta-feira (6).
Convidado pelo advogado Jonas Tadeu Nunes, Wallace Martins
afirmou, em entrevista ao G1 nesta quarta-feira (19), que vê injustiças no
caso.
“Eu me interessei pela causa diante do grave estado de
injustiça tanto do ponto vista direito penal quanto do direito processual
penal. A maior injustiça é a classificação do delito como homicídio doloso
triplamente qualificado. Eles acenderam os rojões. Eu ainda nem vi o inquérito,
mas eles explodiram. Qual era o dolo deles, de matar? Claro que não, a intenção
era fazer barulho e que o movimento fosse notado, não havia dolo de matar, nem
eventual”, argumentou o advogado Wallace Martins.
Para Martins, o crime cometido pelos acusados é de homicídio
culposo (sem intenção de matar) por imprudência. O advogado frisou que precisa
conversar com os acusados para se aprofundar no caso.
"Eu ainda não conversei com eles. Embora não seja
obrigatório, é bom saber mais alguma coisa. Só sei o que saiu na mídia e o que
foi passado pelo outro advogado [Jonas Tadeu]”, afirmou Martins.
Jonas Tadeu Nunes, que está desde o início do caso na defesa
da dupla, disse ao G1 que o novo advogado vai contribuir também para a
agilidade do trabalho.
“Eu convidei o Wallace para ajudar na parte mais prática.
Ele tem escritório no Centro e, como esse processo está sendo desenvolvido no
Fórum da capital, é mais facil. Ele [Martins] é muito inteligente, tem muita
teoria. Estamos esperando o juiz dar um parecer sobre a denúncia do Ministério
Público para podermos excercer o direito de defesa”, contou Nunes.
Honorários
A exemplo do que já havia afirmado Jonas Tadeu Nunes,
Wallace Martins afirmou que aceitou entrar no caso sem cobrar nada pelo
trabalho.
“Eu não estou cobrando nenhum honorário. Eu quero
defendê-los porque há uma injustiça latente. Você não pode criminalizar um
movimento. Essa lei antiterror daria inveja até à ditadura militar. Isso é uma
barbaridade. Isso não existe”, ressaltou Martins.
Prisão preventiva
Na denúncia entregue à Justiça do Rio na segunda-feira (17),
o Ministério Público, atendendo ao pedido da autoridade policial, solicitou que
a prisão temporária dos acusados seja convertida para preventiva a fim de que a
dupla permaneça presa até o julgamento.
O Tribunal de Justiça do Rio (TJ-RJ) informou que a denúncia
ainda não havia sido aceita tampouco o pedido de prisão havia sido analisado
até as 12h desta quarta. Sobre o assunto, o advogado Wallace Martins disse que
espera que o juiz não decrete a prisão preventiva dos acusados.
“Não há necessidade, há outras medidas cautelares, como
afastar os acusados das passeatas, por exemplo. Prisão é exceção, liberdade é a
regra. Os garotos ainda ainda não foram julgados. Essa é um tipo de causa que
não dá para fazer apenas com um advogado, é muito trabalho. Vamos somar forças
para conseguir um belo trabalho”, afirmou Martins.
'Eles estão deprimidos', diz advogado
Segundo Wallace Martins, enquanto os acusados tiverem para a
mesma versão para o caso, a defesa de Fábio Raposo e o Caio Silva de Souza será
conjunta. Os dois já têm conhecimento que dois advogados trabalham na defesa.
Em sua página no Facebook, Wallace Martins comunicou sua
entrada no caso e adiantou que não tem qualquer ligação política: “Comunico que
estou na defesa dos meninos do rojão, no caso do falecimento do cinegrafista da
TV Bandeirantes Santiago. Aproveito para informar, desde já, que não tenho
qualquer ligação política com a causa. Sou advogado criminal, e onde existir
injustiça, é ali que deve estar o advogado. Grato pela atenção”, diz o texto.
O advogado Jonas Tadeu Nunes afirmou ainda está em constante
contato com os acusados para obter informações que serão usadas na estratégia
de defesa da dupla.
“Estou colhendo informações de um e de outro para usar na
defesa. Os dois garotos estão muito assustados, nunca foram presos. Para eles,
tudo que estão vivendo são momentos de terror. Eles foram encarcerados e estão
em uma situação de pavor. O Caio continua muito preocupado com o pai e com a
mãe. Eles estão desequilibrados, deprimidos”, contou.
Fonte:G1

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