Mãe acompanhou ensaio fotográfico e se diz surpresa com a repercussão.
A mãe da criança de três anos que aparece em uma campanha
publicitária em fotos erotizadas afirma estar surpresa com a repercussão do
caso. “Fizeram uma tempestade em copo d'água. Minha filha não merecia passar
por isso”, afirma ela, que pediu para não ser identificada para preservar a
filha. Para o Dia das Crianças, a marca cearense veiculou na internet e nas
lojas imagens da menina maquiada, usando objetos e fazendo poses de adulto.
Após a publicação em 12 de outubro, as imagens foram compartilhadas por
centenas de usuários do Facebook, acompanhadas de críticas à marca. A empresa
diz que houve uma ''interpretação distorcida'' do conteúdo.
A mãe da criança afirma que acompanhou as fotos da filha e
que não viu erotização no resultado. “Levei roupas dela para o ensaio, mas
sugeriram que ela fizesse só de calcinha para dar um ar mais infantil às fotos.
Eu concordei”, diz. Segundo a mãe, a criança que posou para campanha não faz
trabalhos como modelo e elas não receberam dinheiro. “Aceitei porque sou amiga
de pessoas da empresa. É a primeira vez que minha filha faz fotos para
publicidade. Nem gosto disso. Antes disso, já tinha recebido várias convites.
Aceitei mais por uma brincadeira”, afirma.
Para a mulher, nem ela, como mãe, nem a empresa de bolsas e
sapatos devem ser culpadas pelas fotos. “A agência que fez e estudou é que
deveria ter noção que uma foto passaria ptudo isso. Nem eu, nem o dono temos
noção disso”, conclui. Durante a tarde desta quarta-feira (16), o G1 tentou
entrar em contato com a agência responsável pela campanha, mas as ligações não
foram atendidas.
Conar
O Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária
(Conar) afirmou que, até a segunda-feira (14), recebeu 70 notificações sobre a
campanha da marca cearense, aceitou as denúncias e abriu um processo contra o
anunciante. O órgão recebe denúncias de consumidores, autoridades e
anunciantes, além de regulamentar a prática publicitária com base no Código
Brasileiro de Autorregulamentação Publicitária.
Entre os que criticaram a campanha, estão especialistas e
publicitários que analisam que as peças ferem o código, que trata sobre
crianças e adolescentes na publicidade. O parágrafo 1º do artigo 37 diz que
“crianças e adolescentes não deverão figurar como modelos publicitários em
anúncio que promova o consumo de quaisquer bens e serviços incompatíveis com
sua condição, tais como armas de fogo, bebidas alcoólicas, cigarros, fogos de
artifício e loterias, e todos os demais igualmente afetados por restrição
legal”.
ECA
Segundo a coordenadora do Grupo de Pesquisa da Relação
Infância, Juventude e Mídia (Grim), da Universidade Federal do Ceará (UFC),
Inês Vitorino, a campanha desrepeita não só o código da publicidade. “É uma
campanha extremamente de mau gosto e desrespeitosa em relação às crianças. Para
começar, a criança não é o foco da campanha. A marca é para o consumo de
adultos e coloca a criança extremamente erotizada, em uma situação
absolutamente desnecessária. Além disso, fere o ECA porque coloca a criança em
situação vexatória, de calcinha, se maquiando, dentro de uma sociedade com
tantos casos de pedofilia e abuso sexual”, afirma.
Diante do caso, o Centro de Defesa da Criança e do
Adolescente (Cedeca) propôs na terça-feira (15) ao Ministério Público uma ação
ação coletiva para que futuras campanhas envolvendo crianças e adolescentes não
adotem uma postura similar. Segundo a entidade, mesmo que campanha da Courofino
tenha sido retirada de circulação, a empresa pode ser penalizada com multa ou
ter de assinar um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC).
A argumentação jurídica do Cedeca se baseia nos artigos 17 e
18 do ECA. O artigo 17 fala do respeito à inviolabilidade da integridade
física, psíquica e moral da criança e do adolescente, abrangendo a preservação
da imagem, da identidade, da autonomia, dos valores, idéias e crenças, dos
espaços e objetos pessoais.
O artigo 18 do ECA traz que é "dever de todos velar
pela dignidade da criança e do adolescente, pondo-os a salvo de qualquer
tratamento desumano, violento, aterrorizante, vexatório ou constrangedor".
"Má interpretação"
Em nota, a marca Courofino informou que as peças e o banner publicitário divulgados na página oficial da empresa em uma rede social "buscou homenagear uma data tão importante no cenário nacional" e que houve uma "interpretação distorcida da real intenção da empresa" que era de mostrar a brincadeira de uma criança com os pertences da mãe.
Em nota, a marca Courofino informou que as peças e o banner publicitário divulgados na página oficial da empresa em uma rede social "buscou homenagear uma data tão importante no cenário nacional" e que houve uma "interpretação distorcida da real intenção da empresa" que era de mostrar a brincadeira de uma criança com os pertences da mãe.
A empresa também afirmou que não teve a intenção de erotizar
a infância e informou que já retirou o material publicitário de circulação. A
marca ainda pediu aos usuários das redes sociais que não compartilhe a imagem
ou que excluam das páginas para diminuir os "efeitos negativos causados
pela má interpretação da campanha".
De acordo com o Conar, mesmo que a marca retire as peças, o
processo continua tramitando, pois poderá referenciar campanhas futuras.
Segundo o conselho, o voto deve ser dado até esta quarta-feira (16). Caso não
tenha uma medida liminar, a campanha pode ser utilizada até o fim do julgamento
do processo, que dura de 30 a 40 dias.
Ainda de acordo com o Conar, é importante que as empresas
reconheçam e atendam a regulamentação do conselho. A retirada é de
responsabilidade do anunciante, que é informado sobre a existência do processo
e pode participar da sessão que julgará o processo, apresentando, inclusive,
defesa.


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