O processo de desapropriação de terras para reforma agrária e assentamento dos trabalhadores estão paralisados há mais de três anos.
O ministro do Desenvolvimento Agrário, Pepe Vargas,
anunciou ontem (17), durante o lançamento do Plano Nacional de Agroecologia e
Produção Orgânica - Brasil Agroecológico, que o governo publicará até o fim do
ano 100 decretos de desapropriação de terras para a reforma agrária no país.
A presidenta Dilma Rousseff, que discursou no evento depois de
Pepe Vargas, disse que o ministro avançou no método de desapropriação de
terras, fazendo uma avaliação da viabilidade produtiva dos assentamentos.
“Muitas vezes assentaram-se famílias no país em lugares que não
tinha como se sustentar. Não só apoio [a reforma agrária], mas
é uma questão que também exijo porque não temos como colocar famílias em um
lugar em que elas não têm condição de tirar sua renda”, disse, adiantando que
podem ser assinados até mais de 100 decretos.
Quarta (16) manifestantes de várias organizações como o Movimento
dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), a Via Campesina e a Confederação
Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Gontag) fizeram um protesto em
frente do Ministério da Agricultura e ocuparam o hall de entrada do prédio,
impedindo a entrada de servidores. Após desobstruírem a entrada do prédio, as
lideranças dos movimentos sociais foram recebidas pelos ministros da Agricultura, Antônio
Andrade, e da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho.
Após a reunião, a coordenadora da Via Campesina, Rosângela
Cordeiro, disse que os ministros assumiram o compromisso de
analisar a pauta de reivindicações, focada principalmente na retomada da
desapropriação de terras para reforma agrária e assentamento dos trabalhadores,
que, segundo ela, estão paralisados há mais de três anos.
Nos últimos dias, manifestações em defesa da reforma agrária estão
ocorrendo em várias cidades do país. Além dos trabalhadores rurais, peritos do
Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em alguns estados
também fizeram protestos contra a paralisação de projetos de reforma agrária no
órgão. Segundo eles, a presidência não assinou nenhum decreto de desapropriação
de terra com esse fim em 2013, sendo o menor índice desde 1992, quando foram
foram publicados quatro decretos.
Fonte: Agência Brasil

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